Análise – Capitão Marvel (Captain Marvel)

Estamos a caminhar a passos largos para o grande desfecho da saga de Thanos (ou assim pensamos), que tem estado a decorrer há algum tempo nos filmes do universo da Marvel. Desde que Avengers Infinity War estreou que temos tido acesso a histórias que ligam os pontos que levam até Avengers: Endgame. O mais recente dessa linhagem é Captain Marvel.

Se como eu, nunca ligaram muito a esta heroína, então vou evitar ao máximo grandes spoilers. Aquilo que precisam de saber é que Brie Larson faz o papel de uma Kree, uma raça extraterrestre altamente evoluída que combate os terríveis Skrull. Entre trocas e baldrocas, Vers (Brie Larson) vai para à terra e vai travar algumas amizades rebuscadas, sendo a principal, Nick Fury (Samuel L. Jackson).

A parte mais interessante de Captain Marvel é que tem lugar no passado, na década de 90, o que quer dizer que estamos numa época mágica onde a tecnologia ainda estava no início do seu boom informático e a música era do mais pop-rock e grundge que se podia encontrar. Por isso mesmo, tudo é construído de forma coerente para que uma Kree tenha alguns choques culturais com os humanos ainda apavorados com uma personagem que consegue disparar energia pelas mãos.

Tenho de dizer que o início do filme ainda me deixou um pouco reticente. A história é contada de forma lenta e pouco interessante. Bem sei que é complicado conceber histórias de origem que pareçam interessantes e inéditas, mas não estava a sentir qualquer ligação com a personagem. Isso só começa a melhorar quando a Vers chega à terra e tem de interagir com os outros seres humanos. Quanto mais o filme avançava, mais me sentia à vontade com o que me estava a ser mostrado, acabando por se tornar numa experiência bastante satisfatória que acaba por criar boas ligações e oferecer mais algum contexto ao universo.

Para que o filme funcione melhor, é importante frisar que a vasta maioria dos actores faz um bom papel. Os humanos estão bastante bem, assim como os Skrull, sendo o elo mais fraco a maioria dos outros Kree. Até mesmo o Jude Law parece um pouco perdido no seu papel que parece nunca chegar um lugar específico. Muitas das personagens secundárias carecem de exposição e motivação para algumas das suas acções, o que gera algumas trocas de galhardetes vazias que faziam mais sentido se houvesse mais contexto para as suas intervenções. Existe também uma força antagonista extra que foi claramente mal aproveitada e que mais valia nem estar cá a encher tempo de antena.

A escrita está bem feita e explorada, com um seguimento bem feito. Captain Marvel tenta sempre encontrar um compromisso entre ser divertido e algo sério (sem nunca chegar sequer perto dos níveis da DC). Algumas das piadas são bem entregues, mas existe alguma estranheza a início, muito por culpa de estarmos a tentar perceber qual a postura da Vers no meio disto tudo e qual é o humor que realmente lhe pretendem aplicar. Por isso mesmo, tudo parece melhor mais próximo do final onde as personagens começam a encontrar os seus espaços.

Como seria de esperar, visualmente Captain Marvel é mais uma grande produção dos estúdios da Marvel e dos cofres ilimitados da Disney. Seja na recriação do nosso planeta nos anos 90, passando por planetas distantes e batalhas espaciais, até ter uma personagem em chamas que é capaz de voar e fazer outras coisas dignas de um Deus, Captain Marvel parece sempre bonito (embora que escuro em zonas mais fechadas). Os efeitos especiais são de topo e como seria de esperar, o mesmo acontece com o guarda-roupa e afins. Só me incomoda a sério a quantidade de vezes que o cabelo da Brie volta quase que magicamente ao estado “bonito”.

Em relação ao departamento sonoro, temos uma banda sonora típica de filmes de super-heróis que não distrai e faz muito bem o seu trabalho. Por outro lado temos uma selecção engraçada de músicas dos anos 90 que me trouxeram alguns sorrisos. Parece que a Marvel adora ir buscar referências de época para explorar nos seus filmes.

Como disse antes, nos dias que correm, é cada vez mais complicado fazer um filme de origem, especialmente para super-heróis. Captain Marvel tenta fazer a coisa de forma ligeiramente diferente e mais controlada, por isso acaba por crescer lentamente e nunca atingir um climax verdadeiramente poderoso. O resultado é um filme que cresce em nós e que vai deixar qualquer fã do género satisfeito. Agora já estamos preparados para o Avengers: Endgame.

Positivo:

  • Boas personagens principais
  • Muito bom aspecto visual
  • Usa bem os anos 90…
  • …O que inclui boas músicas
  • Mais pano de fundo para o Endgame

Negativo:

  • Demora tempo a agarrar
  • Humor nem sempre parece em sintonia
  • Ameaças extra dispensáveis

 

 

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebook

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.