Análise – Call of Duty: Modern Warfare

Quando a PS3 chegou ao mercado, ainda nem eu fazia parte da indústria de forma directa. Era um consumidor ávido de videojogos, mas tinha apenas a minha PS2 e a minha consola portátil da Nintendo (Game Boy Advance talvez?). Apesar de querer a consola há muito tempo, foi o trailer de Call of Duty: Modern Warfare que me fez avançar de vez. Não me arrependi uma única vez, seja pela campanha ou pelo multijogador que era uma revolução do género.

Nos últimos anos, Call of Duty deixou de ser o que era. A campanha foi lançada para segundo plano, o online passou a ser o foco e a série deixou de ser a referência, para passar a ser aquele que corre atrás do que os outros andam a fazer. Até um modo Battleroyale teve de ser incluído forçosamente no ano passado, tudo isto sacrificando a campanha.

Por isso mesmo, estava desejoso de jogar o novo Call of Duty: Modern Warfare e ver se o regresso às origens tinha sido feito com o brio do passado. Depois de jogar a campanha e passar pelos modos cooperativos e competitivos, posso dizer que este jogo é certamente o melhor desde Call of Duty: Modern Warfare 3.

Call of Duty: Modern Warfare conta uma nova história de um ponto de vista, trazendo de volta o veterano Captain Price e algumas personagens que se cruzaram com ele. A juntar à história temos duas novas personagens que vão desempenhar missões em localizações diferentes. Infelizmente a campanha parece algo desajustada. Em outros Modern Warfare fazia sempre sentido o local para onde estávamos a ser levados e a intenção de cada inimigo. Aqui não só existem saltos temporais algo estranhos, como o vilão não é nada por aí além.

Tal como prometido, este jogo tenta mostrar por diversas vezes os terrores da guerra e a crueldade que ela envolve, isso faz com que surjam algumas missões muito boas. Uma das minhas favoritas tem lugar em Londres, onde passamos a pente fino uma casa cheia de terroristas, usando apenas visão nocturna. Existe outra onde infiltramos uma base com a liberdade para agir como queremos até descobrir quem andamos à procura. Algumas das missões com a facção rebelde do Médio Oriente são bastante fortes no que toca a conteúdo explícito, dando razões às personagens para lutar. Não são as melhores missões da série, mas são bem melhores que quase todos os jogos que não usam Modern Warfare no nome.

Quando a campanha termina, esta continua de forma artificial no modo Spec Ops, uma série de oportunidades de jogar de forma cooperativa com outros jogadores. Pessoalmente, gostei de jogar mais no modo survival, isto porque seja num formato ou outro, cada um dos modos acaba sempre por funcionar por vagas de inimigos. Como nem sempre todos os jogadores estão bem coordenados ou tentam ajudar os colegas, acabei por entrar em partidas onde cada um estava virado para o seu lado e depressa morremos todos. É bom para passar o tempo, mas pela primeira vez em muito tempo posso dizer que preferi passar depressa para o online.

Se é para morrer sem ter grande tempo de resposta (pelo menos para mim), o online de Call of Duty: Modern Warfare até que está mais próximo daquilo que era o conceito original, especialmente por estar um pouco mais lento do que os últimos jogos. O combate é muito mais humano e pesado, embora alguns confrontos directos continuem a ser duvidosos (no mínimo). Aqui temos uma boa mistura entre modos clássicos e algumas novidades. No que toca aos clássicos, os melhores como Domination e TDM estão de volta, este último com variação para mais jogadores. Tenho pena que o Kill Confirmed não esteja cá desta vez disponível nas partidas normais, pois é dos modos que fazem com os coelhos saiam das suas tocas.

Quando Call of Duty: Modern Warfare não resolve inventar demasiado a coisa corre bem, por isso não consigo dizer que tenha ficado fã do Ground War, que envolve uma data de jogadores e veículos em cenários de larga escala. É uma espécie de modo à Battlefield onde me senti mais vezes carne para canhão do que nos outros modos. Também não ajuda que os mapas não sejam dos melhores que o género tem para oferecer, o que é irónico, sendo que os mapas dos modos mais pequenos são bastante bons.

A estes modos online temos ainda a adição de uns novos dedicados à procura de armas em arenas pequenas, jogabilidade nocturna, um modo onde não existem respawns e o regresso de um modo realista onde não existem mostradores nem bússolas para ajudar o jogador. Existe uma evolução constante do jogador e à medida que progridem vão desbloqueando mais armas, personalização e Killstreaks que dão aquela vantagem injusta à equipa que já está a ganhar (não nos queixamos quando é para a nossa equipa, claro).

Uma coisa onde Call of Duty: Modern Warfare evolui a série é no seu departamento visual, tal como o primeiro Modern Warfare, este é o jogo que leva a série para um novo patamar visual e deverá ser a base para os novos jogos que devem chegar na próxima geração. Existe muito detalhe tanto a nível de cenários como personagens, mas os jogos visuais com a luz (ou ausência da mesma), são muito bons. A nível sonoro, temos o trabalho do costume no que toca a sons de armas e afins e um bom conjunto de vozes para as personagens mais importantes, embora não chegue a um plano de Hollywood.

Call of Duty: Modern Warfare é o regresso às origens que toda a série precisava. Mesmo que não seja um jogo obrigatório e ainda se note preso a algumas das conveções mais actuais, é a oportunidade perfeita para a franquia encontrar o rumo e perceber o porquê dos primeiros Modern Warfare terem sido tomados como referência.

Positivo:

  • Bom motor visual
  • Regresso aos conceitos que definiram a série
  • História com bons momentos
  • Online mais lento e focado

Negativo:

  • Organização confusa da história
  • Faltam modos clássicos ao online
  • Special Ops é esquecível

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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