Análise – Blood & Truth

Mesmo que não seja uma tecnologia que serve para todos os estilos de jogadores, a realidade virtual nos videojogos tem vindo a conquistar adeptos, especialmente no PC, onde a oferta é vasta e até possível de ser remexida.

Entretanto, a Playstation continua a apostar no seu universo VR com lançamentos com resultados mistos, muitos dos quais ficam aquém do que é esperado. Assim sendo, a Sony deu liberdade aos estúdios que criaram London Heist para o VR Worlds para desenvolver um jogo de alto gabarito que fosse um dos grandes pontos altos do PS VR. Assim nasceu Blood & Truth.

Tal como promete, Blood & Truth é um jogo ao estilo de um blockbuster de Hollywood, com muitos tiros, explosões, perseguições e tudo aquilo que faria o Jason Statham orgulhoso. A história tem umas quantas conspirações e revelações por trás, mas mesmo não sendo fantástica ou inesperada, cumpre dentro do molde.

Infelizmente, Blood & Truth varia ente dois universos de jogabilidade, aqueles em que seguimos as acções lineares e tudo corre lindamente e aquelas em que temos de interagir com o cenário e aqui a coisa começa a falhar espectacularmente.

Para começar, o Dualshock 4 não é certamente a melhor forma de jogar, isso fica a cargo dos Move, mas para o fazer é mesmo preciso que tenham os dois, caso não tenham, o jogo pensa que sim e vão ter a companhia de uma mão solitária a pairar sobre a vossa visão, como que acabada de sair da família Adams. Com muita pena minha, até nem é possível usar o comando Mira, o que é uma oportunidade perdida.

Depois temos toda a interacção, que não funciona lá muito bem. Subir escadas é lento e desengonçado, tentar retirar coisas da mala não é prático e dei por mim a não conseguir interagir com alguns elementos do cenário porque simplesmente as mãos não queriam chegar ao ponto de contacto. Tem piada para quem está a ver claro, mas não deixa de ser um teste à paciência de quem joga.

Quando estas sequências dão o salto para situações de tiroteios ou perseguições, Blood & Truth ganha uma nova faceta e uma que vale a pena experimentar, especialmente com os Move, pois a acção é explosiva e divertida. Alguns momentos são verdadeiramente dignos de um filme de acção a sério.

Apesar de ser uma experiência bastante bem estruturada, Blood & Truth acaba bastante depressa, embora ainda existam coisas para fazer após ver os créditos. Existem coisas para coleccionar e desafios dentro das missões, mas nada que seja para prender o jogador durante muito tempo.

Graficamente, há que dar os parabéns à London Studio por ter criado um jogo com bom aspecto em VR e acima de tudo, por ter criado alguns dos modelos de personagens mais genéricos que podia haver. Não falo isto de forma depreciativa, pois é exactamente o que estaria à espera de ver num filme com mafiosos e assassinos a contrato. A banda sonora é bastante boa e faz boa pandilha com a acção. As vozes são francamente melhores em inglês, mas a versão portuguesa é bastante positiva.

Blood & Truth é o nome ideal que podiam ter usado para descrever este jogo. Se por um lado temos toda a acção e violência explosiva deste estilo de filmes, depois temos a verdade e a verdade é que a jogabilidade deixa bastante a desejar, especialmente quando o jogo tenta dar alguma liberdade para nos mover ou interagir com o ambiente. É uma boa experiência, mas tem demasiadas falhas que o impedem de ser uma referência.

Positivo:

  • Bom nível de acção
  • Recriação do ambiente mafioso
  • Secções de tiroteios

Negativo:

  • Demasiados bugs
  • Exploração frustrante
  • Precisão bastante incoerente
  • Não usa o comando Mira

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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