Análise – EX Machina

EX MACHINA 12

Quando me informei sobre o tema do filme EX Machina, a minha primeira reação foi pensar em “Eu Robot”. Tendo em conta que o guionista e director de EX Machina é Alex Garland, responsável por filmes como 28 Day’s Later e Dredd tendo ainda sido um dos responsáveis pelo guião de Enslaved: Odyssey to the West, acabei por entrar na sala da cinema algo desconfiado.

O filme começa com uma pequena secção onde um dos protagonistas de EX Machina, Caleb (Domhnall Gleeson) ganha um prémio e fica extremamente contente. Logo de seguida apercebemo-nos que o prémio é nada mais, nada menos do que uma semana em casa de Nathan (Oscar Isaac) o patrão. A casa deste fica numa localização remota bastante longe de tudo tendo de ser utilizado um helicóptero para chegar ao destino.

Ex Machina 4

Nesta casa tecnologicamente avançada que é na verdade um laboratório de pesquisa avançada, reside o terceiro e último elemento principal do filme, Ava (Alicia Vikander). Durante todo o filme a história é contada da perspetiva de Caleb. A função de Caleb é testar Ava, um robot com inteligência artificial. O objetivo do teste é saber se mesmo quando Caleb sabe que Ava é um robot este acha que Ava tem alma, ou por outras palavras se acha que ela está viva, se realmente tem inteligência.

O tema do filme centra-se muito sobre o que realmente é uma I.A., são dadas algumas explicações ao espectador com recurso a exemplos e citações, mas no fundo cabe a cada um a sua interpretação. Do meu ponto de vista, o que se passa no filme é algo plausível e bastante provocador para a mente do espectador, tendo despertado várias questões em mim enquanto via o filme e até mesmo agora enquanto escrevo. Em EX Machina a empresa fundada por Nathan é a BlueBook, no fundo é o nosso conhecido Google. BlueBook é um motor de busca que detém mais de 90% das pesquisas efetuadas na Internet e é utilizando o BlueBook que Ava recebe alguns dos seus atributos. É este género de parecenças com o mundo em que vivemos que dá credibilidade a EX Machina e pessoalmente a ideia é aterradora.

EX MACHINA 3

Durante os 7 dias que se seguem vamos poder ver várias sessões entre Caleb e Ava, todas elas ocorrem em diálogos entre paredes de vidro. Assim Caleb e Ava conseguem ver-se e comunicar mas mantém-se em mundos diferentes. Rapidamente Ava dá uma sensação humana ao espectador. Aqui comecei de imediato a ficar desconfiado em relação ao enredo pois a relação entre os dois parece bastante cliché a início. Felizmente essa primeira impressão desapareceu rapidamente ainda que a desconfiança se tenha mantido.

A outra parte de EX Machina é quando Caleb reporta os seus pensamentos a Nathan. Estes momentos são bastante preciosos pois solidificam o enredo dando uma perspetiva diferente sobre o que acabámos de ver.

Durante o filme esta mecânica resulta bastante bem e existem muitos momentos que me surpreenderam. O enredo de EX Machina é surpreendente e conseguiu o meu interesse durante todo o filme sobretudo por estar repleto de momentos inesperados e reviravoltas. Algo que adorei foi o desfecho, é bom ser surpreendido pela positiva de vez em quando.

EX MACHINA 2

As personagens são bastante naturais e bem construídas, a interação de Caleb quer com Ava ou Nathan é sólida, estas personagens parecem reais e conseguem agarrar-nos durante todo o filme. Caleb e Ava constroem uma relação bastante credível o que é essencial em EX Machina. Tudo isto está extremamente bem ligado com a banda sonora, que me fez sentir empolgado em vários momentos. Em algumas situações, a banda sonora faz o filme, acabando por transmitir emoções em secções importantes para o desenvolvimento da história.

Os efeitos de pós produção são bastante bons, o corpo de Ava é futurista e ao mesmo tempo realista, tem a mistura adequada para parecer algo saído de um laboratório de tecnologia de ponta com algum embelezamento. O laboratório ou casa está muito bem apresentado e é notório o cuidado tido em conta com alguns pormenores do cenário.

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No fundo EX Machina é um filme que tem passado despercebido mas que é uma autêntica pérola no oceano cinematográfico. A história assusta-me devido à plausibilidade, captou o meu interesse e surpreendeu-me; é uma história bem contada e apresentada que pode eventualmente deixar de ser ficção num futuro não muito distante. Recomendo a todos vós quer sejam fãs deste género de filmes ou não, pois é uma história que merece ser absorvida por todos nós e muito provavelmente o melhor trabalho de Alex Garland até hoje.

Positivo

  • Enredopn-recomendado-ana
  • Prestação dos actores
  • Apresentação
  • Relação das personagens é muito boa especialmente entre Caleb e Ava

Negativo

  • Alguns momentos sub-aproveitados

 

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Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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