Análise – Call of Duty: WWII

Com vários estúdios a trabalhar em Call of Duty, era de prever que a Activision continuasse a lançar um novo jogo todos os anos. A promessa foi essa e é cumprida este ano pela Sledgehammer Games que em conjunto com outras companhias, voltou às origens criadas pela Infinity Ward para criar um FPS com tema da segunda guerra mundial.

É estranho ver, depois de tantos anos, um regresso tão desejado a esta era, afinal, o ambiente moderno e futurista só ganharam espaço quando todos começaram a acreditar que a Segunda Guerra já estava mais que gasta. Com os vizinhos do lado a recriar episódios da primeira grande guerra, Call of Duty: WWII podia aproveitar a boleia ou cair no erro da cópia.

Felizmente ou não, Call of Duty: WWII é muito igual a Call of Duty, em especial às versões mais modernas, pois o sistema de jogo continua a ser o mesmo que foi criado em Modern Warfare e tem vindo a dar cartas até hoje.

A oferta continua a ser a mesma, existe uma campanha com uma história que conta alguns episódios da Segunda Guerra mundial, um modo Zombies que aproveita o tema dos Nazis para criar o seu ambiente e claro, o modo online que continua a ser o verdadeiro motivo pelo qual 90% dos jogadores compram um Call of Duty e foram comprar este.

Como eu faço parte da minoria, comecei por aquilo que mais gosto e não fiquei de todo arrependido. A campanha deste ano é bastante boa e consegue recrutar um grupo de soldados que vale a pena acompanhar até ao fim. Mesmo que o jogo perca algumas boas oportunidades de criar uma ligação maior entre os jogadores e as personagens, consegui manter-me preso à trama. Dando destaque a alguns episódios verdadeiramente interessantes, maior parte da campanha acaba por ser muito igual ao de sempre. Matar tudo o que se mexe, seguir caminho, repetir e de vez em quando saltar para um veículo ou sobreviver a uma explosão ou Quick Time Event (os quais são confusos de realizar devido à forma como tudo treme).

Caso sejam novos nisto, a campanha é seguramente a forma ideal de começar e aprender os básicos. A maior diferença comparada com o online é o facto desta vez os packs de vida estarem de regresso e de a jogabilidade ser um pouco mais lenta e cuidada, mesmo que Call of Duty: WWII também seja bastante mais lento no online do que nos últimos jogos.

Passando então para o online, gostei de ver que agora o jogador já não está apenas preso aos menus e existe toda uma nova zona para explorar enquanto esperam pela partida. Esta base está recheada de pessoas para falar e coisas para fazer, como aceitar missões, experimentar os Killstreaks, comprar armas, entre outras coisas. De notar que por altura desta análise, algumas coisas ainda não estavam disponíveis, mas as infames Loot Boxes já podiam ser adquiridas e abertas em frente aos outros jogadores.

Ao entrar no online, são convidados a escolher uma de várias classes para alistar. Embora não fiquem presos a ela, existe um ranking para subir, assim como mestria com as armas. Aquilo que escolhem é apenas um mote para começar a jogar e perceber o que cada classe faz e que armas usa. Os veteranos não vão precisar destas dicas, mas os mais novos vão perceber melhor como as armas e habilidades podem conviver.

Como já referi, o online de Call of Duty: WWII é bem mais lento que os mais recentes. Mesmo não o sendo, este jogo fez-me recordar alguns dos belos tempos que passei a jogar Call of Duty 4: Modern Warfare, o que é uma mais valia. As armas não são demasiado exageradas, não existem saltos malucos pelas paredes e tudo parece mais pesado e mais humano, o que é sem dúvida a melhor forma de jogar CoD.

Os modos clássicos estão todos de volta e existe agora o War Mode, um modo por objectivos que tenta fazer com que todos trabalhem em equipa. É um modo que faz lembrar o Warzone de Killzone e que me pareceu uma boa adição à lista de partidas. De qualquer forma, continuo a preferir as minhas doses de Domination e Kill Confirmed que ao menos fazem com que os coelhos saiam da toca.

Por fim, temos o modo Zombies que também faz o regresso ao passado com uma série de vagas de Zombies Nazi. Se são fãs do modo zombies original, é quase certo que vão gostar deste. Quando comparado com o do ano passado, estes Zombies são mais divertidos de matar e o ambiente é mais opressivo, mas foi para mim dos modos menos interessantes e onde passei menos tempo durante a análise.

Para este ano temos um trabalho bastante bom no que toca ao departamento visual. Existem umas cinemáticas bastante catitas e uma boa qualidade nos modelos e cenários, embora alguns tenham algumas texturas menos polidas. A banda sonora é bastante boa e as vozes das personagens estão muito bem conseguidas no geral.

Call of Duty: WWII é sem sombra de dúvida um bom regresso às origens, embora seja claramente o mesmo Call of Duty dos últimos anos, agora com uma roupagem retro, mais ao estilo de Call of Duty World at War. Gostei bastante da campanha e o online mais lento está exactamente como deve ser, o que ao menos dá tempo para respirar durante as partidas.

Call of Duty: WWII não está ao nível dos Modern Warfare, mas é seguramente o melhor dos anos mais recentes. O facto de ter regressado à segunda guerra dá-lhe um ar de algo novo, mas a edição do ano que vem não pode depender apenas de uma alteração temporal. Está na altura de Call of Duty ter coragem de mexer nas fundações e mostrar novos truques no próximo ano.

Positivo:

  • Campanha com vigor
  • HQ é uma boa adição ao online
  • Jogabilidade mais pesada
  • War Mode

Negativo:

  • Mesmo conteúdo de sempre
  • Online com conteúdos inacabados
  • Campanha com final anti-climático

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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