Análise – Erica

Longe vão os tempos em que os jogos com FMV eram uma das grandes promessas da indústria. Desde os lançamentos de PC como Phantasmagoria até Night Trap e muitos lançamentos na SEGA CD, houve uma geração que acreditou que os vídeos com imagem real poderiam ser o futuro dos videojogos.

Uns bons anos depois e com alguma aprendizagem e crescimento feito, todos sabemos que o caminho foi bem diferente. Embora o género esteja quase extinto, isso não impede que surjam jogos como Erica que misturam o FMV com interacções em tempo real.

Erica é um jogo que já me interessava há algum tempo. Conheci o projecto numa Lisboa Games Week e consegui falar com alguns membros da equipa de desenvolvimento que me contaram o que pretendiam criar. Algum tempo depois, Erica surge um pouco diferente do que foi inicialmente mostrado, com uma nova actriz principal e uma história que parece ter fugido em algo ao conceito original.

Erica é focado na história da sua personagem principal com o mesmo nome. Esta rapariga vê-se envolvida numa série de assassinatos que vão ligar à morte do seu pai e a um mistério que envolve a sua própria família e origem.

Sendo um jogo ao estilo FMV, grande parte do tempo vão estar a ver um filme que decorre interligado por segmentos onde vão ter de tomar decisões do que pretendem fazer. A espaços faz lembrar os jogos da Telltale Games, embora com um sistema muito mais limitado de interacção e jogabilidade.

Para jogar Erica, podem usar tanto o comando como o telemóvel recorrendo à aplicação do jogo. Com o Dualshock 4 usam o painél táctil, com o telemóvel, o ecrã serve como cursor. Tendo em conta que é um jogo da família Playlink, é fácil perceber a introdução do telemóvel, mas também acaba por ser uma forma menos estranha de introduzir pessoas que não jogam a este universo.

Mesmo não tendo uma longevidade muito alargada (cerca de duas horas numa visualização), existe sempre a possibilidade de voltar a jogar para experimentar novos caminhos e sequências que acabaram por não escolher na primeira volta. Aconselho também a experimentar Erica em conjunto com outras pessoas pois acaba por ser bem mais divertido e interessante.

Para este jogo foram recrutados uma série de actores reais que fazem um trabalho bastante competente, como é o caso de Holly Earl como Erica, Duncan Casey como o inspector Duncan Blake e Terence Maynard como director do asilo. Também as raparigas do asilo estão bem nos seus papéis, embora nem todos os personagens sejam brilhantes e a história seja previsível em grande parte. Alguns momentos acontecem demasiado depressa e são introduzidas algumas personagens que pouco ou nada fazem falta à história. A banda sonora é bastante boa, mas não é algo que me tenha ficado na memória.

Quero deixar também os parabéns às equipas de pós-produção que conseguiram dar uma cor e aproveitar o 4k com bastante qualidade, o que faz com que seja um dos filmes interactivos com melhor qualidade visual.

Erica é um jogo bastante interessante a um preço razóvel para aquilo que oferece. Não é nada de verdadeiramente inovador, nem vai ajudar a resuscitar o seu género, mas é uma boa opção a ter em conta para todos aqueles que querem dar uma hipótese a algo diferente do habitual.

Positivo:

  • Qualidade da filmagem e edição
  • História interessante
  • Actores principais fazem um bom trabalho
  • Podem usar comando ou telemóvel para jogar

Negativo:

  • Personagens mal utilizadas
  • Elementos de narrativa previsíveis

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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