Análise – Dragon Age: Inquisition

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Não existem grandes dúvidas que os senhores da Bioware conseguem criar grandes RPG. Seja no espaço, numa era medieval, ou até no mundo de Sonic, estes são alguns dos melhores exemplos de qualidade dentro do género.

Apesar de Dragon Age Origins ter sido um jogo aclamado pela crítica e pelos fãs, Dragon Age 2 não teve o mesmo sucesso, por isso a equipa teve de voltar às origens para o terceiro jogo. Esta experiência resultou não só num grande sucessor, como num dos melhores jogos deste ano.

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Para esta nova aventura, a Bioware resolveu voltar ao cliché dos mundos de fantasia, colocando-nos no centro de uma intriga política motivada pela aparição de uma força malévola que cospe demónios para o mundo através de portais. Estes portais não são apenas uma ameaça para todos os seres vivos, mas também o motivador para a criação de novas entidades e a conspiração entre outras.

Acontece que a personagem que podem personalizar através de um simpático editor de personagens, é o único/a que pode parar estas abominações com um poder único que lhe foi concedido por estar no sítio errado à hora certa. Assumindo o papel da figura principal do combate aos Rifts, a vossa personagem passa a ser o centro da nova Inquisição, que será também o vosso exército

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A história de Dragon Age: Inquisition não é seguramente o ponto mais alto e valioso do jogo, mas o mundo, “lore” e essencialmente as personagens, compensam vastamente pela forma confusa como a história vai atirando nomes e personagens para cima de nós a grande velocidade. Tal como nos outros jogos da Bioware, também aqui não interessa tanto para a onde a história vai, mas sim o que fazemos à medida que ela avança.

Por isso mesmo, Dragon Age: Inquisition também usa o sistema de interação com respostas e escolhas, onde podemos decidir o que vamos dizer e influenciar o mundo de jogo e as outras personagens. O sistema funciona aqui bastante bem e gostei de ver como pequenas escolhas influenciam quase sempre alguém da equipa que concorda ou discorda com as nossas decisões.

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A velocidade a que os novos membros de equipa são adicionados depende do vosso estilo de progresso e decisões que tomam, por isso é melhor terem cuidado, pois uma certa resposta pode ditar a presença de uma personagem, ou que esta desapareça para sempre. No geral, podem contar com vários estereótipos dos universos de fantasia, mas fiquei agradado com o facto da maioria das personagens ter um forte carisma. A dada altura dei por mim com dificuldade em escolher quem levar para as missões, com pena de deixar outros de fora.

Dragon Age: Inquisition não é um MMO, mas por vezes, o seu conteúdo massivo e forma como as missões estão estruturadas, fazem lembrar “um certo” jogo online da Blizzard. A grande diferença? Aqui não existem quase pontos mortos ou áreas feitas para encher, pois parece que cada novo caminho, casa ou acampamento, revela mais uma missão ou novos objectivos.

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É impossível jogar sem que se sintam atraídos por qualquer edifício ou pessoa em apuros que encontram à beira da estrada. Além do mais existem materiais para apanhar, pequenos objectivos para concluir, inimigos para matar, cavernas ou grutas para explorar e todo o estilo de mini-missões alternativas.

Embora não seja um mundo aberto no verdadeiro sentido da palavra, as zonas que visitam em Dragon Age: Inquisition são na sua vasta maioria enormes. O jogo segue o modelo de áreas que visitam através da escolha no mapa (imaginem o mapa da galáxia de Mass Effect), se bem que, algumas destas zonas fazem várias vezes o que podiam encontrar em Mass Effect. Hinterlands, por exemplo, é uma área enorme baseada em florestas e vales, onde para completar tudo conseguem perder mais de 20 horas. Esta é apenas a primeira zona, existindo coisas como pântanos cheios de mortos-vivos, desertos, cidadelas e muito mais.

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Felizmente é difícil sentirem-se perdidos, pois o mapa e a forma como as missões surgem estão bem delineadas e chegar até elas é desafiante. Outro motivo que leva a realizar missões secundárias é a forma como estas oferecem pontos de Power (poder), os quais são necessários para poder aceitar missões de influência mais avançadas na mesa de guerra da Inquisição. Faz sentido e acaba por ser uma boa recompensa.

