Análise – Detroit: Become Human

A evolução da tecnologia e a barreira que separa o homem da máquina tem sido tema para vários jogos, livros, filmes e largas discussões sobre o caminho que o futuro tem para nos oferecer e aquilo que imaginamos que pode vir a ser.

Por ser um grande fã deste género de temas, é normal que Detroit: Become Human me tivesse chamado à atenção, mesmo que Beyond: Two Souls tenha sido um lançamento que me desiludiu bastante. Com o poder da PS4 a mover o novo jogo da Quantic Dream, podia ser desta que o estúdio criava um clássico da era moderna.

Detroit: Become Human conta a história pelos olhos de três personagens diferentes, cada uma delas um Andróide que surge de origens diferentes, Kara é uma robô doméstica, Markus é um robô de companhia e Connor um detective aos serviços da maior produtora de andróides do mundo. Por caminhos separados, cada uma destas personagens vai viver experiências distintas que vão rodear o tema da liberdade dos andróides e aquilo que faz de nós humanos.

Sendo um jogo de aventura e de tomada de decisões, Detroit: Become Human permite que levem a história em direcções diferentes, podendo criar fios narrativos totalmente diferentes e até levar à morte das personagens principais, deixando de ter a sua influência na história.

Entre as três histórias, a de Kara foi aquela que me marcou mais e a que me fez ficar mais preocupado com o destino da personagem e de Alice, a criança que esta decide auxiliar, lutando contra o código e ficando divergente. Senti realmente uma grande empatia com as duas e não queria que nada de mal lhes acontecesse até ao fim da história. O mesmo já não senti tanto seja com o Markus ou o Connor. O último mesmo assim, foi o que teve o melhor desenvolvimento frente ao que se estava a passar.

A estrutura está dividida em episódios que estão repletos de escolhas e alternativas. Quando terminamos cada um, podemos ver o que foi feito e outros possíveis caminhos ou escolhas que podiam ter levado a finais distintos. Curiosamente, o meu deve ter sido dos piores de todos, algo com o qual já habituei neste estilo de jogos onde tenho de tomar decisões.

A jogabilidade de Detroit: Become Human é igual aos anteriores. Temos uma movimentação mais rígida e linear que nos permite explorar zonas limitadas e ver com o que podemos interagir. Para ajudar a perceber para onde temos de ir, existem sinais visuais e também a possibilidade de abrir um modo de Foco, onde são iluminados os pontos de interesse e tudo aquilo com o qual podemos interagir. Os QTE (Quick Time Events) estão de regresso e utilizam de tudo um pouco, desde os botões normais aos movimentos com o comando, o que nem sempre é o mais prático e 100% fiável.

A tomada de decisões e interacção é feita quase em tempo real, mas não deixa de ser um travão para aquilo que está a acontecer no ecrã. Muitas vezes a fluidez para para antes de nos darem o botão seguinte para carregar, o que deixa a personagem num estado suspenso digno de piada. Outras vezes, a escolha que se segue pode aparecer quase colada a uma anterior, não havendo grande tempo para criar uma ginástica mental rápida o suficiente para mudar para outra coisa. Além do mais, os movimentos circulares com os analógicos deviam ser banidos.

Detroit: Become Human ainda insere pelo caminho alguns elementos de jogabilidade extra, entre eles o stress de uma personagem, a criação de linhas orientadoras para criar atalhos ou interagir com objectos e investigações. No global estas funcionam bem, embora que altamente lineares e limitadas.

No departamento visual, Detroit: Become Human consegue obter bons resultados no que diz respeito a gráficos. Existe um detalhe forte e abastado nos modelos das personagens e cenários. A iluminação e efeitos climatéricos também atingem momentos bastante altos. Onde a Quantic Dream ainda não conseguiu chegar, foi à emulação a sério dos traços humanos que façam com que as personagens pareçam reais. Os andróides ainda podem ser desculpados, mas os seres humanos parecem andróides à mesma, simplesmente menos rígidos. Basta entrar no menu do jogo e conhecer a andróide Chloe para ver do que falo.

O tratamento sonoro é bastante forte e logo a começar pela banda sonora, os temas orquestrais misturados com syntwave mais negro resultam na perfeição. O departamento de actores fez um óptimo trabalho na versão em inglês (que foi a que joguei para análise), sendo que a versão portuguesa parece mais artificial, mas bastante bem conseguida. O jogo permite escolher qual a língua falada e as legendas ao príncipio, o que é uma mais valia e permite que todos o possam jogar, mesmo que não percebam de inglês.

Mesmo com os seus problemas e com o final mau que me calhou, Detroit: Become Human acabou por se transformar num jogo que gostei bastante de jogar. O tema do jogo é fantástico e pertinente, deixando a desejar apenas em alguns momentos em que decide algumas coisas por nós ou onde não podemos não fazer algo depois de tocar num botão, mesmo que a acção não tenha tido ainda efeito. Existem bugs e glitches também ainda por resolver, mas nada que manche a experiência.

Bem feito e bem trabalhado, Detroit: Become Human é para mim dos melhores jogos que já joguei dentro do género de aventura. Não levei nenhum murro com força, mas ainda tive direito a alguns apertos no estômago, além de medo de perder certas personagens, o que é muito bom sinal. Não é um lançamento perfeito nem algo para toda a gente, mas é um jogo que vale bem a pena.

Positivo:

  • Visual bastante bom
  • Várias escolhas que alteram a história
  • Três personagens interessantes
  • Boa banda sonora
  • Bom trabalho vocal

Negativo:

  • Narrativa com momentos inconstantes
  • Movimentos rígidos e suspensos por QTEs
  • Certas escolhas não são o que parecem

 

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebook

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.