Análise – Fallout 76

Fallout, uma série icónica que deu um salto astronômico em termos de reconhecimento e fama desde a sua aquisição por parte da Bethesda Softworks em 2007. Fallout 3 foi o primeiro jogo a ser desenvolvido depois desta mudança e que massificou ainda mais a série que já era conhecida por fãs de RPGs isométricos e por turnos. Com uma vertente mais de acção mas sem desvirtuar aquilo que torna a marca tão icônica, Fallout continua a ter um grande sucesso no universo mais mainstream.

Com vários jogos na manga a Bethesda Game Studios decidiu mudar um pouco a fórmula e sendo assim revelou Fallout 76, um jogo focado na vertente multiplayer. Como já foi revelado, este novo jogo foca-se mais na interacção entre outros jogadores e incentiva o trabalho em equipa. Elementos como a remoção de NPCs, multiplayer e eventos temporários são alguns dos aspectos que se destacam neste jogo.

Os fãs vão se sentir rapidamente em casa com este jogo, continuamos a ter o nosso RPG com visão na terceira pessoa. Subir de nível e melhorar os elementos da nossa personagem continuam a fazer parte, sendo que agora temos um sistema de cartas que funciona em conjunto com os perks, cartas estas que podem ser evoluídas e usadas se tivermos slots suficientes para tal, sendo assim teremos que saber usar os nossos espaços e moldar a personagem à nossa maneira.

Este jogo continua a ter aquele elemento inerente a um título da série Fallout que é o sentimento de exploração. A Bethesda Game Studios continua a criar ambientes e cenários altamente impressionantes e credíveis que nos deixam sempre com sede de querer explorar por mais e descobrir o que há mais além, e isso deixou-me agarrado ao jogo por mais tempo do que seria de esperar. A região de Appalachia é rica em localizações que nos enchem a vista e que após a destruição da região continuam a oferecer alguma história.

Um dos pontos chave que falha redondamente neste jogo é a interação mais humana com o mesmo, mais propriamente a ausência de NPCs. Dado ao facto do jogo se passar pouco depois da destruição completa da região, a Bethesda Game Studios tentou colmatar esta ausência com a inclusão de holotapes, cassetes com voz, que nos irão dar missões e algum desenvolvimento da história o que por si funciona bastante bem, mas depois levanta um outro problema gravíssimo.

O problema aqui reside na interação que antes era possível com outros NPCs. Descobrir o mundo de Fallout e conhecer as inúmeras personagens bem como dilemas pessoais ou locais sempre foi e será o ponto chave desta série, e neste jogo esse elemento está ausente e não temos qualquer tipo de substituição para colmatar essa falha. Agora temos outros jogadores para podermos partilhar a aventura e dessa forma criar a nossa aventura, mas isso não chega para nos fazer sentir totalmente realizados.

Jogar com outras pessoas é um dos pontos onde o jogo brilha bastante e no qual é possível sincronizar as nossas missões com um grupo de quatro pessoas para poderem jogar em conjunto. Descobrir novas localizações, enveredar em missões misteriosas e destruir bosses em grupo é um ponto extremamente forte deste jogo. Apesar de no início se pensar que iria haver muitos jogadores agressivos e tóxicos neste jogo, a minha experiência foi o oposto no qual era quase sempre abordado por outras pessoas para jogar em conjunto e dispostas a ajudar.

Mesmo assim, continuamos a ter os nossos monstros altamente mutados e alguns robôs para nos venderem items que se encontram espalhados pela região de Appalachia. A fórmula para estes monstros tem resultado sempre para a Bethesda e que se centra em dar versões mutadas de simples bichos como ratos, toupeiras, cães e não só. Cada um destes monstros terá o seu nível que irá determinar a sua força, no qual pelo meio iremos encontrar outras criaturas super fortes bem como versões modificadas das criaturas normais que se podem considerar como mini-bosses. Neste departamento, o jogo encontra-se bom.

No que toca ao departamento técnico e visual, Fallout 76 tem muito que se lhe diga. Alimentado pelo mesmo motor de jogo que deu a vida a Fallout 4, os cenários continuam credíveis e bem trabalhados, dando algum vislumbre visual, havendo até alguns ingredientes novos como o sistema de iluminação, mas mesmo assim é um motor que mostra fortemente as suas rugas. Em movimento está carregado de vários bugs e que se tornaram quase um aspecto característico da Bethesda, algo que já começa a tornar-se um pouco insultuoso. Não ajuda também que nos primeiros dias o jogo era uma experiência altamente frustrante e injogável dada à performance atroz.

No início a ideia parecia interessante mesmo para o maior cético deste tipo de ideia e o que vale é que a Bethesda teve uma excelente oportunidade de enveredar num universo que a série Fallout ainda não o tinha feito. No final o que temos é um produto com grandes ideias mas que falha redondamente dado a ausências gigantes que não foram devidamente substituídas ou repensadas como a ausência de NPCs e um sistema de VATS que não encaixa neste tipo de jogo.

Apesar de haver jogadores que vão conseguir tirar algum divertimento, a meu ver, Fallout 76 é um produto apressado e que poderia ter dado muito mais logo de início. Ainda estamos para descobrir o que o futuro reserva, mas por enquanto, está longe de superar as nossas expectativas.

Positivo:

  • Interacção entre jogadores online
  • Tamanho do mapa
  • Vários bosses

Negativo:

  • Remoção dos NPCs não foi substituída decentemente
  • Inúmeros bugs e glitches tornaram a experiência injogável no início
  • VATS é praticamente inútil neste jogo
  • História fraca
Share

You may also like...