Análise – Fate/Zero

Informação Global:

  • Episódios: 13+12
  • Ano: 2011-2012
  • Produtores: Aniplex, ufotable, Nitroplus, Aniplex of America, seikaisha, Notes
  • Géneros: Acção, Fantasia, Sobrenatural, Thriller
  • Idades: +17
  • Linguagem: Japonesa

A Type-Moon sempre foi uma equipa conhecida e adorada pelo seu  trabalho único e excelente. Com o projecto Fate/Stay Night lançado em 2004, os criadores encontraram a sua fonte de inspiração mas, infelizmente, com a adaptação em Anime pela Studio Deen em 2006, a história foi bem recebida pelos fãs mas muitos espectadores eram da opinião que o seu contexto era bastante juvenil. Pessoalmente e sendo uma espectadora exterior à série, Fate/Stay Night foi sem dúvida uma desilusão. Achava que a história tinha muito mais potencial do que aquilo que mostraram no Anime e que podia ser muito melhor tanto na história, como nas personagens, batalhas e animação. A série Fate, que começou com uma nota razoável, tem vindo a crescer e a ficar cada vez maior e melhor e é aqui que entra Fate/Zero.

Sendo uma prequela, Fate/Zero tem lugar dez anos antes de Fate/Stay Night detalhando os eventos da 4ª guerra do Santo Graal na cidade de Fuyuki. Esta guerra é um “campeonato” onde sete Magos evocam sete Espíritos Heróicos (Serventes) para competir pelo Santo Graal que lhes concretiza um milagre. Após três guerras inconclusivas, a quarta começa precisamente neste momento. Após três falhas consecutivas, a família Einzbern está determinada a atingir o sucesso e como resultado decidem eleger Emiya Kiritsugu, um assassino profissional de Magos, como representante e candidato ao ­Santo Graal, independentemente dos seus métodos e reputação. Embora Kiritsugu sonhe ser um herói, rapidamente abandonou o seu ideal quando se apercebeu que para salvar uma pessoa teria de sacrificar outra. Pelo bem da humanidade, Kiritsugu é capaz de destruir tudo e todos que coloquem a paz dos outros em risco.

A história não é facilmente perceptível, deixa o espectador a pensar, principalmente na parte final do Anime, mas quando compreendida não deixa qualquer tipo de dúvidas. Em Fate/Zero o contexto é muito mais obscuro, adulto e mais levado a sério comparado com as sequelas, elevando-se ao nível dos filmes Kara no Kyoukai. Posso considerar Fate/Zero uma série independente, não necessitam de ver o resto das sequelas visto que com Fate/Zero ficam muito bem servidos. Mas assumindo que o espectador tem alguma ligação à franquia, comparado com as outras séries, Fate/Zero está muito bem equilibrado e muito mais focado na narrativa, preparação, dialogo e sobretudo na maturidade do Anime. Um dos aspectos mais notórios deste Anime é que ajuda vagarosamente o espectador a perceber os diversos pontos necessários à compreensão do final da história. Ao reunir as informações e planos, Fate/Zero contém bons exemplos de tácticas e estratégias únicas que podem ser comparadas com grandes Animes como Code Geass ou Death Note.

Outro aspecto destacável é o diálogo, onde em algumas ocasiões acabam por ser um bocado longos mas muito bem escritos e racionalizados.  Um dos melhores exemplos deste caso é o dialogo entre Saber e Rider sobre a verdadeira natureza de um rei e a reacção da Saber sobre o tema. Existem muitos tipos de poder – financeiro, militar, politico, religioso – e de tempos em tempos, estes são utilizados como armas para atingir tanto objectivos individuais como de grupo. Embora ignorada, a Magia ainda pertence a esse tipo de poder e Fate/Zero representa esta mesma vertente a um nível bastante credível, real e bem mais sério que nas sequelas. A partir da segunda parte do Anime, nota-se uma explosão repentina do dialogo e preparação para grandes combates e excelentes efeitos visuais. Embora dedicada à acção, a história mantém o seu controlo, mas nota-se uma diferença na atmosfera do Anime que fica muito mais rápido, versátil e épico. Infelizmente, um ponto negativo em Fate/Zero que vou ter de referir é o facto de criarem grandes expectativa sobre batalhas que no final acabam por não acontecer, ou são demasiado curtas, como por exemplo, Saber contra Gilgamesh ou o Gilgamesh contra Rider, soube tão a pouco que acabou por me desiludir.

Quanto às personagens, podem contar com muitas caras novas mas muitas já conhecidas, Fate/Zero contém uma variedade extensa de personagens. As classes de Serventes regressam mas muito mais fortes e carismáticas. Quanto à evolução das personagens, esta é praticamente abolida visto que Fate/Zero é uma prequela de uma história já existente. Devido ao facto de não existir um protagonista especifico, o Anime permite conhecer todos os outros grupos, aquilo que foram, aquilo que anseiam e aquilo que são neste momento. Um dos pontos negativos em Fate/Zero é a falta de informação acerca do passado dos diversos Serventes. Pessoalmente acho que é um ponto necessário à empatia e entretenimento entre espectador e a personagem, como por exemplo, saber que o Gilgamesh é o rei da babilónia e mais? Gostaria de saber como é que ele ficou rei ou de onde vem aquele poder, ou o Lancer, que acaba por ser uma personagem da qual não se sabe mesmo nada.

