Análise – ELEX

Cá estamos nós outra vez, com um daqueles RPGs que quase passa despercebido, eis se não quando é da mesma produtora da trilogia RISEN que tanto deu que falar. Os jogos da Piranha Bytes são diamantes em bruto, boas ideias e péssimas execuções, e eu como sou um optimista gosto de dar uma hipótese a este tipo de jogos. Já o fiz com jogos da Spider-Games como Bound by Flame e The Technomancer e agora fiz o mesmo com Elex, sim são produtoras diferentes, mas o produto é similar.

Elex retrata um mundo pós apocalíptico onde após a queda de um cometa, a civilização se dispersou e inevitavelmente pequenos grupos de sobreviventes começam a ganhar força e aplicam as suas próprias regras. O resultado é um mundo repleto de estruturas primitivas, tecnologia avançada e como pano de fundo estão as nossas metrópoles completamente destruídas. A nossa personagem pertencia a um grupo bastante poderoso mas acaba traído e o resultado disso é uma aventura que nos vai levar a ver várias facções e como é que estas vivem.

Em Elex estamos no controlo de Jax, um comandante de uma das facções mais temidas do jogo, os Albs. Depois de ser traído pelos mesmos e de ter caído de um penhasco, este ficou gravemente ferido e dado como morto pelos Albs.  A nossa história começa aqui.

Após um segmento introdutório onde aprendemos que as mecânicas do jogo são completamente datadas e rígidas, temos o 1º contacto com uma personagem. E para minha surpresa a personagem principal fala como se se trata-se de um robot, sem emoções. Eu poderia facilmente pensar que isto se devia a uma fraca escolha de actor, mas existe uma razão para tal. Acontece que os Albs consomem Elex para ficarem mais fortes, em troca ficam sem qualquer tipo de emoções e como tal, Jax que apesar de já não estar sob a influência de Elex, fala como se não tivesse emoções e alguns diálogos dão a entender que as emoções são uma novidade para ele. As outras personagens que vamos encontrar têm vozes capazes de transpor emoções e maioritariamente estão bem conseguidas, continuando a existir alguns diálogos pouco naturais e o guião não ajuda muito.

No fundo o que se passa neste jogo é que toda a história, assim como o “Lore” estão excelentes, são extremamente interessantes e são aquilo que me manteve agarrado ao jogo. Tudo tem uma sequência lógica, as personagens estão bem caracterizadas e até fiquei surpreendido como a cadeia de eventos pode afectar relações com personagens sem nos apercebermos.

A 1ª facção que visitei foram os Berserkers, este povo acredita que a tecnologia não deve ser utilizada, que se devem manter afastados da mesma e escolhem viver utilizando construções medievais mas com uma pequena diferença, eles são capazes de utilizar feitiços. Temos também os Outlaws e a melhor forma de os descrever é compará-los ao vários lunáticos de Mad Max e temos ainda os Clerics, estes acreditam que a tecnologia é o caminho a seguir. Nós somos livres de escolher uma destas 3 facções para nos juntarmos e no meu caso, juntei-me aos Berserkers. Dependendo da vossa escolha vão evoluir a vossa personagem de uma forma diferente uma vez que desbloqueiam conteúdos diferentes.

Juntámo-nos a uma facção não é fácil, pelo menos aos Berserkers. Somos avisados desde logo que não devemos utilizar tecnologia e que existem leis, e estas devem ser interpretadas pelos próprios. Com um implante no nosso braço, que por acaso é o menu do jogo, sendo essencial para tudo, desde gravar, ver o inventário, equipar armas e armaduras etc. será complicado não o utilizar. De cada vez que o fazemos e somos vistos, ouvimos comentários reprovadores deste grupo. É um detalhe bastante engraçado e que vai de encontro ao que o jogo tem de melhor.

Evoluir a nossa personagem é onde os verdadeiros problemas começam. Elex é um jogo em mundo aberto mas que não está dividido por áreas de níveis. Quero com isto dizer que tão depressa estão a lutar com uma galinha mutante, como estão a ser abordados por um lagarto gigante que por acaso cospe fogo. Acho que nunca antes utilizei a opção de gravar tão frequentemente num outro qualquer jogo, sempre que me aventurei pelo mundo de Elex eu aprendi a gravar a cada 2 minutos, apesar de o jogo gravar automaticamente a cada X minutos, não é suficiente, pois de um momento para o outro podem ser abordados por inimigos que vos matam com um golpe.

Este sistema, diga-se de passagem, poderia funcionar, mas não com o sistema de evolução de personagem que foi implementado. Eu demorei cerca de 5 horas para conseguir ter todas as partes da minha primeira armadura, eu lutei com um machado ferrugento durante 4 horas, eu mori incontáveis vezes para inimigos que apareceram do nada, eu vi-me grego para conseguir subir de nível, eu sinto que mereço uma medalha de paciência, pois tudo isto que acabei de descrever foi o início mais penoso que alguma vez tive num video-jogo.

