Análise – Concrete Genie

  • Plataformas: PlayStation 4
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Concrete Genie é mais um daqueles jogos que emula um aspecto indie tanto em termos de visual, jogabilidade e temas ao adaptar uma produção de uma escala menor. Tal como muitos outros jogos que adaptam o estilo indie, este é outro que falha ao captar a essência por detrás dos mesmos. Não me interpretem mal, não estou a dizer que Concrete Genie é um jogo indie ou tenta ser um, mas simplesmente faz lembrar um devido a vários motivos e que não existia razão para a produtora ficar-se pela total simplicidade sem dar vida à sua criação ao contrário daquilo que os jogadores fazem durante a sua aventura pelo jogo.

A ideia por detrás de Concrete Genie é a habitual história de bullying com uma jogabilidade que tenta fugir um pouco do normal mas que não decide explorar a mesma para além da ideia principal, o que acaba por ser apenas uma oportunidade desperdiçada. O jogador possui cerca de quatro a cinco áreas que vai explorar, sendo o seu objectivo pintar, ou melhor dizendo, criar desenhos em locais específicos para poder progredir no jogo.

Infelizmente, isto é a pior parte da mecânica principal do jogo, estes desenhos são fixos, ou seja, o jogador não pode pintar ou desenhar livremente, sendo necessário seleccionar desenhos pré-determinados e colocar os mesmos nas paredes. Sol, flores, árvores e outros elementos semelhantes já estão presentes no jogo e é o trabalho do jogador pegar nos mesmos e “desenhar” na parede. A parte do desenhar não é o jogador criar o que bem entender mas apenas indicar a quantidade cópias que quer ou o tamanho de cada uma. O que seria então algo interessante e que poderia estar ao nível de outros jogos como Little Big Planet, Tearaway, Paper Mario: Sticker Star/Color Splash e muitos outros que já fizeram uso de ideias semelhantes acaba por ser um grande desapontamento e um enorme problema pois isto é o jogo. Isto foi a ideia principal na qual o jogo focou-se para o poder vender e não oferece aquilo que foi prometido.

Ora então, o objectivo do jogo é o de desenhar em localizações específicas e que são indicadas por um monte de lâmpadas apagadas. A maneira que o jogador possui para encontrar estas lâmpadas é o de constantemente abrir o mapa e observar para onde tem de ir, fazendo com que a falta de um mini-mapa, em especial para um jogo que basicamente é um “collect-a-ton” um erro fulcral. Pintando todos os pontos de interesse disponíveis desbloqueia então a próxima área que o jogador pode explorar, mas por vezes é necessário algo mais.

Para além de desenhos o jogador também pode criar “génios”, criaturas que ganham vida e as quais é possível alterar a aparência. Algo que parece engraçado e giro a início torna-se por vezes insuportável devido ao facto de o jogador ter de fazer de ama para estas criaturas. Basicamente irá haver algumas situações em que para progredir é necessário a ajuda destes génios, quer seja para empurrar algo grande ou interagir com uma caixa eléctrica, mas para isto é necessário chamar os génios até ao local em questão, excepto que estes por vezes param em certas paredes, quer estejam pintadas ou “brancas”, e pedem um desenho em específico, não saindo de lá até o jogador concluir este pedido. O problema é que por vezes o pedido inclui desenhos que o jogador não possui, obrigando este a abrir novamente o mapa e procurar por peças de desenhos que possa coleccionar até encontrar a peça certa para assim terminar a birra do génio e fazer este avançar. A certa altura combate é introduzido no jogo, mas este não é muito bom e é bastante básico, havendo apenas três botões para ataque e sem qualquer tipo de combos ou algo semelhante.

Isto é então o que irão encontrar durante o jogo todo. O jogo podia oferecer alternativas como criar desenhos que interagem mais com o ambiente para além dos poucos momentos em que os génios os fazem. Algo como desenhar uma ponte para poder atravessar entre dois caminhos ou outras formas de interacção com o cenário seriam interessantes. Concrete Genie podia também inserir uma opção para modificar um pouco os desenhos já existentes que o jogador utiliza quando está a pintar as paredes tal como acontece com os génios, tal como referi acima, existem outros jogos que já fizeram uso deste conceito e de uma forma mais engraçada.

Quando o jogador está a pintar as paredes a maneira em como isto é feito é com o giroscópio do DualShock 4, ou para os que não estão familiarizados com o conceito, necessitam de mover o comando para poder dar forma ao desenho, utilizando o triângulo para centrar o detector de movimento. Honestamente não é a melhor forma de o fazer e o jogo poderia oferecer alternativas como utilizar os analógicos ou até o touchpad nem que fosse para elementos secundários nestas secções. Falando em aspecto técnicos, as animações quando o jogador salta ou está a trepar edifícios fizeram-me lembrar nitidamente o pouco que joguei de Uncharted, afinal de contas ambos os estúdios pertencem à Sony, mas mesmo assim existem uns pequenos problemas com estas animações, não parecendo completamente naturais. E falando em natural, o estilo artístico decidido para as personagens não tem problema com a excepção das expressões faciais que ou estão a utilizar uma animação diferente ou contam com a framerate um pouco mais baixa, o que torna-se impossível de não notar e um pouco distractivo.

O cenário por si não tem um bom aspecto, afinal de contas cabe ao jogador dar cor com o seus desenhos, mas mesmo assim podia estar melhor construído ou contar com algo mais pois está completamente vazio e as únicas almas vivas que o jogador encontra são os seus bullies que de vem em quando irão perseguir o jogador. Em termos sonoros não existe nada especial e a única coisa a destacar são as cores néon dos nossos desenhos que atrai o olhar de qualquer um.

Concrete Genie é um jogo que teve uma ideia mas decidiu apostar nas categorias do costume ao invés de realmente tentar inovar com algo e tornar a jogabilidade mais interessante com a construção de desenhos. A história podia ser posta de lado ou até tomar um aspecto mais chegado ao fantástico e magia para dar ainda mais vida aos desenhos que são a mecânica principal deste jogo. Aquilo que nos é a apresentado não é nada novo, não que isso seja mau mas simplesmente o jogo não é especial, não possuindo nada que o destaque de outros.

Positivo:

  • Cores néon são sempre cativantes

Negativo:

  • Criação de desenhos podia ser melhor
  • Necessidades dos “Genies” pode ser irritante por vezes

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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