Do grupo principal do Anime destaca-se Saber, a única servente feminina em Fate/Zero. Evocada por Kiritsugu, Saber é considerada a classe mais forte de todas, embora muitas vezes fria com as suas emoções, Saber é leal, reservada, independente e sobretudo uma lutadora pelos seus objectivos. Por sua vez, Emiya Kiritsugu é uma homem que pretende manter a paz no mundo pelas suas próprias mãos e sonha em ser um herói. Categorizado como um assassino profissional de Magos, Kiritsugu utiliza tecnologia moderna, armas e magia para levar concretizar o seu trabalho. Por fim, Irisviel von Einzbern mais conhecida como Iri, é uma homúnculo criada pela família Einzbern que serve de corpo físico ao Santo Graal. Iri é uma rapariga bondosa, leal, protectora que surge casada com Kiritsugu, relação da qual nasceu Illyasviel. Existem ainda outras personagens e Serventes que vão conhecer ao longo do Anime.

Quanto à produção e animação, Fate/Zero pode ser considerado o resultado final de tudo o que a Type-Moon e a Ufotable aprenderam mutuamente. Mesmo recorrendo ao mesmo estilo de desenho e cor da Type-Moon, conseguiram tornar as sequências de acção mais fluídas e coreografadas, além de mostrar diferenças subtis na forma como as personagens se movem. Mesmo havendo muitas caras novas nesta prequela, é no design de Saber que notamos a maior evolução. A personagem principal feminina mais conhecida de sempre e o ícone de todo o mundo Anime, levou em Fate/Zero uma remodelação nas suas curvas e feminidade e recebeu mais precisão e detalhe nos seus movimentos e feições (algo que faltava em Fate/Stay Night). Com as cenas de acção, estava a espera de a qualquer momento existir uma falha ou menos pormenor, o que é normal na maior parte das series, mas em Fate/Zero, aconteceu exactamente o contrário. As cenas de batalha são capazes de ter mais trabalho, dedicação e pormenor do que o resto do Anime e até em certas cenas existe utilização de 3D.

Mais uma vez, vou ter de elogiar a área musical, composta por Yuki Kajiura, a famosa compositora tanto de VideoJogos como de Anime entre outros. A primeira parte de Fate/Zero contém uma subtil utilização musical de fundo, mais passiva e mais calma, com a utilização frequente de sons de piano e bateria, pequenos tons, não tão perceptíveis com o desenrolar da história. O opening “Oath Sign” de LiSA num estilo de rock, retrata bem a apresentação das personagens com um bocadinho de acção à mistura, enquanto que o ending “Memoria” de Eir Aoi num estilo rock em balada, acompanha bem os retratos do Serventes no seu habitat natural.

Já na segunda parte de Fate/Zero, nota-se uma maior presença musical. Com tons e segmentos mais fortes e brutais acompanhando as cenas de batalha, sendo mais rápidos e mais diversificados, o que causa mais entusiasmo no espectador nas cenas com mais presença emocional. Não é de admirar a presença das Kalafina, as musas colaboradoras de longo tempo da Type-Moon/Ufotable, com o tema rock/balada “To the Beginning” como opening do Anime. O ending, por sua vez, pertence a Luna Haruna com o seu tema balada/pop “Sora wa Takaku Kaze wa Utau“. As Kalafina voltam uma vez mais com o tema “Manten” como ending especial dos episódios 18 e 19. Quanto aos actores de vozes, mais uma vez escolho apenas no grupo principal do Anime. Regressam as vozes de Fate/Stay Night, actores já com grande carreira e fama no seu trabalho: Kawasumi Ayako/Saber (Simca de Air Gear, Natsuki de Initial D, Fuu de Samurai Champloo), Nakata Jouji/Kiritsugu (Alucard de Hellsing, Hody de One Piece, Folken de Escaflowne) e Oohara Sayaka/Iri (Alicia de Aria, Milly de Code Geass, Erza de Fairy Tail).

Fate/Zero tem uma história inteligente com diálogos e discussões interessantes, mas por vezes entediantes. Contém uma variedade de personagens para todos os tipos e gostos, uma excelente animação e composição musical,  actores de voz famosos e já conhecidos, música envolvente dentro do estilo do Anime e um trabalho fabuloso da junção de dois grandes estúdios. Existe uma nítida evolução da primeira parte para a segunda parte do Anime, mas felizmente, mesmo com mais presença de acção, conseguiram transitar o ambiente sério, frio e cru da primeira parte para a segunda. Um dos pontos a louvar é o facto de terem conseguido equilibrar o diálogo com a acção. Com as personagens notamos uma interligação emocional mais forte o que ajudou a criar empatia entre o espectador e as personagens. É interessante o facto de não terem estipulado um protagonista certo, todos são protagonistas e antagonistas ao mesmo tempo a qualquer hora e a qualquer altura, nada é garantido. As prequelas costumam ser perigosas e por vezes acabam por mostrar mais do mesmo ou a tornar o Anime pior, no entanto, Fate/Zero é especial. Resumidamente, Fate/Zero não é um Anime perfeito, contém algumas falhas menores, mas não deixa de ser um Anime Muito Bom. Recomendado tanto para os seguidores e fãs da série como para o resto dos espectadores.

Positivo:

  • História inteligente, adulta e equilibrada entre acção e diálogo
  • Utilização credível, real e séria da Magia
  • Personagens novas mais fortes e carismáticas
  • Não estipulação de um protagonista  dá azo a conhecer todos os lados da moeda
  • Animação trabalhada, promenorizada e utilização de 3D
  • Cenas mais fluídas e coreografadas comparado com as sequelas
  • Excelente composição musical por Yuki Kajiura e colaboração das Kalafina 
  • Regresso dos já conhecidos actores de voz
  • Evolução positiva da primeira para a segunda parte do Anime

Negativo:

  • Falsas expectativas criadas sobre batalhas entre Serventes
  • Falta de informação sobre o passado dos diversos Serventes