Análise – Deadpool The Game

Apesar de já ter aparecido por diversas vezes no mundo dos videojogos, Deadpool ainda não tinha tido um jogo de alto gabarito dedicado à sua personagem. Se pensármos bem, até nem fazia sentido esta ausência dada a crescente fama da personagem.

A Activision passou à High Moon Studios a responsabilidade da criação do primeiro grande projecto de Deadpool e apesar de recorrer à maioria dos elementos cliché do mundo dos videojogos, está longe de ser uma piada mal contada.

Para quem não o conhece, Deadpool é apelidado de “Merc with a mouth” que em português leva a algo ao estilo de “Mercenário com boca”, mas o contexto está longe de ser assim tão simples. A verdade é que Deadpool é um autêntico brincalhão que olha para todo o estilo de situações com um sorriso na cara e uma piada sempre pronta.

Criado numa experiência similar à de Wolverine ao qual este chama de irmão. Deadpool pode dar-se ao luxo de gozar com a maioria dos vilões ou heróis, pois a sua capacidade regenerativa e habilidades fazem dele um inimigo difícil.

Tendo em conta os poderes de Deadpool, é natural que a High Moon e a Marvel tivessem seguido a direcção dos jogos de acção e combates em 3D ao estilo de coisas como God of War ou Devil May Cry. Apesar não ter uma quantidade tão vasta de combos e habilidades como Kratos ou Dante, Deadpool é repetitivo apenas se resolverem utilizar sempre os mesmos combos ou não evoluam a personagem e as suas armas.

Podem criar combos de ataque usando golpes fortes e fracos com armas de curto alcance, como as espadas e adagas, mas podem usar também todo um arsenal de pistolas, caçadeiras, lança granadas, minas, etc. Cada uma destas armas pode ser melhorada com o uso de moedas que vão apanhando ao longo de cada cenário. Podem melhorar a força do ataque, ganhar novos combos, entre muitas coisas.

O combate corpo a corpo é o típico do género, mas ao contrário de Dante, com Deadpool podem apontar as armas com uma mira ao estilo TPS, com a câmara fixa nas costas da personagem. Este sistema funciona bem e é de fácil utilização e existem alguns combates que só conseguem vencer com a utilização das armas de fogo, ou usando o teleporte de Deadpool.

A campanha de Deadpool não é muito longa e não vai além das 10 a 12 horas, mas há que dizer que são algumas horas bem passadas. A equipa da High Moon recrutada para este projecto (que infelizmente foi despedida ainda antes do jogo ter sido lançado), conseguiram em conjunto com Nolan North (a voz de Deadpool), criar uma história básica, mas carregada de humor e bons momentos, seja pelos diálogos totalmente tresloucados de Deadpool com as outras personagens ou com as duas vozes que vivem dentro da sua cabeça, seja pelas secções de acção totalmente tresloucadas.

A maioria das piadas e tiradas cómicas foram bem criadas e trabalhadas e só mesmo alguém que jogue Deadpool com uma postura negativa é que não se vai divertir com alguns dos segmentos de comédia do jogo, especialmente pois são satirizados alguns elementos típicos de jogos assim como outras personagens da Marvel.

Visualmente, Deadpool é uma mistura entre o bom e o medíocre. As personagens principais tem um bom detalhe e o Deadpool vai ao ponto de perder parte do fato em combate caso seja ferido em demasia. Infelizmente, poucos são os cenários que tentam ganhar algum destaque, sendo necessário percorrer mais esgotos e corredores de edifícios pouco polidos do que explorar ruínas ou andar ao ar livre. É curioso como os melhores momentos do jogo ocorrem quando nos é dada alguma liberdade para explorar o cenário e trepar algumas plataformas em zonas mais amplas.

A música criada para Deadpool corresponde bem ao género em que se enquadra não ficando na memória, mas não se faz notar pela negativa. Por seu lado, as vozes estão bastante boas, mas o destaque vai para Nolan North, a voz de Deadpool (e Nathan Drake da série Uncharted) que consegue ser realmente a estrela e o centro de todas as atenções, sendo fácil desculpar algumas falas repetidas ou inimigos com vozes e gritos mais genéricos.

Tal como o anti-herói que faz capa para este jogo, Deadpool the Game é um jogo imperfeito e que fica bastante aquém das maiores vedetas do género. De qualquer forma, não é pelo Wolverine ser o herói favorito da maioria que o Deadpool não pode ter o seu mérito e espaço entre as vossas escolhas.

Positivo:

  • Humor bastante divertido
  • Sequências de acção tresloucadas
  • Nolan North faz um trabalho soberbo
  • Piadas relacionadas com videojogos
  • Presença de vários elementos da Marvel

Negativo:

  • Pouco incentivo para repetir a campanha
  • Cenários e inimigos extremamente genéricos
  • Combate farta ao fim de algumas horas
  • Vários problemas de câmara

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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