Análise – Danganronpa V3: Killing Harmony

  • Plataformas: PlayStation 4, PlayStation Vita, PC
  • Versão de Análise: PlayStation Vita
  • Informação Adicional: Imagens retiradas do website oficial do jogo.

Por esta altura tanto Danganronpa como Monkuma já se tornaram em algo de culto para os fãs. Quem nunca teve a oportunidade de experimentar um jogo da série muito provavelmente deve ter ouvido falar de Monokuma, já que a Spike Chunsoft, a produtora da série, gosta de o meter em vários cross-overs com outros jogos. Mas para aqueles que não estão familiarizados, Danganronpa é bastante conhecido pela sua história, onde coloca jovens estudantes numa situação em que são obrigados a matarem-se uns aos outros, e é aí que o interesse começa a surgir.

Afinal de contas todos gostam de histórias onde é necessário desvendar um mistério, mas Danganronpa acaba por oferecer muito mais. Já que é necessário conviver com personagens que adoram mentir, fazendo com que seja necessário colocar os eventos em ordem. Essa acção acaba por fazer com que a nossa única preocupação seja descobrir quem será a próxima vítima e quem está por detrás desse acto. A própria história abre imensas questões sobre o que está a acontecer e a razão pela qual as personagens são forçadas a entrar este jogo mortal.

Após dois jogos principais, um spin off e uns quantos animes, a história iniciada em Danganronpa: Trigger Happy Havoc deu-se por terminada. Mas Monokuma é eterno e anos mais tarde finalmente chega Danganronpa V3: Killing Harmony com uma nova história para contar, novas personagens para conhecer e as habituais peripécias do urso preto e branco. Mas será que após todas estas entradas da série, Danganronpa continua fresco e interessante?

Tal como já foi dito, Danganronpa V3: Killing Harmony distância-se do que já conhecíamos, começando assim algo de raiz. O início desta nova história introduz-nos Kaede Akamatsu, a Ultimate Pianist, juntando-se a outros 15 Ultimate na Ultimate Academy for Gifted Juveniles, uma escola aparentemente criada a pensar nestes 16 estudantes para poderem melhorar a sua aptidão pessoal, no caso de Kaede é o piano.

Como é habitual a início as personagens estão confusas com o que está a acontecer, sem poderem lembrar-se de eventos recentes, e para ajudar a criar ainda mais confusão Monokuma aparece e cita a sua habitual frase de abertura, começando assim um novo semestre de matança, obrigando os estudantes a trabalharem em conjunto para escaparem todos juntos, ou a traírem-se uns aos outros para escaparem como os únicos sobreviventes.

Em Danganronpa para as personagens poderem escapar da sua situação, são oferecidas duas opções: a primeira é a de assassinar uma pessoa, tornando-se assim no “Blackened” e escapar ao julgamento sem ser identificado, a segunda opção é a de descobrir quem é o “Blackened”. Caso o Blackened seja identificado correctamente o grupo ganha o direito de viver mais um par de dias enquanto que o Blackened é punido (morto), caso contrário o Blackened escapa enquanto que todos os outros “participantes” morrem. Continuando com este loop até haverem apenas dois estudantes vivos, encerrando assim o jogo.

O jogo fica assim dividido entre três fases, “Free Time” onde o jogador pode passar o tempo a conviver com outras personagens para ficar a conhecê-las melhor, ou para explorar a Academia à procura de colecionáveis. “Investigation Phase” onde é necessário recolher pistas e informação relacionadas com o assassinato da vítima e álibis dos outros estudantes. E por fim a “Class Trial” onde através de vários mini-jogos a verdade vem ao de cima.

O “Free Time” não tem muito por onde fugir, basicamente o jogador decide se quer passar o tempo com uma das outras personagens, podendo oferecer presentes para aumentar a relação e assim ficar a saber um pouco mais sobre o seu passado e como a mesma se sente. Durante a “Investigation Phase” o jogador tem de investigar o cenário e falar com as outras personagens para recolher pistas, a série em si é simpática e por isso nunca existe forma de falhar algo, pois o jogo só avança quando todas as pistas forem recolhidas.

É então durante a “Class Trial” que a acção vai decorrer, e quem já jogou os jogos anteriores da série já sabe o que vai encontrar. Vários mini-jogos que tanto podem ser bons como extremamente maus, e neste novo jogo a tradição mantém-se, e para além de novos mini-jogos, os que regressaram receberam uma actualização, alguns deles para melhor e outros continuam a ser bastante chatos de se jogar.

