Análise – BlazBlue Cross Tag Battle

O lançamento de um novo jogo de luta é sempre uma boa oportunidade para proporcionar mais momentos de alegre disputa entre amigos e aguerrida rivalidade online. Especialmente em jogos mais técnicos como os da Arc System Works.

Tudo isto fica ainda mais interessante quando se juntam universos distintos com mecânicas e temas distintos. BlazBlue Cross Tag Battle é um bom exemplo disso, misturando BlazBlue, Persona 4 Arena, RWBY e Under Night In-Birth, tudo isto num Mix bastante empolgante.

Mesmo gostando do trabalho da ASW e dos universos envolvidos (não sou assim tão versado em RWBY), torci o nariz a BlazBlue Cross Tag Battle muito por culpa de toda a controvérsia associada aos DLC. A verdade é apenas uma, estamos perante um grande jogo de luta, mas um que podia ser muito mais se não entrasse em gestão de conteúdos altamente duvidosa.

BlazBlue Cross Tag Battle foi lançado claramente como um produto inacabado e isso pode ser visto de imediato com a quantidade de personagens DLC que não foram incluídas e o número de modos disponíveis. Existe uma campanha por episódios que seguem um percurso similar entre personagens, modo treino, sobrevivência, teste de habilidades e o online. Tudo isto pode ser acedido através do menu principal que funciona ao estilo do de Dragon Ball Fighterz.

Mesmo que misture personagens de outros jogos da ASW, foi feito um bom trabalho para misturar tudo neste jogo. Em vez de seguir um dos jogos como modelo base, foi aplicado um sistema de combos e trocas em tempo real que incentivam o jogador a tentar perceber a melhor forma de gerir cada personagem, equipa e timmings para cada ataque. Curiosamente, é um jogo fácil de jogar, mesmo para novatos, mas deixa sempre espaço para se poderem criar veteranos em modos de combate mais avançados.

Como seria de esperar, BlazBlue Cross Tag Battle tem um foco maior no universo de BlazBlue, deixando cada um dos restantes num estado mais “vazio”. Quando liguei a consola pela primeira vez, sem qualquer DLC adicionado, RWBY tinha duas personagens e tanto Persona como Under Night in-Birth tinham pouco menos de meia dúzia, o que é no mínimo estranho. A representação não parece exactamente igual e frustrante encontrar personagens no modo campanha que foram feitas para ser compradas. Ou seja, acabaram de comprar um jogo que não está completo e algum do conteúdo presente está bloqueado atrás de ainda mais dinheiro. É vergonhoso.

O pior de tudo isto é que o combate de BlazBlue Cross Tag Battle é bastante bom. O sistema de utilizar duas personagens funciona bem e as personagens parecem bastante equilibradas (mesmo que uma ou outra sejam claramente mais fortes ou exageradas em termos de alcance e ataques). As combinações possíveis são interessantes de explorar e há sempre lutadores com os quais vão conseguir simpatizar logo a início.

O jogo online usa aquilo que é esperado do género. O código de combate funciona bastante bem e é raro apanhar partidas com lag ou problemas de ligação. De qualquer forma, ainda é assombrado por rage quitters que não são penalizados de forma severa.

É com alguma pena constatei que o visual de BlazBlue Cross Tag Battle está mais perto dos jogos clássicos da ASW do que dos mais recentes, como Guilty Gear Xrd ou Dragon Ball. O novo aspecto em 3D animado é fenomenal e bem mais deslumbrante do que os sprites que são usados. De qualquer forma, consigo perceber o porquê neste mix estranho. A música reúne as melhores faixas de cada série e existe espaço para vozes em japonês e inglês. Se jogarem em inglês, em especial, preparem-se para um trabalho falhado no que toca a sincronizar as palavras com os lábios das personagens.

A nível pessoal, sou da opinião que os combates podem acabar demasiado depressa, remetendo logo para o menu de selecção. Não seria nada mau ter a oportunidade para meter rounds de forma livre. Tanto eu como as pessoas que jogaram comigo sentiram o mesmo.

BlazBlue Cross Tag Battle é um jogo de luta em 2D clássico, que acaba por ser afectado por práticas terríveis do mercado actual de videojogos. Mesmo que apareça à venda por um valor mais reduzido, nada justifica ter várias personagens bloqueadas por DLC no dia de lançamento e elencos totalmente desfalcados por personagens que chegam mais tarde (felizmente de graça no caso de RWBY).

Como fã de jogos de luta, é óbvio que é um jogo que me enche as medidas, mas não consigo olhar para o todo e sentir-me realmente satisfeito. Espero que o público seja duro o suficiente com o jogo para que a Arc System Works não prejudique mais um bom lançamento à procura de mais dinheiro.

Positivo:

  • Boa mistura de universos
  • Combate equilibrado
  • Funciona para novatos e veteranos
  • Online com boas ligações

Negativo:

  • Personagens bloqueadas por DLC
  • Lutadores não incluídos à partida
  • Podia usar motor 3D da ASW
  • RWBY é que sofre mais em conteúdo

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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