Análise – Dead or Alive 6

A minha primeira experiência com Dead or Alive foi na velha PS2 na altura de lançamento de Dead or Alive 2. Para a altura, este era um jogo de luta bastante à frente do seu tempo e com um ritmo invejável para o género. Dentro do universo de jogos de luta em 3D, era claramente um concorrente forte para Tekken e Soul Calibur.

Com o passar dos anos, Dead or Alive não ficou necessariamente esquecido ou perdido. A qualidade também não decresceu por assim dizer, mas a verdade é que outros jogos regressaram do passado para retomar a liderança e outras franquias apareceram para vingar. Fora dos percursos dos grandes campeonatos de jogos de luta DOA ficou cada vez mais relegado para os fãs.

Dead or Alive 5, apesar dos vários milhares de fatos que recebeu e de todos os problemas relacionados com conteúdo, conseguiu mesmo assim ser um lançamento forte que ainda me fez voltar a colocar o Blu-Ray várias vezes na PS3 e PS4 com o Final Round. Dead or Alive 6 acaba por criar o mesmo efeito, embora tenha uma série de problemas que me façam olhar para ele sempre com algum sabor amargo.

Dead or Alive 6 chega bastante apetrechado de coisas para fazer à primeira vista. Existe um modo história que devido à sua construção, deixa um pouco a desejar, mas que ao menos consegue dar mais contexto a este universo. É uma pena que não tenha sido feito um modo de história ao nível dos de Mortal Kombat que ainda continuam a ser os melhores neste panorama. Além da história existe ainda um modo missões bastante viciante que nos coloca a fazer objectivos com personagens pré-definidas para poder ganhar dinheiro de jogo e desbloquear peças de fatos alternativos e dicas.

Depois dos modos principais, temos o Arcade, os modos Versus e Survival, Team Battle, um centro de treinos muito completo e intuitivo e um local onde podemos escolher as roupas para as nossas personagens. Deixei de fora o modo online propositadamente por merecer que fale apenas dele. Como só existe um modo Ranking, este é bem capaz de ser um dos online mais limitados que tenho memória num jogo de luta. Não há casuais, não há lobbies, não há nada. Depois de algo como Dragon Ball FighterZ, este online é quase criminoso. Depois temos uma grande ausência. O modo Tag que era um dos meus favoritos desde o Dead or Alive 2 desapareceu. Porque? Segundo consta, por causa de ter um motor gráfico demasiado poderoso para ter mais personagens no ecrã ao mesmo tempo. Não faz sentido nenhum.

Já que falamos em retirar, preparem-se pois embora tenha muitos fatos para desbloquear, Dead or Alive 6 arranca logo com duas personagens bloqueadas e um número colossal de fatos para comprar. Muito já se falou do Season Pass que vai além dos 90 euros, o que é bem mais do que o valor do jogo base e tendo em conta que muito do conteúdo é apenas cosmético, devia haver hipótese de o desbloquear no próprio jogo com o tempo que o jogador quisesse investir.

O que me incomoda mais no meio disto tudo é que Dead or Alive 6 é um jogo de combate verdadeiramente bom. O combate é rápido, dinâmico, divertido e bem medido. Todas as personagens conseguem oferecer tácticas de combate bastante válidas e o sistema de papel/pedra/tesoura continua a ter uma profundidade enorme. A isto foi adicionado um novo botão de combo que serve também para utilizar o ataque especial ou criar um counter que pode ser usado para conseguir fugir numa posição de desvantagem. Tudo fluí de forma tão equilibrada que fiz combates atrás de combates sem querer parar.

Tudo isto é acompanhado de um visual bastante bom. As arenas são algumas das melhores que a série já mostrou e o detalhe das personagens, assim como as suas animações estão bastante bons. Existem novidades no que toca a danos nos fatos e feridas deixadas nas personagens, mas nada tão impactante como foi a introdução do suor na geração anterior. A banda sonora é o típico dentro do género e tem composições que encaixam como uma luva. O mesmo já não posso dizer da localização, pois as vozes em inglês são bastante mistas em qualidade e algumas são simplesmente más. Se querem a melhor experiência, joguem em japonês.

Além da maioria das personagens clássicas estarem de regresso, foram introduzidos neste episódio Diego e Nico. Tanto um como o outro são personagens versáteis e muito bem-vindas ao elenco. O seu repertório de combate é interessante e dão um pouco de mais cor a uma lista que até é bastante longa e ecléctica. Por agora não existem personagens convidadas de outros jogos, mas já se sabe que Mai Shiranui de King of Fighters será uma delas. Como? Por DLC pago, claro está.

Dead or Alive 6 tem um grande problema que o impede de ir mais longe e ser uma recomendação imediata. Eu gosto demasiado do jogo, mas por cada vez que penso em todos os pontos bons, não consigo não me queixar de todas as coisas que foram cortadas e todas as formas de monetização agressiva que estão a ser feitas. Nesta altura, não posso recomendar Dead or Alive 6 a mais do que aos fãs e é estranho que um dos meus jogos de luta favoritos deste ano também é o que me consegue deixar mais decepcionado.

Positivo:

  • Uma boa panóplia de modos
  • Personagens diversas e equilibradas
  • Nova barra de especial
  • Boas arenas

Negativo:

  • Modo de história fraco
  • Localização deixa a desejar
  • Muito conteúdo deixado para DLC
  • Não tem modo Tag
  • Online do mais básico possível

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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