Por exemplo durante o “Non-Stop Debate” agora temos a possibilidade de criar mentiras para enganar as outras personagens, fazendo-as cair nas nossas armadilhas ou defender alguém que esteja sob suspeita. Outra das novidades acaba por ser o “Mass Panic Debate” que basicamente é o mesmo que o “Non-Stop Debate” com a diferença de termos de ouvir 3 testemunhos ao mesmo tempo. É tão frenético quanto soa, mas ao mesmo tempo torna as coisas mais interessantes.

Fora das “Class Trials” a série continua igual aos jogos anteriores, a exploração da academia é feita em primeira pessoa, com novos locais a ficarem disponíveis à medida que se vai avançando na história. E uma vez que Danganronpa é uma visual novel, vão dar de caras com várias paredes de texto nos momentos em que a história está a acontecer ou quando decidem interagir com as outras personagens. O que me leva a falar dos vários estudantes presentes neste jogo.

Obviamente uns vão morrendo enquanto outros sobrevivem apenas para serem as próximas vítimas, mas mesmo assim apenas metade chega a ter algum tipo de destaque e a ficar na memória. Acaba por ser sempre um problema já frequente na série, com tantas personagens presentes não é possível destacar todas e então algumas acabam por não ter tempo de antena, enquanto que outras personagens têm um destaque moderado e por fim um par delas acaba mesmo por  sobressair das restantes pela positiva.

O mesmo se pode dizer dos Monokubs, os filhos de Monokuma que aparecem neste novo jogo. Monokuma continua a ser a adorável mascote que quer matar tudo e todos incluindo a quarta parede, mas neste jogo vamos contar com 5 pequenos Monokubs, cada um com a sua personalidade. Estas “crianças” tem os seus momentos, em especial quando estão a ter momentos desligados da história e com o seu tom de comédia, mas são a prova de que não existe mascote melhor que Monokuma para fazer com que Danganronpa seja popular.

Quanto à história do jogo, Danganronpa V3: Killing Harmony é a prova em como após vários anos, várias histórias cheias de reviravoltas, segredos impossíveis e de uma história melhor, que a série continua em alta. Esta franchise sempre gostou de brincar com a sua história e de trair as expectativas dos fãs com os seus vários twists inimagináveis, e esta nova entrada não é diferente, fazendo justiça ao tema central do jogo.

No entanto as coisas nem sempre andam a 100%, existindo um ou dois capítulos pelo meio que perdem o gás, não oferecendo muito para a história em geral para além de ajudar a personagem principal e algumas secundárias a crescer. Estes conseguem fazer um trabalho ainda melhor do que o que foi feito nos jogos anteriores.

Após a história principal ser terminada o jogador desbloqueia o habitual conteúdo extra. O conhecido “School Mode” regressa com o nome de “Salmon Team“, sendo um universo alternativo onde o jogo de matança não teve lugar e onde o jogador pode interagir com as outras personagens livre de preocupações. Para além da “Salmon Team” são introduzidos outros extras, “Talent Plan” e “Monokuma’s Test” onde todas as personagens dos três jogos principais estão presentes num jogo de mesa onde podem aumentar as suas estatísticas para depois poderem explorar uma dungeon com combates por turnos.

Sobre os aspectos técnicos, as personagens têm um bom design, enquanto que o cenário tem um aspecto interessante com raízes e erva espalhados pelo interior da Academia, mas algumas salas são bastante desinteressante. A banda sonora continua a ser excelente e um dos motivos pela qual Danganronpa é bastante conhecido, contando com remixes de temas familiares e nova música que está igualmente boa. No que toca à versão da PlayStation Vita é recomendável que façam download do “audio de alta qualidade” para terem uma melhor experiência. Fora isso encontrei um ou dois erros em que a mesma frase se repetia todas as vezes que entrava numa das salas onde uma personagem morrera anteriormente.

Danganronpa V3: Killing Harmony é mais um marco de sucesso para a franquia, a história consegue fazer um bom uso do tema central do jogo, acompanhado de uma excelente banda sonora e os mini-jogos apresentam uma melhoria em comparação às entradas anteriores, embora alguns possam continuar a aborrecer. Acabam por existir alguns momentos mortos ao longo do jogo, e algumas das personagens não têm um destaque tão grande quanto deviam, mas a oportunidade criada por este novo jogo é boa o suficiente para ser aproveitada para futuras entradas da série, sendo um jogo que vai dar que falar aos fãs durante os próximos anos.

Positivo:

  • Banda sonora continua a ser excelente
  • Monokoma continua a ser uma das melhores mascotes de sempre
  • Conteúdo extra após terminar o jogo
  • História continua fresca e com as suas reviravoltas…

Negativo:

  • …mas tem uns momentos mortos pelo meio
  • Algumas personagens não tem muito por onde ser pegar
  • Monokubs tanto podem ser um sucesso como um fracasso
  • Minijogos tanto podem entreter como aborrecer