Análise – Days Gone

Quando foi originalmente revelado, Days Gone mostrou ao público o quão divertido seria percorrer um mundo aberto recheado de criaturas bastante similares a zombies, que seriam capazes de formar exércitos enormes com fome de comer a personagem principal. De qualquer forma, muitos ficaram confusos com a apresentação. Era mesmo um jogo novo? Algo dentro do universo de The Last of Us? Havia muito por responder.

A Bend Studio teve o tempo necessário para criar Days Gone ao seu ritmo e concluir aquilo que acreditava ser um verdadeiro jogo de exploração e sobrevivência capaz de contar uma boa história sobre um mundo destruído por um vírus que começou a mutar as pessoas para o estado de Freakers, o vosso zombie típico na verdade.

Aqui jogamos com Deacon, um motard que sobreviveu até agora, mas que perdeu o rasto à namorada para ajudar o seu grande amigo a escapar com vida. Dois anos depois, somos atirados novamente para a história com Deacon a trabalhar como um mercenário livre para vários acampamentos. A forma como a história é contada deixa bastante a desejar, pois não é tão bem feito como num The Last of Us e não existe grande continuidade entre cinemáticas e jogo. Os cortes são frequentes e em muitos casos, quase mais valia ser apenas contado com o motor de jogo. A narrativa tenta fazer com que a história seja interessante, mas a maioria das personagens são simplesmente irritantes ou descartáveis, a ponto de não me lembrar do nome da maioria delas enquanto escrevo esta análise.

O jogo está estruturado no formato típico de missões em mundo aberto. É preciso fazer algo num determinado lugar e temos de fazer o caminho até lá. Posso dizer desde já que existe uma forma de fazer viagem rápida, mas esta nem sempre está disponível e na maioria dos casos somos obrigados a conduzir a nossa mota até lá, isto claro, se não ficarmos sem gasolina ou esta for destruída pelo caminho. Days Gone adora fazer com que tudo seja mais complicado e muitas vezes, menos divertido por isso mesmo. Cheguei a ter de fazer grandes troços a pé para ir buscar gasolina e voltar a pé para a mota acumulando minutos de aborrecimento à experiência, só mais tarde o jogo explica que é possível pagar a alguém para recuperar a mota. Sim, duas ou três vezes depois de acontecer.

Days Gone tem um mundo bastante vasto e bonito, com uma série de pormenores bonitos, por outro, esta Oregon é uma zona bastante desprovida de alma e pontos de interesse. Existem algumas áreas com vigias, ou ninhos de Freakers para destruir, mas tudo parece afastado e desconjuntado. Quando não ficamos sem gasolina, estamos a levar tiros de sniper que destroem a mota ou encontramos bugs que impedem a progressão, como a entrada demorada de algumas missões principais, explorar o mundo até é bastante interessante.

Não podemos fazer uma análise a Days Gone sem falar da mota. Esta, tal como a personagem, pode ser melhorada para fazer com que a viagem seja ainda melhor. A condução com a mota não é exactamente a mais precisa, mas é bastante divertida. Maior parte dos momentos em que morri a jogar foi porque me enfiei em localizações cheias de Freakers que me apanhavam antes de conseguir dar meia volta e fugir. Tirando isso, a mota é uma ferramenta essencial e necessária. Não sejam como eu e gravem sempre que estão perto dela, o jogo é impiedoso o suficiente para vos atirar no tempo para uma zona bem afastada caso se esqueçam de o fazer.

Outro componente do mundo é o combate. Existe o combate com armas de fogo e o corpo a corpo. Cada um destes tem as suas vantagens e fraquezas. Com os humanos é sempre melhor atirar a matar, a passo que os Freakers em poucas quantidades são mais fáceis de despachar com um bom machado ou bastão ao qual podemos adicionar picos e coisas do género. Como tentei sempre evitar confrontos, preferi o caminho da acção furtiva e quase todos os pontos de evolução que fui ganhando acabei por gastar nestas habilidades, o que dá uma vantagem tremenda. A inteligência artificial tem os seus momentos menos brilhantes e houve um boss que o derrotei apenas porque ficou preso entre dois pilares e bastou apenas enchê-lo de chumbo até morrer.

Um dos pontos altos de Days Gone é a forma como apresenta as Hordas de Freakers que se aproximam a grande velocidade com inúmeros inimigos no ecrã ao mesmo tempo. As hordas são sempre momentos que criam um nó no estômago e que nem sempre é fácil vencer. A quantidade de inimigos que aparecem no ecrã consegue crescer a números bastante impressionantes, o que por vezes até manda a fluidez a baixo.

Entrando então no patamar da prestação visual, Days Gone é um jogo bastante bonito no que toca a localizações e paisagens. Os modelos das personagens dependem bastante da sua importância, mas no global o aspecto visual é bastante bom. A banda sonora não me deixou grandes saudades, mas cumpre bem o que lhe é pedido, com alguns destaques aqui e ali. Joguei a maioria do tempo em inglês não só por gostar mais do original, como por ter ficado um pouco desiludido com a versão portuguesa. Não é que esteja mal, mas está bastante aquém do que o original oferece.

Tendo em conta a sua essência de mundo aberto, Days Gone ainda permite que se dediquem a ele durante umas boas dezenas de horas. Se o foco for a história, este acaba bem mais depressa, mas as missões secundárias e objectivos extra convidam a fazer mais algum tempo de jogo. Isto claro, se estiverem dispostos a lutar contra alguma da repetição e tédio que se acumula ao longo de horas seguidas de jogo.

O grande problema de Days Gone é no fundo o facto de ser um jogo em mundo aberto, com zombies e uma história pesada, num universo cheio de jogos desses. É como se Days Gone tivesse chegado alguns anos atrasado para uma festa de máscaras onde ser um zombie era “fixe” nos anos anteriores e agora já ninguém vai ficar impressionado. Por vezes senti que estava a jogar Horizon Zero Dawn, mas com uma roupagem de The Last of Us, embora sem o carisma de ambos e com muito mais momentos mortos ou sem missões tão interessantes.

Na sua fundação, Days Gone é um jogo bastante bom e com boas ideias, mas não deixa de se tornar aborrecido, repetitivo e frustrante mais vezes do que devia. A história tenta criar momentos de tensão ou ternura entre as personagens, mas depois essa luta tem sempre de ser comparada com The Last of Us ou God of War e aqui este novo jogo volta a ficar para trás.

 

À medida que o lançamento de Days Gone se aproximava, a minha cepticidade estava a ficar cada vez menor e estava pronto para lhe dar uma oportunidade de provar que afinal não era um jogo básico e genérico com zombies em mundo aberto. Mesmo que se tenha revelado melhor do que estava à espera, não é bom e memorável o suficiente para ser um jogo obrigatório. Também, depois de tantos lançamentos de alto gabarito, a Sony tinha de acabar por ter um lançamento menos forte. Não é?

Positivo:

  • Visual bastante bom
  • Mundo aberto variado
  • Hordas são imponentes
  • Sistema de evolução

Negativo:

  • Mundo com pouca alma
  • História sem grande impacto
  • Muitas personagens sem interesse
  • Repetitivo
  • Vários bugs visuais e de progresso

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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