Análise – Date A Live: Rio Reincarnation

  • Plataformas: PlayStation 4, PC
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Enquanto que hoje em dia é natural para as séries manga de acção receberem videojogos (com a maioria a serem jogos de luta) e de serem publicadas no Ocidente, existe uma altura em que algumas séries light novel bastante conhecidas também receberam adaptações a videojogo embora no formato de visual novel mas a ideia de as mesmas chegar até ao Ocidente era um sonho.

Saltando cerca de uma década para a frente, hoje em dia a incerteza de se uma série light novel ou manga vai ser publicada fora do Japão já é menor quando comparado há alguns anos atrás, e isto inclui os seus videojogos. Ainda existe algumas séries populares que não foram tocadas, mas com a insistência dos fãs isso tem vindo a diminuir cada vez mais. A light novel de Date A Live ainda não teve essa sorte, mas a Idea Factory International decidiu na mesma trazer as visual novels baseadas na série até ao Ocidente, algo que os fãs nunca pensaram que viria a acontecer.

Date A Live: Rio Reincarnation é uma colecção dos dois jogos originais, Rinne Utopia e Arusu Instal que foram lançados juntamente com um novo jogo, Rio Reincarnation, e esta nova versão oferece uma melhor qualidade visual juntamente com um menu de extras que contém arte e até pequenas histórias baseadas nos jogos e que haviam anteriormente sido publicadas como bónus extra no Japão. A ordem pela qual o jogador decide pegar nos jogos é indiferente, já que estes tem lugar entre cada temporada da adaptação anime, apresentando uma história isolada da série original mas ao mesmo tempo considerada “canon”. Caso seja a vossa primeira vez a pegar na série, cada jogo faz um breve resumo do que a série é e dos eventos que decorreram antes do início da nova história, mantendo-vos a par daquilo que perderam.

A série tem lugar num mundo onde seres denominados de Espíritos foram inicialmente descoberto após um evento que devastou uma região inteira. Estes Espíritos tem aparência humana mas possuem poderes sobrenaturais, aparecendo subitamente e sendo considerados como uma ameaça para os humanos. O protagonista Shido Itsuka é arrastado para esta confusão e descobre que possui a habilidade de bloquear o acesso a estes poderes, mas para o fazer Shido necessita de aumentar o nível de afecção dos Espíritos ao levar os mesmos em encontros e “encerrar o negócio” com um beijo.

Os três jogos seguem todos a mesma fórmula de uma ponta à outra. O jogador é presente com o habitual cenário visual novel mas sem muitas escolhas a fazer, sendo que a sua opção para escolher qual a heroína com a qual quer interagir é feita a partir de um mapa onde é possível observar onde cada personagem está. Ou seja, caso o jogador assim o deseja, este pode interagir com mais do que uma heroína ao invés de estar trancado a uma rota apenas, no entanto para concluir a história de cada personagem é necessário prestar atenção à mesma sem qualquer tipo de distracção pelo caminho.

O primeiro jogo por ordem cronológica é Date A Live: Rinne Utopia, tendo lugar entre os eventos da primeira e segunda temporada do anime. Nesta parte da história o protagonista Shido acorda após estar três dias inconsciente, regressando à sua vida normal em conjunto com os outros Espíritos. Em Rinne Utopia a nova personagem adicionada é Rinne, uma amiga de infância de Shido e que esteve sempre ao lado do mesmo, algo que a início Shido não está presente na memória de Shido mas logo de imediato este lembra-se de Rinne.

Rinne Utopia é muito provavelmente a parte mais fraca desta colecção. O número de personagens que contém é menor quando comparado aos outros dois jogos e a história geral do jogo não tem a mesma força tendo em conta que desde o início o mistério é resolvido pelo jogador. O objectivo desta visual novel acaba por ser mais o de os jogadores escolherem a sua personagem favorita, sendo até necessário obter todos os finais das personagens antes de desbloquear a rota de Rinne que inclui o verdadeiro final de Rinne Utopia.

Arusu Install por outro lado já melhora um pouco as coisas, havendo mais personagens por onde escolher e tendo uma história mais interessante e que está presente. Nesta história, que tem lugar após os eventos da segunda temporada do anime, Shido é convidado para testar um novo jogo VR que recebe a visita inesperada de um Espírito AI que está à procura da definição da palavra “amor”. Aqui a jogabilidade mantém-se excepto que cada secção com as heroínas toma um aspecto diferente; cada momento que o jogador passa com uma das heroínas tem lugar num cenário diferente como por exemplo; um dos cenários da rota de Kurumi coloca a mesma como amiga de infância de Shido enquanto que outro cenário coloca-a como uma desconhecida que trabalha num café que Shido visita frequentemente.

