Análise – Corpse Party 2: Dead Patient (Chapter 1)

  • Plataformas: PC
  • Versão de Análise: PC
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Existe sempre aquele momento em que uma série chega ao fim e os jogadores perguntam-se se a produtora tem intenções de alguma vez regressar à mesma e se estará relacionado com a história anterior ou se será algo novo. Com a trilogia Heavenly Host Elementary que foi contada com Corpse Party, Corpse Party: Book of Shadows e Corpse Party: Blood Drive terminada, era altura de o foco finalmente virar-se para Corpse Party 2.

Na realidade Corpse Party 2 já havia sido lançado anteriormente, tendo sido até publicado antes de Corpse Party: Blood Drive (ambos foram produzidos na mesma altura), no entanto durante os quatro anos desde o seu lançamento em 2013 um remake sob o nome de Corpse Party 2: Dead Patient Neues foi publicado em 2017 no Japão, apresentando um novo engine que corrigiu vários problemas da versão original, novos visuais e até adicionou novos elementos de história. A versão Ocidental que foi publicada é então baseada no remake, contando com o primeiro capítulo (a única coisa que foi lançada até agora no Japão) e um capítulo extra.

O jogo tem então lugar na Amare Patriarcha Crucis Hospital, um novo cenário onde a nossa nova protagonista, Ayame Itou, acorda numa sala de operação sem qualquer memória de como foi lá parar ou de quem é. Encontrando um dossier com informação sobre a sua pessoa, Ayame decide procurar por alguém que a possa ajudar nesta situação macabra, excepto que a mesma depara-se com um hospital vazio e que parece ter sido virado do avesso, sem qualquer presença de alguém…vivo pelo menos.

Apesar de a história ter lugar 5 anos após os eventos finais da trilogia Heavenly Host e de situar-se no mesmo universo, os novos jogadores não necessitam de ter conhecimento prévio sobre a série para poder explorar Corpse Party 2. As única referências aos eventos e personagens dos jogos anteriores são o prólogo que apresenta uma curta cena com dois dos protagonistas da série original que até ao momento não estão envolvidos com a história, e o capítulo extra onde o jogador toma controlo de um dos outros protagonistas da trilogia principal, sendo que este também encontra-se preso no mesmo hospital que Ayame e na mesma situação que ela, com os dois eventos a terem lugar em simultâneo.

Quem pegou em Corpse Party: Blood Drive vai encontrar um aspecto familiar com a jogabilidade pois Corpse Party 2 também adapta o mesmo formato chibi 3D com inimigos presentes no cenário e que o jogador deve evitar, embora neste jogo essas entidades malignas não perseguem o jogador de um quarto para o outro, o que certamente será uma boa notícia para muitos. Uma novidade presente em Corpse Party 2 é a mudança feita ao sistema de itens, sendo que antes os jogadores coleccionavam itens que iam parar ao inventário e depois eram usados quando o jogador interagia com o elemento em questão que necessitava esse mesmo item; mas agora os jogadores necessitam de equipar um item de cada vez para usar, caso contrário nada irá acontecer.

Outra novidade é a presença de “boss battles”, estas feitas contra monstruosidades enormes e que o jogador necessita de desvendar a maneira correcta de os derrotar, embora uma vez o segredo tenha vindo ao de cima o padrão torna-se repetitivo e sem grande desafio. Os coleccionáveis estão de regresso, mas desta vez sobre o formato de documentos médicos que detalham os vários pacientes que deram entrada no hospital antes dos eventos que levaram à situação actual.

Algo que deixou-me bastante contente ao ver “regressar” (se ignorar-mos o facto que no Japão este jogo saiu primeiro que Corpse Party: Blood Drive) foram os “Bad Endings“. Estes estiveram sempre presentes na série, mas em Corpse Party: Blood Drive os maus finais eram um simples ecrã de Game Over após escolher uma má decisão, enquanto que nas entradas anteriores estes iam em detalhe, sendo até possível ficar preso num mau final logo no início de um capítulo. Corpse Party 2 apenas possui um “Bad End” mas este capta o espírito dos jogos originais que os velhos fãs certamente irão apreciar.

