Análise – Dark Souls Remastered (Nintendo Switch)

Quando Dark Souls Remastered foi anunciado pela Bandai Namco, a companhia teve a coragem de confirmar que o jogo iria chegar a todas as plataformas capazes de o correr, sendo que a Nintendo Switch estava no meio da lista. Vários meses de desenvolvimento depois, foi confirmado que o jogo iria ser adiado para uma data incerta.

Dentro da indústria dos videojogos, um adiamento sem grandes datas concretas acaba por se transformar em uma de duas coisas, ou um jogo melhor (normalmente), ou num silêncio longo que acaba por confirmar que dito jogo já não existe. Com tanto entusiasmo em relação a esta versão e ao tentar perceber se a Nintendo Switch iria ser uma boa casa para Dark Souls, haviam grandes expectativas em redor deste jogo. A Bandai Namco teria de avançar de qualquer forma.

Quando iniciei Dark Souls Remastered na Nintendo Switch percebi de imediato que o atraso não terá sido feito certamente por questões de incapacidade da consola, mas sim, de quanto é que a consola conseguia aguentar ao mesmo tempo. Será que podia haver 60fps? Será que 720p seria o suficiente em modo portátil? O resultado acaba por ser 30fps em todos os modos, 1080p para modo caseiro e 720p para modo portátil. Claro que os mais puristas vão chorar os 60fps e eu reconheço que faz alguma diferença, no entanto, Dark Souls Remastered tem uma grande arma em seu favor.

Apesar de já o ter jogado inúmeras vezes, Dark Souls Remastered sofre uma estranha metamorfose na Nintendo Switch. É o mesmo jogo, com a mesma jogabilidade e conteúdo, mas o simples facto de haver a hipótese de o transformar em algo portátil, faz com que pareça uma novidade outra vez. Se a início pode parecer que jogar em modo portátil não é compatível com o estilo de jogo, vão ficar surpreendidos com o quão bem fica.

Não é costume passar da TV para portátil e vice-versa, mas tive mais que um momento onde estava a jogar na TV e precisei de sair. Bastou tirar a consola e continuar a jogar. Até é possível estar no modo TV e se a natureza chamar, levar Dark Souls Remastered para jogar na casa de banho. Que tempo “maravilhoso” para estar vivo.

Por outro lado, a Nintendo Switch também acaba por prejudicar a experiência em determinados pontos. Para começar os Joy-Con não são os melhores comandos para jogar Dark Souls Remastered, seja juntos com a consola ou separados no “doggy”. O facto de serem tão pequenos e dos gatilhos serem tão longos, obrigam a ter um cuidado redobrado para não carregar nos botões errados ou ter certeza que estamos a fazer lock-on em vez de puxar a câmara para cima. Além disso, existe uma curva mental de aprendizagem, pois estamos habituados a confirmar no A e cancelar no B, é um padrão Nintendo que está também presente na Nintendo Switch e Dark Souls requer que façam o inverso durante o jogo, apenas para ser familiar aos restantes lançamentos. É uma ginástica mental e um grande inimigo nas primeiras horas de jogo.

Como seria de esperar, a melhor experiência é tida com o Pro Controller que responde perfeitamente como seria de esperar, estejam a jogar em modo TV ou portátil. Também senti em alguns momentos de modo portátil uma ligeira quebra na fluidez, mas ao menos é bom ver que 95% do jogo corre perfeitamente nesta forma e ainda melhor quando está colocado na doca (mesmo que esta dispare logo a ventoinha para arrefecer).

Em termos visuais, Dark Souls Remastered sofre mais em modo portátil, mas está bastante próximo das outras plataformas no que toca ao modo com Doca. Mesmo com visual menos bonito, gostei bastante da experiência portátil e tenho certeza que os jogadores de Nintendo Switch não ficam a perder muito quando comparado com as versões de outras consolas. Também o tratamento sonoro está bem construído e tem o impacto que se esperaria dele.

Em relação ao online, descobri um pequeno erro que é bastante frustrante e me fez a jogar grande parte do tempo em modo offline. Caso queiram jogar em forma portátil em pequenos espaços de tempo, saiam sempre para o menu, pois o jogo tem o mau hábito de vos fazer regressar ao menu à força caso detecte que estão sem jogar há algum tempo e a internet tenha sido “cortada”. Se desligarem o acesso automático aos servidores, podem para as vezes que quiserem que o jogo irá sempre estar pronto para jogar quando voltam às vossas conquistas portáteis. Espero que seja algo que seja corrigido no futuro.

Não consegui testar a interacção com o amiibo do Solaire, mas ficam a saber que é possível colocar o mesmo sobre a consola e desbloquear o movimento “Praise the Sun“. Não vale a pena abrir o amiibo só para isso, mas caso não tenham paciência para ajudar outros jogadores, esta é a melhor hipótese de ter o emote antes do tempo.

Dark Souls Remastered podia parecer um jogo que não ia funcionar na Nintendo Switch, mas o resultado prova bem o contrário. É certo que sofre com um ou outro problema e nem tudo é perfeito. De qualquer forma, o resultado é mais do que positivo e existem aqui trunfos que podem levar os fãs e novatos a poder optar por esta versão como a sua preferida.

Positivo:

  • Dark Souls em modo portátil
  • Boa conversão
  • Fluidez consistente
  • Desafiante como sempre
  • Estilo de jogo até faz sentido no formato

Negativo:

  • Nada de novo para quem o jogou antes
  • Joy-Con não são os ideais aqui
  • Botões “trocados”
  • O problema com o online em Stand-By

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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