Esta abordagem acaba por tornar estas situações mais interessantes, pois apresenta cenários diferentes do habitual e à mesma altura a personalidade das personagens continua presente. Ao contrário de Rinne Utopia, Arusu Install não necessita de todos os finais para desbloquear a rota de Arusu e o verdadeiro final do jogo, sendo apenas necessários os verdadeiros finais de cada personagem. A história e as novas personagens fazem-se sentir e os eventos desenvolvem-se de uma uma melhor forma que o jogo anterior.

Tanto Rinne Utopia como Arusu Install podem ser jogados por qualquer ordem já que não existe nenhuma ligação entre ambos os jogos, mas Rio Reincarnation funciona como uma sequela para os dois, sendo melhor jogar este no fim para evitar spoilers dos jogos anteriores. Em Rio Reincarnation as personagens dos jogos anteriores estão novamente de regresso juntamente com a nova personagem Rio, cabendo a Shido desvendar o que está a acontecer e como resultar a situação.

Rio Reincarnation não foca-se muito nas heroínas da série, tomando antes o seu tempo para oferecer mais tempo de antena às personagens originais dos jogos que anteriormente não haviam recebido muito. Neste jogo final, que acaba por ser muito mais curto que os outros dois, a história acaba por deixar de lado as outras personagens e a ideia de passar tempo com as mesmas para focar-se nos eventos que estão a decorrer. Basicamente Rio Reincarnation serve como uma paragem final para as personagens originais e também para as explorar e desenvolver mais um pouco, oferecendo uma conclusão satisfatória para esta colecção.

Como foi referido inicialmente, para além dos três jogos esta colecção também conta um menu de extras que apresenta imagens de arte e curtas histórias adicionais para cada jogo. Existe também uma colecção de audio dramas mas no entanto estas não contam uma tradução ou legendagem, havendo apenas o audio em Japonês e nenhuma forma de entender o que está a ser dito. Outra coisa que também está em falta são as músicas de abertura e encerramento originais que para a versão Ocidental do jogo foram substituídas por uma simples música instrumental que é repetida em todas as situações. Rinne Utopia e Arusu Install contavam com aberturas diferentes mas nesta colecção ambas são substituídas pela de Rio Reincarnation, no entanto cada personagem conta com um encerramento diferente na versão original do jogo, mas em todas as situações o jogador irá ouvir a mesma música e não a voz do grupo sweet ARMS que também interpretou as aberturas das adaptações anime.

Em relação aos visuais, Tsunako, a ilustradora da light novel está de regresso não só para voltar a desenhar as personagens da série mas também as novas caras que aparecem nestes três jogos, fazendo um óptimo trabalho como habitual. Já a banda sonora não apresenta grande diferença ao longos dos três jogos, tendo até em falta alguns dos temas do anime que os fãs iriam reconhecer sem sombra de dúvida. A tradução para o Inglês está bem feita, tendo apenas encontrado dois ou três erros, embora durante a história do jogo a tradução apresentar a medida Americana Fahrenheit para a temperatura, apesar de estar a jogar uma cópia Europeia, e de a tradução dos bónus extra apresentar a medida Europeia/Asiática de centímetros, o que cria uma pequena inconsistência na tradução.

No final Date A Live: Rio Reincarnation é um jogo que os fãs irão apreciar. Estes podem seleccionar eventos com as suas personagens favoritas e observar mais sequências onde Origami está novamente a tentar criar uma situação pervertida ou onde Tohka fala sobre comida como de costume. Já os novatos podem entrar sem qualquer conhecimento prévio da série, contando com histórias isoladas e que metem o jogador a par do que aconteceu na série principal e ficar a conhecer tanto o tema principal da série como as suas personagens.

A aposta da Idea Factory em trazer a visual novel até ao Ocidente foi uma surpresa e os resultados não foram maus, com esta colecção a apresentar algumas histórias interessantes, cenários diferentes do habitual e até extras que os fãs normalmente não teriam oportunidade de ver fora do Japão.

Positivo:

  • Design das personagens feito por Tsunako

Negativo:

  • Aberturas e encerramentos originais estão em falta
  • Audio dramas não contam com legendas ou tradução

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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