Análise – Dakar 18

O Dakar é uma das provas de condução mais amadas pelos fãs de tudo o que seja competições sobre rodas. Não só é uma prova para quem tem coragem, como é uma das maiores demonstrações de tenacidade e resistência no que toca a todas as modalidades do género.

Apesar de ser um grande fã de Rally, confesso nunca ter dado muito da minha atenção ao Dakar, mesmo após as suas sucessivas alterações e transformações que sofreu ao longo dos últimos anos. Apesar de ser uma prova altamente apelativa, nunca foi uma que fosse fácil de adaptar ao universo dos videojogos.

Após vários anos de ausência, coube à Bigmoon Studios, companhia portuguesa, a oportunidade de criar um jogo com a licença oficial da prova. É um esforço de grandes dimensões e de louvar, embora Dakar 18 fique bastante aquém da epicidade que poderia alcançar.

Dakar 18 chega com as várias categorias já incluídas, ou seja, podem conduzir carros, camiões, motas, etc. Cada um deles reporta a uma velocidade, condução e comportamentos diferentes, além de que os veículos mais tripulados podem contar com co-piloto, enquanto as pessoas corajosas das motas e moto-quatro enfrentam o deserto apenas com o seu bloco de notas.

Ser piloto em Dakar 18 não é uma tarefa fácil. Além da condução em si, é preciso seguir as notas ou o co-piloto para chegar aos pontos de GPS e concluir esse checkpoint. É uma viagem que se pode transformar rapidamente num processo frustrante para quem não esteja de todo preparado. As notas e direcções são bastante simples e por vezes uns metros mais em frente sem virar para onde querem e o jogo começa logo a dizer que estamos a ficar afastados, sem dar uma ajuda em concreto além do “vamos voltar ao último ponto de referência”. Onde é que ele ficava mesmo? Estamos no meio do deserto. É quase tudo igual!

Dei por mim a ter de tentar perceber como Dakar 18 funcionava para conseguir criar uma análise justa. Os primeiros momentos não foram de todo agradáveis e como o joguei antes do patch maior que corrigiu algumas falhas, ainda tive de sofrer com alguns bugs visuais e de jogabilidade. Acredito que os fãs da prova vão estar muito mais preparados para perceber o que é pedido, mas todos os outros vão ter de passar obrigatoriamente pelos tutoriais para entender minimamente o que se passa. Felizmente existe um modo mais fácil onde temos (quase) sempre uma indicação na bússola para onde temos de ir. Curiosamente, esta adição torna o jogo em algo bem melhor.

O que não torna o jogo em algo melhor são as físicas e a detecção de colisão. Os carros e motas parecem sempre demasiado soltos ou que estão a deslizar sobre manteiga. Certas encostas são difíceis de subir, a par que a próxima mais inclinada já não é tão exigente, não faz muito sentido. As motas parece que estão sempre a dançar e não tentem jogar na primeira pessoa dentro delas, é um teste à vossa capacidade para lutar contra uma bela dor de cabeça.

Algo que me apanhou de surpresa também foi a duração das provas. Embora eu saiba que o Dakar decorre em zonas com muitos quilómetros, não estava à espera que o jogo me fosse obrigar a realizar provas com perto de uma hora de duração. A primeira vez que aconteceu tive mesmo de deixar a consola ligada para voltar depois da refeição que esperava por mim. Esqueçam as provas ao estilo Rally, as etapas de Dakar 18 conseguem ser mesmo longas.

Além das provas principais, Dakar 18 pode ainda ser jogado online, localmente em ecrã dividido e através de uma série de provas de caça ao tesouro que são ainda mais confusas, pois não existe propriamente uma indicação de onde os tesouros estão escondidos.

Curiosamente, Dakar 18 funciona bastante bem como uma recriação da prova, mas sofre de um problema ainda mais curioso. A experiência em si não é de todo a mais divertida e empolgante. Por vezes, é um jogo que mais parece trabalho do que diversão e isso rouba algum do brilho à experiência. Para piorar, entre cada prova ou mudança de menu somos brindados com tempos de loading que conseguem ser demasiado longos. Eu percebo que as pistas decorrem em áreas abertas e longas, mas é também um ponto de aborrecimento.

No que toca à apresentação, tenho de dar os parabéns à equipa pelo belo visual dos menus e da arte usada no geral. Em prova o visual já não parece tão “topo de gama”. O mundo é bastante simples e o detalhe não é nada de espectacular. O mesmo acontece com os veículos e pilotos que estão dentro do que seria esperado para esta geração, mas também podia ter um polimento maior. Os efeitos de luz estão bastante bons e são o que ajuda mais a dar o ambiente necessário ao jogo.

A construção sonora também deixa algo a desejar. Os sons parecem algo enlatados, especialmente quando os veículos parecem mais soltos ou no ar e o co-piloto parece sempre demasiado entusiasmado, mesmo quando repetiu a mesma indicação pela vigésima vez na mesma prova.

Dakar 18 é certamente um bom esforço por parte da sua equipa de desenvolvimento e utiliza bastante bem a licença. Por outro lado, não é exactamente um jogo que seja fácil de agarrar e jogar para quem não é fã, parecendo cada vez mais um trabalho do que um jogo em si. Isto faz com que Dakar 18 seja um jogo que não é ofensivo de forma alguma, mas que irá apenas ser uma compra valorizada pelos fãs mais acérrimos do Dakar, dispostos a fechar os olhos aos problemas mais óbvios do jogo.

Positivo:

  • Utilização da licença
  • Mapas vastos
  • Desafiante para os aficionados
  • Design dos menus
  • Ideal para quem gosta da prova

Negativo:

  • Trabalhoso ao ponto do aborrecimento
  • Vários bugs
  • Condução inconsistente
  • Loadings avantajados

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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