Análise – Dissidia Final Fantasy NT

Lançado inicialmente para as arcades no Japão em 2015, o terceiro título da série Dissidia chega finalmente ao ocidente para a PlayStation 4 sob o nome Dissidia Final Fantasy NT. Este novo jogo foi desenvolvido pela Team Ninja e traz algumas mudanças significativas à série, o que pode não agradar a todos os fãs dos jogos anteriores na PSP.

Tal como os seus antecessores, Dissidia Final Fantasy NT é um jogo de luta que junta heróis e vilões da franquia Final Fantasy, desde o Final Fantasy original até ao Final Fantasy XV, incluindo spin-offs como Final Fantasy Tactics e Final Fantasy Type-0. Quem jogou Dissidia antes, já tem uma boa ideia do que esperar do sistema de combate, mas pode parecer estranho para quem nunca jogou devido aos seus aspetos mais distintos.

Existem dois tipos de ataques: os “Bravery Attacks” são usados para aumentar o vosso Bravery (e reduzir o do adversário), e os “HP Attacks” servem para provocar dano correspondente ao valor de Bravery. Por exemplo, se o valor de Bravery for 1000, os vossos HP Attacks vão retirar 1000 pontos de vida ao adversário. Esta é uma descrição muito simples destas mecânicas, mas existem outros pormenores que tornam o sistema de combate interessante. Juntando a isto, podem também defender, desviar, saltar, fazer dash, cancelar animações para executar outras ações mais depressa e executar diferentes skills.

Uma das maiores mudanças que Dissidia Final Fantasy NT faz à fórmula é a passagem de lutas 1-contra-1 para 3-contra-3, o que muda bastante a dinâmica das lutas. Cada equipa tem uma barra de vida com 3 pontos e reduz um ponto quando uma personagem é derrotada. Quando a barra de vida fica sem pontos, a equipa perde. Uma vez que estão a lidar com 3 adversários em vez de 1, os combates podem tornar-se mais confusos, principalmente se não usarem o lock-on devidamente. Ainda é possível realizar combates 1-contra-1, e até 2-contra-2, mas o jogo está pensado para 3-contra-3.

Dissidia Final Fantasy NT inclui 28 personagens no total, todas disponíveis desde o início do jogo, e estão divididas em 4 classes: Vanguard, Assassin, Markman e Specialist. Vanguards como o Cloud Strife são mais fortes e têm uma mobilidade mais reduzida, ao contrário dos Assassins como o Tidus que são mais ágeis mas não provocam tanto dano. Markmens como a Y’shtola dão prioridade a ataques de longa distância, e os Specialists como o Ramza Beoulve apresentam habilidades únicas e tem formas de jogar mais distintas. Cada classe é mais eficiente (ou não) contra certas classes, por isso é importante que a vossa equipa seja diversificada.

Ao contrário dos títulos anteriores, a personalização das personagens é muito mais reduzida. Já não podem equipar itens que afetam os atributos da personagem e também não podem alterar a composição dos ataques. Todas as personagens já têm um conjunto de Bravery Attacks definidos e só podem usar um HP Attack, ainda que desbloqueiam novos HP Attacks à medida que sobem de nível. Também podem equipar EX Skills que permitem aplicar diferentes buffs e debuffs.

Estas mudanças removem alguns elementos RPG a Dissidia, o que pode deixar alguns fãs desiludidos. No meu caso, nunca dei prioridades a estes elementos nos jogos da PSP, uma vez que preferia fazer combates com o equipamento desativado, portanto só a nossa aptidão no combate é que contava. E também prefiro pegar numa personagem que já tenha um bom leque de ataques disponíveis do que usar uma personagem a nível 1 que começa só com dois ou três Bravery Attacks como acontecia antigamente. Contudo, sinto falta de uma secção do jogo onde explica mais ao pormenor quais são os ataques disponíveis para cada personagem e como funcionam as suas habilidades.

O modo história continua presente, mas a forma como progredimos é um pouco estranha. A história é composta por painéis que precisam de ser desbloqueados com uma unidade chamada “Memoria”. Para obterem Memoria, têm que fazer partidas no modo offline e online para receber experiência e aumentar o vosso Player Level. Por cada nível alcançado recebem uma unidade de Memoria, que é o suficiente para desbloquear um painel que pode incluir cutscenes e combates. A história divide-se em vários ramos onde seguimos diferentes personagens, mas não precisam de concluir todas para alcançar o boss final. Se quiserem desbloquear todos os painéis do modo história, precisam de alcançar o nível 30, o que leva acerca de 18 horas.

