Análise – Conan Exiles

Para alguém que teve direito a ver a série animada de Conan quando era mais novo, não fazia ideia de quão violento e brutal era na realidade o mundo original de onde apareceu a série para crianças. Conan a sério é uma coisa para gente rija e com uma boa resistência a violência e até nudez.

Aproveitando a era rica de lançamentos dentro do género de sobrevivência, a Funcom lançou as mãos à série Conan na sua vertente adulta e criou toda uma experiência em redor do que seria sobreviver no mundo de Conan, partido do nada e construindo um império poderoso e recheado de lacaios. A início a experiência não correu muito bem, mas agora que o jogo já saiu da sua era de Early Access, é possível fazer um julgamento final.

Apesar de ter vários tipos de jogabilidade e níveis de dificuldade, Conan Exiles não procura ser um jogo fácil. Quer joguem sozinhos ou em servidores com mais pessoas, este é o estilo de jogo que vos castiga constantemente e obriga a pensar duas vezes antes de agir e arriscar demasiado. É o mais próximo que encontrei de um Dark Souls dentro dos jogos de sobrevivência e com parecenças que vão além do básico “ser difícil”.

Tudo começa com a criação da personagem (com direito a nudez e tudo), a partir daí somos atirados para o mundo de jogo onde os primeiros passos passam por criar instrumentos, arranjar roupa e materiais para construir coisas importantes, como armas e “sacos cama” para deitar a nossa personagem e criar pontos de respawn (e sim, temos de ir recuperar ao nosso corpo o que temos quando morremos). Existem muitos recursos espalhados pelo mundo, mas nem tudo é altamente intuitivo. É fácil não encontrar o que procuramos e ser abordados por selvagens ou monstros com a barriga a dar horas.

O combate é bastante simples e dentro do conceito de um jogo de acção convencional. Podem atacar, rebolar, defender, entre outras coisas habituais. Pelo caminho existem coisas que também precisam de combater, como a fome e sede que se transformam num desafio extra. Infelizmente, tanto o combate como a exploração são vítimas de alguns bugs estranhos e até alguns problemas na detecção de colisão, o que me fez ficar preso em alguns locais ou não conseguir bater num inimigo por estar “demasiado longe” quando este estava colado a mim.

Depois das primeiras horas de trabalho mais árduo, Conan Exiles começa a fazer cada vez mais sentido e algumas coisas acabam por ir ao sítio. Uma dessas coisas é a construção, que nos permite criar edifícios e todo o estilo de coisas necessárias para erguer o vosso império. A construção está bem criada e é bastante intuitiva. Gosto do facto de ser até possível construir em redor de estruturas e obstáculos naturais, dando um aspecto mais humano e menos formatado às cidades.

Claro que não existe forma de evoluir as cidades sem trabalho “bem pago”, para isso é preciso explorar o mundo para encontrar Thralls, personagens aprisionadas que oferecem uma série de funções e benefícios à vossa aldeia. É um sistema quase ao estilo Pokémon que ajuda imenso durante a aventura. Estes conferem melhorias e funções extra às cidades, indo de criação de equipamentos, até à produção de recursos.

Como mencionei antes, Conan Exiles pode ser jogado sozinho ou online. Claro que jogar com outras pessoas é mais interessante, mas apenas recomendo se tiverem amigos, pois as pessoas online estão mais interessadas em chacinar os outros do que ajudar. Por isso mesmo, passei grande parte do meu tempo offline a tratar da minha vida e da minha aldeia ao meu próprio passo e urgência. Além do mais, ser alvo de ataques de titãs violentos é bonito, mas nada simpático para o nosso progresso.

Embora algumas das imagens e trailers promocionais de Conan Exiles sejam bastante apelativos, o jogo em si está bastante longe de ser visualmente espantoso. Mesmo que tenha alguns detalhes de qualidade, alguns elementos climatéricos bem conseguidos e boa iluminação, grande parte dos compostos dos cenários, modelos de personagens e outras coisas que tal, usam um detalhe bastante simples e texturas bastante fracas. A fluidez é por vezes também assaltada, perdendo alguns frames pelo caminho.
O trabalho sonoro está bastante decente com vozes bem feitas, boas músicas e som ambiente que resulta bastante bem.

Conan Exiles começou de forma bastante tremida durante a sua fase em Early Access, mas o tempo de desenvolvimento foi bem aproveitado. Não é que seja um jogo fantástico, mas dentro da categoria de acção e sobrevivência (que nem é dos meus favoritos), é um dos melhores e mais completos que já joguei. Se são fãs de jogos do género e estão dispostos a fechar os olhos aos problemas mencionados nesta análise, então vão ter um tempo bem passado.

Positivo:

  • Tema bem aproveitado
  • Mundo interessante
  • Construção
  • Gestão da cidade
  • Podem jogar sozinhos ou online
  • Invocar titãs é imponente

Negativo:

  • Visual com muitos baixos
  • Problemas com bugs e colisão
  • Início pouco intuitivo
  • Online é altamente injusto

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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