O jogo acaba por ser bastante curto, durando apenas duas horas, sendo a mesma duração que o primeiro capítulo de todos os outros jogos da série, mas neste caso isto é tudo o que temos até agora e ainda não existe notícia sobre o próximo capítulo, tornando-se numa situação semelhante a uns quantos outros jogos que foram divididos em capítulos ou que receberam promessas de uma continuação e que ainda hoje fazem os fãs esperar.

A exploração pode por vezes dar um ar de o hospital estar vazio, não em termos da falta de pacientes e funcionários (em especial tendo em conta que estes estão presentes ma não na forma que a protagonista desejaria ver), mas devido ao facto de alguns locais não apresentarem muito e de alguns serem simples corredores com portas (algo que é normal em hospitais). Este sentimento acontece devido aos jogos anteriores da série que apresentavam história e outros elementos em múltiplas oportunidades nem que fosse em pequenos quartos que o jogador explorava ao acaso, enquanto que em Corpse Party 2 a história tem uma direcção fixa e o hospital não tem muito para explorar e é pequeno, contando com apenas dois andares.

A história do jogo conta com os habituais altos e baixos da série, isto é, começa com elementos de horror e confusão para aterrorizar o jogador mas depois estes são esquecidos pois a história começa a ter uma maior presença e tornar-se cada vez mais interessante, largando assim o género de horror e tornando-se numa história de suspense. Neste caso temos apenas o início, onde somos apresentados a algumas personagens e situações que deixam questões sobre o destino das mesmas, qual o objectivo do que está a acontecer e também o que levou a certas caras ficarem presas nesta alhada. Não existe muito a absorver neste primeiro capítulo para além de breves encontros e de um entender do que está mais ou menos a acontecer.

Em relação ao seu aspecto técnico, este remake tem um melhor aspecto que a versão original e também apresenta uma melhor fluidez. A banda sonora continua a ter a marca da série, com certa parte a ter um certo elemento de suspense e horror enquanto que a outra metade apresenta música que normalmente não estaria presente num jogo do género mas que é igualmente boa e que agarra o jogador. O aspecto arruinado e abandonado da Heavenly Host Elementary apresentava a icónica ideia de um cenário de horror que tinha lugar numa escola, mas o hospital Amare Patriarcha Crucis Hospital não adapta esse conceito a 100%. Isto porque o local não está abandonado tendo em conta que os eventos são bastante recentes, e toda a confusão que existe é apenas a evidência de pacientes e funcionários que tentaram fugir a algo que não entendiam e também elementos de terceiros. Por vezes alguns caminhos que antes estavam bloqueados ficam abertos e vice-versa, indicando que de facto existe uma terceira facção que está presente e a controlar a situação.

Corpse Party 2: Dead Patient (Chapter 1) adapta novos elementos que o torna diferente dos jogos anteriores, forçando ainda mais a sua ideia de ser uma nova história apesar de contar com algumas referências para os fãs da série. O primeiro capítulo funciona como apresentação das personagens e do que está para vir, contando com a habitual marca da série mas que obviamente deixa os jogador a pedir por mais, tanto para a conclusão para esta nova história como para ver o que sairá do pequeno regresso de algumas das personagem dos primeiros jogos. Os fãs mais velhos irão gostar mas provavelmente ficarão desiludidos com o pouco conteúdo presente, enquanto que os novatos ficarão interessados na série, podendo experimentar os outros jogos enquanto juntam-se à linha de espera pelo próximo capítulo.

Positivo:

  • História e banda sonora continuam a apresentar a qualidade da série
  • “Regresso” dos “Bad Endings”

Negativo:

  • É apenas o primeiro capítulo desde 2013
  • Cenário podia sair maior ou contar com mais eventos

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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