Em termos de combate, Dragon Age: Inquisition é uma mistura entre o primeiro e segundo Dragon Age, mas também tem um tanto ou quanto de Star Wars Knight os the Old Republic e até Dragon’s Dogma (sem a possibilidade de escalar inimigos infelizmente).

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O combate pode ser feito em tempo real tal e qual um jogo de acção, parando o tempo para dar ordens através de uma vista área que torna o jogo mais estratégico, ou com uma mistura dos dois. Pessoalmente, sou um jogador mais de acção directa no que toca a RPG ocidentais, mas confesso que a visão táctica é valiosa, especialmente quando os colegas de equipa mais frágeis tendem em ficar no mesmo sítio, enquanto uma besta enorme se aproxima deles para lhes bater com uma marreta cheias de espinhos.

Apesar de tudo, os combates são divertidos e viciantes, e demoram tanto tempo quando devem, nunca parecendo demasiado longos ou impossíveis (a não ser que façam como eu e tentem ver se conseguem matar um dragão alguns níveis acima das minhas personagens). A sinergia dentro da equipa precisa de ser a ideal, por isso, a presença de uma equipa com estilos de ataques diversificados é sempre essencial.

Já que estamos a falar em combate, esta é a altura ideal para saltar para o online, pois combater é o que se faz mais neste modo. O online de Dragon Age: Inquisition é totalmente independente da campanha e aqui criam uma nova personagem apenas dedicada a este modo.

Caso tenham jogado o Online de Mass Effect 3, então vão perceber de imediato o que se passa aqui. Basicamente, este modo são cenários cooperativos onde lutam lado a lado com outros jogadores contra vagas de inimigos e com os resultados das vossas conquistas, podem ganhar novas armas, equipamentos e materiais para personalizar.

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Apesar de ser um online divertido, acaba por soar mais a extra do que a conteúdo essencial. Além do mais, duvido que alguém vá comprar o jogo a pensar no modo online em primeiro lugar.

Apesar de também estar disponível para a PS3 e Xbox 360, é na nova geração que Dragon Age: Inquisition está em casa. Pode não estar tão polido ou afinado como alguns jogos que foram concebidos a pensar exclusivamente na nova geração (com isto incluo o PC obviamente), mas é bastante impressionante na mesma.

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Claro que sendo um jogo da Bioware, podem contar com modelos de personagens não tão bons, especialmente no que toca a cabelos e movimentos que ainda parecem robóticos por vezes, ou abrandamentos que ocorrem especialmente nas cinemáticas. É algo que tive em conta como é óbvio, mas não é que acabe por manchar o resto que é oferecido por paisagens monumentais e belas e muito, muito conteúdo.

Felizmente, só me posso queixar de pequenos problemas como estes. Ao longo dos últimos dias ouvi falar em alguns bugs e erros que aconteciam em certos jogos, mas posso dizer que tirando algumas falas que se repetiam por vezes nas escolhas ou personagens presas contra paredes, não aconteceu nada que tenha corrompido o meu tempo de jogo e me obrigasse a recarregar o save.

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No que respeita às vozes, o trabalho foi muito bem feito, mas a quantidade de pseudo-sotaques foi levada a um extremo de exagero, onde uns parecem franceses a falar inglês, outros británicos (etc.). A banda sonora em si é fantástica e ajuda a complementar toda ambiência sonora que foi concebida para as zonas, como gritos de batalhas a decorrer no horizonte, pássaros, regatos e o som do vento nas árvores.

Quando um jogo consegue fazer com que fique agarrado ao comando (a versão de análise foi de PS4) pela noite dentro já com os olhos a arder de sono, é normalmente um sinal de qualidade. Dragon Age: Inquisition é um desses casos, pois é difícil de largar e convida sempre a fazer mais uma missão, e mais uma e mais uma…

Vejam também a nossa vídeo-análise de Dragon Age Inquisition!

Se gostam de RPG de proporções épicas, jogos da Bioware ou de bons jogos em si, então invistam em Dragon Age: Inquisition. É óptimo estar tão próximo do final do ano e depois de tantos jogos bons que já foram lançados, ainda existe espaço para mais um candidato a jogo do ano.

Positivo:

  • Conteúdo massivopn-recomendado-ana
  • Boas personagens
  • Localizações fascinantes
  • Combate divertido
  • Bom talento vocal
  • Banda sonora épica
  • Online é um bom passatempo

Negativo:

  • História perde gás com todas as distracções
  • Os sotaques são um pouco exagerados
  • Quebras de fluídez

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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