Análise – Dirt Rally 2.0

Quando Dirt Rally chegou há alguns anos para análise, fui totalmente arrebatado com a qualidade e trabalho que foi empregue neste projecto único da Codemasters. Ao contrário de coisas anteriores como Dirt Showdown e até o próprio Dirt (apenas), pareciam coisas mais leves ao pé dele.

Quando Dirt Rally 2.0 foi anunciado, deu para perceber que este seria o rumo da companhia para os jogos de Rally mais “a sério”. Se os outros são mais simples e feitos a pensar na diversão directa, Dirt Rally 2.0 quer continuar o trabalho do primeiro e ser um jogo mais implacável e difícil de dominar, tal como o desporto que tenta recriar.

Uma das coisas mais interessantes de algo como Dirt Rally 2.0 é a capacidade que este tem de nos fazer sentir nervosos enquanto jogamos. Se viram alguns dos nossos comentários sobre o primeiro, já sabem que vi a jogabilidade de Dirt Rally como o Dark Souls dos jogos de corrida e isso continua a aparecer aqui. Pode ser um grande chavão, é verdade, mas vencer uma etapa de 10 minutos onde basta um pequeno toque ou erro para deitar tudo a perder, é extremamente recompensador. É possível gerir a dificuldade e levantar toda a pressão, mas este é o estilo de jogos que deve ser levado a sério para tirar o melhor proveito dele.

A edição deste ano está mais polida, havendo uma série de provas e desafios que estão divididos entre a condução em Rally convencional e a licença oficial da FIA para o RallyCross. Coisas como o Hillclimb foram à vida (com muita pena minha), para dar mais foco nos campeonatos da campanha e os desafios das diversas classes divididas em vários estilos de carros e épocas.

A escolha de localizações é bastante curta e os seguidores fieis vão notar que existe uma estranha ausência de provas com Neve, algo que um Mónaco podia ter resolvido caso estivesse de volta. De qualquer forma, a quantidade de países presentes confere uma série de etapas bastante longas e desafiantes. O facto da equipa poder criar livremente com base em locais de cada país, abre o leque para uma série de possibilidades e traçados bastante interessantes. Já que temos aqui a nossa pista portuguesa de Rallycross, porque não um dia ter um traçado de Sintra? É um zona icónica do Rally.

Infelizmente, não tenho hipótese de testar Dirt Rally 2.0 com volante, mas posso dizer que a experiência com comando é bastante boa e funcional. A resposta dos carros é exactamente aquela que estamos à espera e é fácil ver quando estamos a ter problemas por culpa do piso molhado que aumenta a distância da travagem ou porque o piso já foi demasiado pisado pelos outros carros e existem sulcos que nos fazem perder a aderência. Jogar Dirt Rally 2.0 é uma luta constante, especialmente nas classes mais agressivas.

Como já devem ter percebido, não estou a falar muito do Rallycross e o motivo é simples, parece que não está tão bom como me lembrava dele. No anterior, lembro-me perfeitamente de me juntar com o Rúben e tentar vencer campeonatos à vez, o mesmo já não acontece aqui, pois não sinto que as corridas são tão divertidas como antes. A licença está bem aproveitada sem dúvida, mas há algo aqui que não me prendeu tanto. Será por o Rally normal estar tão bom?

Já que falamos em coisas que estão bem feitas, uma vez mais há que dar os parabéns à equipa que trabalha no departamento visual. Dirt Rally 2.0 é um assombro a nível técnico e visual. Estamos perante um dos jogos com melhor vegetação, atenção ao detalhe do ambiente, reflexos de água e recriação dos carros. Apenas me posso queixar dos efeitos de água no pára brisas que são quase inexistentes. Fazia aqui falta algo como a física de água de Driveclub.

O som dos carros, motores e contacto com a pista estão todos eles criados de forma exímia e só não fiquei fã da voz limpa do co-piloto. Além disso, as notas são ditas demasiado cedo, o que se torna confuso. Procurei nos menus por forma de mudar isso, mas não encontrei nada. Gostei também das músicas dos menus.

A nível de longevidade, Dirt Rally 2.0 não é um jogo farto em conteúdo. O que aqui está ainda dá pano para mangas e existe um modo online para competir em campeonatos criados por outros jogadores. De qualquer forma, merecia mais tipos de provas, carros e perder algo como o Hillclimb é uma pena, pois devia ter alargado esses elementos em vez de os cortar. Também tenho pena que não exista um modo VR no lançamento, algo que parece que poderá chegar mais tarde apenas.

Dirt Rally 2.0 é, tal como o primeiro, o melhor jogo de Rally puro e duro que podem encontrar no mercado. Não é impraticável ao ponto de ser apenas para os puristas, mas é o mais próximo que se pode encontrar de um jogo de Rally a sério, sem ser extremamente punitivo. Claro que isto não impede que sofram ainda um bom bocado. Faz parte do processo e vale bem a pena passar por isso.

Positivo:

  • Gráficos impressionantes
  • Jogabilidade afinada
  • Foco no Rally puro e duro
  • Localizações interessantes

Negativo:

  • Perdeu modos de jogo
  • Online desapontante
  • Merecia ter mais carros e localizações
  • Para quando um WRC da Codemasters?

 

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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