Análise – Bayonetta [Switch]

Bayonetta é uma série que caminhou no limbo durante algum tempo ainda que a qualidade do original seja inegável. Por esta altura já todos sabemos das histórias que colocaram Bayonetta na Nintendo com o segundo jogo da série como exclusivo e um terceiro a caminho também ele exclusivo, mas tudo começou com este jogo. Tendo jogado já várias versões de Bayonetta, esta versão é impressionante por ser portátil mas isso veio com um preço.

De modo a colocar já o foco naquilo que Bayonetta tem de pior na Switch, devo dizer que o visual é bastante bom no modo portátil mas no modo TV a história é outra. Desde os serrilhados à falta de definição nos modelos os problemas são vários e claramente o único factor que é positivo acaba por ser os 60fps. No modo portátil Bayonetta porta-se bastante bem e dado o tamanho e qualidade do ecrã da Nintendo Switch é uma experiência bastante agradável e a minha forma favorita de desfrutar de Bayonetta.

Sendo este um port da versão Wii U do jogo estão aqui presentes os mesmos fatos extra baseados noutras propriedades da Nintendo e a possibilidade de jogar com touch controls. Algo que me surpreendeu pela positiva foram os tempos de loading quase inexistentes, até senti uma certa saudade de experimentar os vários combos durante os loadings como na altura da PS3 e Wii U.

Para quem nunca jogou Bayonetta, este é um jogo de acção onde controlamos uma bruxa e executamos diversos ataques num sistema de luta bastante completo e competente. Preparem-se também para poses e piadas provocadoras que conferem um charme único a Bayonetta assim como um mundo repleto de mistérios para descobrir. A história que este primeiro jogo conta é um pouco confusa ainda que para os mais atentos tudo fique relativamente claro mas certamente jogar a sequela acaba por ajudar a compreender alguns dos aspectos mais complexos desta aventura.

Para um jogo que saiu originalmente em 2009, Bayonetta aguenta-se bastante bem em termos de jogabilidade ainda que seja notória a evolução que existiu do primeiro para o segundo jogo. Voltar a jogar este primeiro capítulo da série depois de tantas horas passadas com Bayonetta 2 na Wii U foi estranho e demorei algum tempo a habituar-me, mas se forem estreantes certamente não vão ter esse problema e rapidamente vão perceber que Bayonetta funciona com base em combos e desvios à última da hora para activarem o Witch Time, que é como quem diz: abrandam o tempo e dão uma carga de pancada nos pobres dos anjinhos.

O combate é sem sombra de dúvidas a estrela do jogo, vão começar por ter acesso a armas simples e toda uma panóplia de combos possíveis. Conforme vão avançando na história e explorando os níveis vão encontrar mais armas que podem equipar nas mãos e pés e o tipo de combos vai aumentando, conforme forem experimentando vão certamente conseguir encontrar combinações ideais para vocês. Podem manter duas combinações equipadas e conseguem trocar a combinação activa com um toque de um botão e o combo nem sequer é interrompido.

No entanto Bayonetta não é um jogo fácil, pelo menos num primeiro impacto. Bayonetta é uma personagem que vai evoluindo constantemente e mesmo quando terminarem o jogo pela primeira vez é provável que Bayonetta ainda não tenha atingido o seu potencial máximo. Podem então repetir os vários capítulos em diferentes dificuldades e tentar obter melhores pontuações e descobrir os vários segredos espalhados pelo jogo o que lhe confere uma boa capacidade para voltar a jogar os níveis várias vezes, e enfrentar os Boss de Bayonetta é sempre um momento repleto de impacto.

Bayonetta conta com 2 tipos de cinemáticas, as que são mostradas através de imagens paradas com aplicação de filtros que fazem sobressair um estilo Noire e cinemáticas em tempo real. Nestas últimas existem alguns momentos que me atormentam imenso, por vezes e sem qualquer tipo de aviso existem QTE que quando não são executados de forma correcta resultam numa morte. Isto não seria muito problemático não fossem as pontuações atribuídas no final dos níveis. Estes pequenos momentos podem estragar por completo o progresso de um nível onde tivemos uma prestação formidável e tudo porque não esperávamos por um QTE no meio de uma cinemática.

Este primeiro capítulo da série é bastante depressivo no seu ambiente, as cores predominantes são os cinzentos e parece que estamos constantemente num dia nublado. Isto foi algo que a sequela corrigiu mas este primeiro jogo é bastante escuro. No entanto existe um contraste entre este ambiente e o tom cómico das várias cinemáticas assim como o temperamento de Bayonetta. É uma mistura que resulta e os tons encarnados/roxos acabam por sobressair e são utilizados como indicadores visuais para o jogador.

A banda sonora é espantosa e continua a ser um dos pontos altos do jogo. O poder da banda sonora faz com que Bayonetta esteja recheado de momentos memoráveis, até mesmo a música do bar The Gates of Hell já é icónica para mim. Bayonetta é um jogo charmoso, repleto de acção e que vale bem a pena para os fãs do género. Se já o jogaram anteriormente esta versão só valerá a pena pelo aspecto da portabilidade, pois existem versões melhores deste jogo, ainda que sem os touch controls e os fatos das IP da Nintendo.

Positivo

  • Portabilidade
  • Acção frenética
  • Combate polido
  • Boa longevidade
  • Tempos de loading bastante rápidos
  • História

Negativo

  • Aspecto no modo TV
  • QTE demasiado punitivos e imprevisíveis durante algumas cinemáticas

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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