Da minha perspectiva o jogo não é explicito nos locais que devemos visitar em primeiro lugar e mesmo após 10 horas de jogo não me senti muito mais forte do que quando comecei a jogar, este sistema está muito mal optimizado e não foi bem pensado. Foi absolutamente frustrante descobrir como avançar no jogo de forma eficaz. Mas quando finalmente descobri como é que o jogo funciona, a experiência ficou um pouco melhor. Mas a verdade é que demora demasiado tempo até nos sentir-mos aptos a explorar, a início somos demasiado fracos para com tudo no mundo e num RPG que está sempre a incitar à exploração não é divertido estar constantemente com medo do que está atrás do pedragulho, porque se for algo um pouco mais feroz do que um javali mutante, estamos feitos. A única razão pela qual eu quis continuar a jogar foi mesmo pelo “Lore” que é realmente interessante.

Em termos de missões, Elex começa por ser um pouco confuso, mas tem uma cadeia de causa-efeito excelente. Muitas das missões têm várias vertentes e dependendo das vossas acções irão impactar o mundo ao vosso redor sem que se apercebam de imediato. E aqui fiquei surpreendido, todas as escolhas contam para alguma coisa e podem voltar para vos atormentar mais tarde. Infelizmente em termos apresentação de menu é um pouco confuso e até a forma como tudo fica explicito no mapa demora algum tempo a ser decifrado.

Como já disse, o combate é bastante datado e rígido, até existe uma mecânica de stealth que funciona quando quer. Têm os tradicionais ataques leves, ataques pesados e podem alternar a vossa arma consoante os atributos que vão ganhando. Cada arma tem os seus requisitos e começamos por ter um cano e um arco, e mais para a frente até podem ter caçadeiras e uma RPG. Não há muito mais a dizer sobre o combate uma vez que é bastante básico, desde os desvios aos ataques e a uma mecânicas de combos e stamina que são um pesadelo.

Elex tem uma performance e aspecto mistos. Em termos de apresentação parece um jogo onde o visual assenta na geração passada mas com alguns salpicos da actual geração pelo meio. As físicas deste jogo também não estão boas, existindo momentos em que vemos Jax ou outras personagens com movimentos estranhos se o terreno não for regular, existindo ainda um momento em que decidi trepar uma antiga torre eólica com o auxilio do nosso Jetpack e uma das plataformas encontrava-se em movimento, qual não foi a minha surpresa quando aterrei nela e a plataforma se movia mas Jax não acompanhava o movimento, caindo da mesma se eu não ajustá-se a posição. Existem ainda vários problemas de performance com frequentes quebras de fps em vários momentos, mas também existem áreas sem qualquer tipo de problemas.

No que diz respeito ao som, existem faixas de audio incríveis que nos ajudam a desfrutar deste mundo, e existem também outras que simplesmente estão lá. Algo que ajuda bastante é quando estamos a explorar e a música de combate começa a tocar quando uma criatura nota a nossa presença, sempre é um aviso. No entanto e apesar de já ter falado nas vozes, existem alguns sons, especialmente na nossa personagem, que não encaixam anda bem, desde cair e ouvir um gemido que em nada transmite dor etc.

A IA está num nível bastante básico, ainda que existam momentos interessantes. Enquanto exploram conseguirão encontrar certas criaturas que convivem umas com as outras e por vezes até as vemos a interagir entre si, por outro lado temos comportamentos bastante rígidos em outros locais, assim como certos momentos ridículos que me deixaram perplexo por tamanha parvoíce.

Em suma, se Elex fosse um livro eu tinha adorado a experiência, mas trata-se de um videojogo e a verdade é que se joga bem, desde que queiram investir o vosso tempo no mesmo, vão demorar imenso tempo para conseguir tirar algum proveito do mesmo, mas é possível. Tem os seus problemas e é um jogo datado em todos os aspectos, a exploração é penosa e se não gostarem da história, aconselho vivamente a que se mantenham afastados, pois será a única coisa que vos manterá agarrados a Elex. No meu caso, como me interessei pela história, o que não é difícil, enfrentei os desafios e aquilo que posso dizer é que pesando os aspectos positivos e os negativos é um jogo complicado mas mediano.

Positivo

  • História e Lore interessantes
  • Visual mistura-se bastante bem, acompanhando muito bem a história
  • Cadeia de efeitos das missões

Negativo

  • Físicas estranhas
  • Parte das mecânicas dos combates são frustrantes
  • Demora imenso tempo até conseguirmos explorar o mundo de forma eficaz e divertida

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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