Algo novo que vão encontrar no modo história são os combates contra os Summons. Em combates normais, os Summons oferecem diferentes benefícios à equipa e podem ser invocados para espalhar o caos no campo de batalha. Quando lutam contra um Summon, as regras são ligeiramente diferentes, uma vez que só podem provocar-lhe dano direto após ser atordoado com Bravery Attacks. Estes combates assemelham-se um pouco a um MMORPG e é preciso estarem atentos para desviarem os ataques devastadores do Summon.

Em comparação aos jogos anteriores, o modo história de Dissidia Final Fantasy NT está a um nível abaixo e parece mais um extra. A progressão é muito fragmentada, continua a haver mais foco nos heróis do que nos vilões, e personagens como o Ramza e Ace andam desaparecidos por alguma razão. Ainda assim, gostei mais das interações das personagens em algumas cutscenes e os combates contra os Summons ofereceram algo diferente à experiência.

Para além da história, têm o Gauntlet Mode que funciona essencialmente como um modo Arcade. Realizam 6 combates em diferentes dificuldades e desbloqueiam recompensas de acordo com a vossa pontuação final. Como a vossa equipa é controlada pela inteligência artificial, é preciso ter em conta o Offline Rank que define o nível de aptidão das personagens. Mesmo que vocês se safam bem contra inimigos com ranks altos, não vão chegar longe se os vossos membros de equipa tiverem ranks baixos.

Felizmente, o jogo facilita um pouco e é possível aumentar o rank de todas as personagens se alcançarem um rank elevado só com uma personagem. Por exemplo, se usarem muito o Noctis e ele atingir o Gold Rank, todas as personagens em Bronze Rank sobem para Silver Rank, portanto não precisam de jogar com cada uma das personagens para aumentar o seu Offline Rank individual até um certo ponto.

Dissidia Final Fantasy NT é o primeiro jogo da série que incluí multiplayer online – os anteriores da PSP só tinham multiplayer através de Ad-Hoc. Podem jogar a solo e em grupo, ou criar uma Custom Match. Não dispensei muito tempo no modo online porque queria obter Memoria para o modo história e era mais depressa subir o meu Player Level no modo offline. Contudo, não tive grandes problemas com o matchmaking do pouco que joguei, tirando alguns momentos de lag.

Outra novidade de Dissidia Final Fantasy NT são as Core Battles. O objetivo nestas partidas não é eliminar os inimigos, mas sim destruir o cristal da equipa adversária enquanto protegem o vosso. A única maneira de provar dano ao cristal é quando não existem inimigos dentro da área do cristal. Apesar das Core Battles oferecerem algo diferente que requer mais trabalho de equipa, elas são estupidamente fáceis de vencer contra a inteligência artificial, até mesmo com ranks elevados. Se quiserem jogar contra outros jogadores, só é possível realizar estas partidas através de uma Custom Match,.

À medida que jogam e sobem de nível, vão obter Treasures e gil para usar na loja do jogo para comprar skins, armas, falas, músicas e ícones. Os Treasures funcionam como uma espécie de Loot Box onde desbloqueiam 3 itens aleatórios disponíveis na loja. Não fiquem alertados, pois não existem microtransações no jogo. No entanto, os itens mais interessantes como as skin, as armas e as músicas são os itens mais caros na loja e os menos prováveis de obter nos Treasures, e por alguma razão, tem que obter o mesmo ícone 3 vezes até ser considerado duplicado, por isso preparem-se para receber muitos ícones.

Como seria de esperar, a passagem de Dissidia Final Fantasy para a PlayStation 4 permitiu dar um upgrade no departamento gráfico. Todos os modelos das personagens têm bom aspeto e os arenas também não ficam atrás. Existem 14 arenas no total, cada uma a representar um jogo da série principal, como Midgar de Final Fantasy VII e Besaid Island de Final Fantasy X. São mais espaçosas para acomodar os combates 3-contra-3, e como a estrutura dos cenários não mudam muito entre si, as arenas parecem todas iguais.

Em conclusão, Dissidia Final Fantasy NT oferece uma experiência mais arcade e mais focada no combate. É um tipo de jogo que não é para todos, e apesar dos benefícios por estar numa nova plataforma, está a uns níveis abaixo relativamente aos jogos anteriores da PSP. Contudo, é algo diferente dentro do género e vai divertir quem gostar. Resta saber se o estúdio pensa em apoiar o jogo a longo prazo, para além das 6 personagens incluídas no Season Pass. Sinto que precisa de algo mais para prolongar a sua relevância, caso já não haja planos para uma sequela.

Sérgio Batista

Membro do PróximoNível desde 2015. Tira fotos em demasia durante os eventos.

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