Análise – Burnout Paradise Remastered

Se existe algo de que a indústria de videojogos pode gabar alegremente, é da sua capacidade para improvisar e seguir ideias que não iriam correr lá muito bem em outros meios. Se já existiam jogos de carros e jogos de luta, porque não misturar os dois numa espécie de estranha harmonia? Foi assim que nasceu Burnout.

Embora a parte da luta seja claramente uma hipérbole para o que Burnout oferece, a verdade é que esta é uma série única com um estilo e energia invejáveis. Foi isso que a EA tentou levar para Need for Speed, mas com um sucesso misto.

É com a chegada de Burnout Paradise Remastered, um jogo lançado no início da geração passada, que se consegue ver o quão simples eram os tempos mais remotos. Sem grandes exageros, Burnout Paradise Remastered é seguramente um dos melhores jogos de corrida disponíveis para a PS4 e Xbox One e isso é um mau sinal.

A conversão para a nova geração engloba tudo o que esteve no jogo clássico, com todos os DLC lançados, uma apresentação melhorada e 60fps constantes. Com apenas estes condimentos simples, Burnout Paradise Remastered consegue fazer mais e melhor do que a maioria dos jogos com carros que foram lançados nos últimos anos no que toca a divertir o jogador.

O ponto chave de Burnout e a lição deste Remaster, é que demonstram facilmente que alguns dos jogos do género seguiram caminhos bem mais sérios, transformando a diversão em trabalho ou em algo mais sério. Burnout Paradise Remastered faz regressar a diversão livre e descomprometida do passado, sendo difícil de o largar.

Se nunca jogaram um Burnout, vão perceber depressa que o que importa é vencer a todo o custo, seja isso ser o mais rápido ou usar os adversários como arma de arremeso para ganhar mais boost. No entanto, existem modos onde o importante é mesmo destruir os outros ou não ser destruído. O curioso é que não é um jogo “feio” de se ver, pois parece que tudo decorre com uma camada de classe e de estranha beleza.

Como o jogo foi construído para ser uma metrópole viva e dinâmica, é fácil acabar uma prova e entrar de imediato em outra, fazendo o jogador perder a noção do tempo. Como a variedade das provas e a construção da cidade é fantástica, demora algumas horas de jogo consecutivas até que o jogador comece a notar a repetitividade, mas por essa altura já jogaram o suficiente para encher um dia e ficar com vontade para jogar no dia seguinte.

Tendo todos os DLC inclúidos, existem uma série de provas e carros que foram adicionados, sem contar que também existe quase que um jogo completo para as motas, que adicionam novas formas de conduzir e também novas provas. Se o jogo original já era longo, com tudo isto, a longevidade fica ainda maior, com maior impacto para quem nunca o jogou claro.

A passagem para a actual geração faz com que Burnout Paradise Remastered pareça mais rápido e também bonito, mas também chama à atenção para os elementos menos “vivos” do jogo, como a ausência de condutores nos carros, algumas áreas mais vazias e zonas que podiam ter um pouco mais de trabalho. Curiosamente, tudo o que é música e vozes parecem estar no mesmo sítio, com as músicas originais da altura e o regresso do DJ Atomika, que é tão mau que continua a ser bom.

Burnout Paradise Remastered é um retratamento bem feito, mas também acaba por ser sem dar por isso, uma grande chamada de atenção. Este é o estilo de jogo que demonstra que nem tudo precisa de ser uma grande produção ou estar pejado de histórias que só servem para encher. Espero que este regresso marque também a chegada de um novo Burnout e que a EA se lembre que existe sempe espaço para a diversão simples e imediata.

Positivo:

  • Bom retratamento visual
  • Jogabilidade viciante
  • Fluidez entre provas
  • Muito conteúdo para jogar
  • Simples e eficaz

Negativo:

  • Parece menos humano agora
  • Nada de realmente novo
  • Um remaster apenas em 10 anos? Shame!

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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