Análise – Dark Souls Remastered

Mesmo sendo Demon Souls a origem do que é hoje em dia Dark Souls, foi com o primeiro jogo deste nome que a fórmula da From Software entrou no mercado com força e conseguiu criar todo um género em seu redor. Esta corrente viria a influenciar vários lançamentos e a despertar o conceito adormecido dos jogos realmente exigentes.

Foi na geração passada que Dark Souls saiu, mas parece que foi há muito mais tempo atrás. Com a chegada da versão Remastered, esta é a oportunidade perfeita de jogar este clássico e relembrar (ou experimentar pela primeira vez), o motivo pelo qual a série ganhou tanta importância.

Sendo um Remaster no sentido literal da palavra, Dark Souls Remastered não faz uma evolução visível a nível de jogabilidade ou mecânicas, aliás, alguns dos bugs e glitches ainda cá estão e continuam a fazer parte da experiência. Onde Dark Souls Remastered faz diferença, é mesmo no seu aspecto e fluidez. Se são donos de uma PS4 Pro, PC ou Xbox One X vão poder jogar a 4k, deixando as restantes consolas nos 1080p.

A passagem para esta versão aprimorada fez melhorias notórias ao jogo original, sendo a mais gritante o visual, que agora está bastante mais nítido, brilhante e trabalhado. Acima de tudo é mais fácil de destingir os elementos no cenário, especialmente no que toca ao desenho em distância. No entanto, o mais importante é mesmo a fluidez. O jogo atinge os 60fps e é uma diferença enorme quando comparado com a versão original. Até custa agora olhar para jogabilidade do primeiro e perceber o quão a fluidez atrasava a jogabilidade em si.

No entanto, é exactamente na jogabilidade que se nota um dos maiores problemas de Dark Souls Remastered. Este é mesmo um jogo desengonçado. Talvez os 60fps não ajudem a esconder, mas quando comparamos Dark Souls com Dark Souls 3, é gritante o quão mais sólida e fluída é a jogabilidade. A diferença ao jogar é notória e faz lembrar tanto a idade como evolução da série.

Tirando o mais óbvio, as maiores alterações foram realizadas em coisas que estão ligadas ao online e que podem facilitar a vida aos jogadores. Agora podem criar uma equipa de 6 jogadores, criar passwords para as sessões, entrar em arenas de 6 jogadores e foram feitas mudanças nos items de cura que podem ser usados. Fora do online, o mais notório é a mudança em tempo real de Covenants nas Bonfires.

De qualquer forma e tal como o original, Dark Souls Remastered dá cartas na forma como consegue prender o jogador em redor da sua narrativa quase invisível e do desafio que cria. Não demorou até que ficasse a jogar umas horas a mais do que devia noite dentro, a fazer mais umas rondas de inimigos para evoluir alguns uns níveis.

Tem piada também ver alguns dos “memes” do passado a desvanecer neste Remaster. Um dos meus maiores interesses era jogar em Blightown e ver se tudo se engasgava, mas esse não foi o caso. Tudo correu sem solavancos e sem problemas, quando a versão original chegava ao ponto de se arrastar para tentar manter alguma fluidez.

O problema de maior que encontrei, mesmo que limitado a algumas zonas em especial (como a zona para além do portal fechado em Darkroot Garden), está ligado ao input lag. Quer isto dizer, que em certas alturas notei um lag ao pressionar um dos botões que levava a que a minha personagem respondesse dois a três segundos depois. Como sabem, isto é Dark Souls e em mais que um segundo já estamos mortos. Espero que isto seja resolvido, pois resultou em mortes desnecessárias.

Claro que Dark Souls Remastered não faz tudo bem e não é um jogo que vai trazer algo de novo para quem já o jogou. O mundo de Lordran está cheio de zonas bonitas, mas outras carregadas de texturas e modelos baços e sem vida. As pessoas que já jogaram o original e o DLC Artorias of the Abyss não vão ter aqui nada de verdadeiramente novo para explorar.

Dark Souls Remastered serve como uma boa forma de relembrar o clássico ou de o descobrir numa versão definitiva. A verdade é que mesmo depois de tantos jogos, o primeiro Dark Souls continua a ter a sua própria mística e a ser uma experiência suada, mas extremamente recompensadora.

Positivo:

  • Melhorias gráficas
  • 60 fps
  • Viciante como sempre
  • Online com servidores privados
  • Blightown com fluidez normal!

Negativo:

  • Input delay ocasional
  • Muitas texturas iguais ao original
  • Não foi adicionado nenhum extra

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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