Análise – Death Note (drama)

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Death Note foi um dos fenómenos de anime que marcou a altura em que estreou, tanto pela sua história única como pelas suas personagens centrais, Light (Raito para alguns, Kira para outros) e L. Tanto vi o anime como li a manga e achei que ambas estavam a um nível de serem recomendados a todos, mesmo que não façam parte do mundo da animação Japonesa.

É claro que quando tive conhecimento de um filme (onde depois vim a descobrir que havia mais do que um), que adaptava a série para o grande ecrã fiquei curioso quanto à abordagem que tomariam para o mesmo. Embora não tenham adaptado a obra original por completo, decidindo fazer um final original, não foram completamente maus, mantendo-se na maior parte das vezes fiéis no que se baseavam.

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Ao contrário de um filme, um drama televisivo (ou série se assim o preferirem chamar) tem mais episódios, o que permite levar as coisas a seu tempo para explorar o tema e também desenvolver as suas personagens. Este último infelizmente não foi o forte em certos aspectos, no entanto a parte a realçar nesta nova adaptação é a direção da sua história.

Caso tenham decidido ler a análise sem conhecimento prévio sobre o anime, Death Note conta a história de Light Yagami (interpretado por Masataka Kubota nesta drama) que um dia encontra o Death Note, um caderno negro. Este caderno possui uma lista de regras, afirmando que a pessoa que tiver o seu nome escrito no mesmo irá morrer.

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Light começa a matar criminosos como forma de limpar o mundo, adaptando assim a personalidade de Kira. No entanto é rapidamente “encurralado” por L (que ficou ao encargo de Kento Yamazaki) desafiando-o a ver quem é o primeiro a desvendar a identidade do outro.

Para começar, tenho de falar sobre a abordagem de Light nesta adaptação. Ao contrário do original, onde Light era um génio e rapidamente se torna num megalómano assassino, esta versão tem um lado mais humano e não é tão inteligente em comparação ao original. Esta abordagem pode não ser do agrado da maior parte dos fãs, que tinham como preferência ver os confrontos inteligentes entre L e Kira, no entanto o seu lado humano e de pessoa normal é uma das fontes que torna esta nova adaptação interessante.

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Um bom exemplo são as primeiras vítimas de Light, que consistem no objectivo de salvar pessoas importantes para ele. Isto demonstra que esta versão da adaptação não tem medo de mudar um pouco as coisas. A história base continua presente, bem como algumas personagens e momentos, algumas cenas podem ser inéditas mas recorrem sempre ao material original, conseguindo assim criar excelentes momentos de tensão e bons twists que conseguem surpreender até mesmo os fãs que já tenham lido a manga ou visto o anime.

Quanto às outras personagens, é triste que a maior parte do cast secundário por pouco não passe por figurantes. Tanto Matsuda (Goeki Maeda) como os outros membros da equipa de investigação, que recebiam alguma luz nas versões originais, deparam-se com nada no drama televisivo. Até mesmo Watari (Kazuaki Hankai) não recebe nada mais do que a honra de repetir a mesma frase em 90% do tempo.

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Por outro lado, a série desde cedo decide apresentar ao público Misa (Hinako Sano), Near (Mio Yuki, interpretado por uma rapariga) e Teru Mikami (Shugo Oshinari). A primeira continua a ser um ídolo, o qual Light é fã (algo normal para o comum adolescente Japonês), a entrada de Mikami chega mais cedo e é mais presente em comparação com a obra original.

Near foi um caso mais especial. Aparece relativamente cedo, e é possível observar a sua interação com L diversas vezes, coisa que não estava presente na obra original. Sendo-lhe até atribuído o diagnóstico de múltipla personalidade, onde o seu “outro eu” é Mello. No entanto ambos não foram devidamente aproveitados, ao contrário do anime e da manga, onde tiveram o seu tempo para oferecer impacto.

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Passando pela parte técnica, o drama não utiliza a banda sonora do anime (que possuía alguns momentos épicos), mas também não lhe fica atrás. O CGI dos Shinigami é o mesmo usado nos filmes, faz uma boa apresentação dos seres, mas pouco procura em disfarçar o uso do mesmo.

Já a prestação dos actores, ou pelo menos, dos que tiveram tempo de antena, conseguem captar as personagens. Kento Yamazaki fez um óptimo trabalho como L, e Masataka Kubota conseguiu representar os traços da mudança de Light para Kira.

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Adaptações para live action muitas vezes não são a melhor ideia, o drama conseguiu uma boa aproximação humana da personagem Kira, bem como uma óptima interpretação de L. No entanto a maior parte das personagens acabam por não receber o foco necessário.

Neste caso o drama de Death Note conseguiu oferecer um novo ar com um pouco da sua originalidade. Oferecendo sempre a surpresa mesmo a quem já tenha visto o conteúdo original, conseguindo até levantar a questão de qual será o final que iremos receber.


Positivo

  • Aproximação diferente sobre Kirapn-recomendado-ana
  • História surpreende mesmo quem conhece o material original

Negativo

  • Personagens secundárias não recebem a devida atenção
  • CGI não disfarça os shinigami com o mundo real

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Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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