Análise – Dungeon of the Endless

dungeon-of-the-endless-rev-top-pn

Dungeon of the Endless faz parte de uma série chamada Endless que tem mais dois jogos produzidos pela Amplitude Games. Endless Legend e Endless Space são os dois restantes jogos que foram lançados mas que são diferentes do primeiro título mencionado neste parágrafo. Enquanto os dois últimos passam por uma vertente mais estratégica com uma visão isométrica, Dungeon of the Endless é uma aposta mais diferente e retro.

Este novo jogo puxa por géneros como rogue, gestão de recursos, estratégia por turnos e até tower defense. Basicamente é nos dada a chance de explorar os vários pisos de uma nave numa única tentativa, pelo que não é possível gravar o jogo e recomeça-lo momentos antes de termos morrido numa zona. Desta maneira, os jogadores terão que fazer um grande esforço de concentração e explorar as várias funcionalidades do jogo ao máximo.

dungeon-of-the-endless-rev-4-pn

O jogo começa com a escolha de dois heróis à nossa vontade pelo que cada um deles possui atributos próprios bem como pontos fortes e fracos para cada um. Dungeon of the Endless baseia-se em transportar um cristal especial para a saída de cada piso, mas a tarefa não se avizinha fácil ao subirmos de piso em piso. Enquanto no início do jogo iremos protege-lo de todos os males e inimigos, assim que encontrarmos a sala com o transporte de saída para o próximo piso a coisa ganha contornos ainda maiores.

No início começamos numa sala do piso mais baixo, mas assim que vamos descobrindo mais espaços e abrimos mais portas para chegar começamos a perceber o perigo que corremos. A tarefa de transportar o cristal piso a piso irá puxar pela inteligência e a capacidade de definir uma estratégia por parte do jogador. Com as várias mortes e ecrãs Game Over frustrantes começamos a aprender a usar e a manter vivo os heróis, saber gerir recursos – que vou falar mais à frente – e arranjar a maneira mais rápida e segura de transportar o cristal.

dungeon-of-the-endless-rev-3-pn

A vertente por turnos é um dos pontos fundamentais do jogo, pelo que sempre que abrimos uma sala nova contará como o passar de um turno, sendo isto algo que fará o jogador parar para pensar. Mesmo com a liberdade de movimentos dentro do jogo que temos é preciso ter cuidado com a abertura de portas pois pode trazer inúmeros inimigos para a nossa zona de conforto e dizimar a nossa equipa num piscar de olhos.

Os recursos que ganhamos com o passar dos turnos irão ajudar-nos a criar uma panóplia de possibilidades que nos ajudam nesta demanda, como construir infra-estruturas que aumentam o ganho dos recursos, subir de nível as nossas personagens, construir pequenos engenhos que protegem com poder bélico ou explosivo certas salas ou até melhorar esses mesmos engenhos.

dungeon-of-the-endless-rev-2-pn

A gestão desses mesmos recursos requer mesmo muita reflexão e é perfeitamente moldável na estratégia do jogador. Será que aumento o nível dos meus heróis de nível e fico mais forte? Será que aumento o número de armadilhas em cada sala para ficar mais protegido? Tudo depende do tipo de heróis que usamos e da nossa abordagem para com o jogo. Brilhante!

Por fim, a iluminação destas salas cumpre um papel fulcral para o jogo. Com a abertura de novas portas e a destruição de inimigos, o nosso cristal aumenta em poder e consegue iluminar um certo número de salas, mas o que é que isto faz? Impede que inimigos façam spawn nessas ditas salas com o passar dos turnos. Podemos rapidamente desligar a iluminação de uma sala e canalizá-la para outra e assim conseguir criar um caminho mais seguro para a saída de um piso ou fortificar a nossa defesa.

Dungeon of the Endless é um jogo que se torna muito complexo com o passar do tempo. Quanto mais o jogador “ganha calo”, mais começa a conhecer os seus contornos. Não se trata de eliminar os inimigos à vista desenfreadamente e transportar o cristal para a saída como um herói, trata-se de pensar para sobreviver para não morrer instantaneamente. Por falar em morrer, é preciso ter cuidado com o tipo de decisões que tomamos, pois um passo em falso pode aniquilar a nossa party de heróis com armas muito boas e bem evoluídos. É um jogo castigador que cobra muito caro a imprudência.

Mesmo assim, é uma das experiências mais recompensadores deste ano sem sombra para dúvida. Apesar de morrermos várias vezes a tentar descobrir como este funciona, assim que conseguimos apanhar o jeito torna-se mais difícil e perturbador por sabermos que a mínima falha pode resultar em morte.

dungeon-of-the-endless-rev-1-pn

Se são fãs de jogos retro, então a apresentação de Dungeon of the Endless de certeza que não vos fará confusão. Sprites ao género 16-bit mas com vários detalhes e aspectos de iluminação bem conseguidos são o prato do dia neste jogo e que na verdade eu não o imaginava de outra maneira. O trabalho sonoro tanto nos efeitos como na banda sonora não oferecem nada de estrondoso mas complementam bem a experiência.

O que torna Dungeon of the Endless tão glorioso é o facto de conseguir juntar um punhado de géneros num só título e ter um grande sucesso. A Amplitude Studios conseguiu quase como alinhar os planetas todos ao criar uma fórmula que balança este título de uma maneira impressionante.

dungeon-of-the-endless-random-pn

Este é sem dúvida a minha maior surpresa para este ano que curiosamente me foi apresentada em Dezembro. Se gostam de jogos para pensar, extremamente recompensadores e com um valor de repetição acima da média, então Dungeon of the Endless é o vosso jogo.

Positivo:

  • Requer alguma reflexão ao medirmos os nosso passospn-recomendado-ana
  • Castigador mas recompensador
  • Uma mecânica de estratégia profunda
  • Facilmente moldável ao tipo de jogador e de estilo de jogo
  • Consegue juntar vários géneros sem perder a identidade
  • Valor de repetição

Negativo:

  • Severamente castigador para os menos pacientes

placa excelente4