Análise – Battlefield V

De regresso à 2ª Grande Guerra, Battlefield V tenta aprimorar a fórmula de Battlefield 1 e entregar uma nova experiência dentro de um contexto que já foi explorado até à exaustão.

Tal como em Battlefield 1 existem duas componentes da experiência Battlefield V, ainda que eu prefira separar o online em duas vertentes. O primeiro impacto que o jogo tem para com o jogador é arrebatador, em grande parte devido à forma como este decide resumir os confrontos da 2ª Guerra Mundial. Durante 15 minutos somos levados numa viagem onde nos mostram de forma sucinta tudo aquilo que podemos esperar de Battlefield V. Em curtos percursos sucessivos somos apresentados à forma de contar as histórias, veículos, armas e mecânicas, tudo isto ao som meticulosamente planeado de uma fantástica banda sonora que causa arrepios durante grande parte destes 15 minutos.

Infelizmente depois destes 15 minutos deparei-me com algo que achei bastante estranho, existe imenso conteúdo bloqueado e na verdade Battlefield V é um serviço, a questão que permanece é então se o que está disponível actualmente, vale a pena e se é suficiente para empolgar os jogadores.

Comecemos por falar do modo história. Tal como aconteceu com o seu antecessor, Battlefield V opta por uma estrutura de pequenas narrativas focadas em certas personagens num certo ponto da guerra. Até aqui parece-me bastante bem, é uma forma diferente de explorar os acontecimentos da 2ª guerra mundial e um pretexto para dar largas à imaginação, até um certo ponto. No que diz respeito à história, não tenho nada de negativo a apontar, cada personagem tem uma personalidade bastante vincada e para o curto espaço de tempo que passamos com cada uma, é o ideal. O que não é tão ideal é a forma como estas missões são abordadas.

Existe um pouco de tudo e a nós cabe-nos escolher como queremos concluir a missão. Disparar contra tudo e todos ou optar por métodos menos convencionais, especialmente nas secções mais abertas. Infelizmente Battlefield V não foi construído para este tipo de abordagens e sempre que o jogo me colocou em situações deste género, fui obrigado a fazer de tolo, tentando tirar partido das falhas do jogo. Estes segmentos funcionam apenas e só se seguirem uma abordagem silenciosa, pois assim que são vistos, reina o caos e não estamos no controlo de uma personagem indestrutível, muito pelo contrário. Ainda assim, existem secções onde tudo funciona muito bem, é pena ser tudo de uma forma tão inconsistente.

Neste momento já estão disponíveis 4 War Stories, sendo que a 4ª só ficou disponível recentemente. Existe bastante conteúdo que será lançado de forma gratuita com o passar do tempo, o que está no jogo até à data é suficiente para nos entreter durante algumas horas mas não chega. Este é o grande problema de Battlefield V. O que está disponível até é interessante mas não existe nada de realmente novo ou com um impacto memorável. O sistema “Life Service” está construído da forma errada. Em vez de ser entregue um pacote inicial de conteúdo variado e com qualidade é entregue um conjunto de sobrevivência que não é suficiente para manter o jogador entretido ou sequer captar o interesse durante longos períodos. Para todos os que não sejam fãs acérrimos de Battlefield, pela altura que o conteúdo começar a chegar já é possível que os jogadores estejam noutras paragens sem interesse em regressar.

No online existem os modos: Conquest, Team b, Breaktrough, Frontlines, Domination e ainda Grand Operations que regressa de Battlefield 1. Este último não está tão empolgante uma vez que os bónus que vão de um confronto para o seguinte não têm grande impacto e acabamos por jogar as 3 rondas independentemente dos resultados. A novidade aqui é que em caso de empate entramos num modo Last Stand onde não há respawns e todos os recursos são extremamente limitados, infelizmente não consegui experimentar uma vez que os requisitos são extremamente precisos para que tal aconteça. Um outro modo Tides of War só ficará disponível a 6 de Dezembro.

Algo que também foi alvo de uma grande discussão nos meses que antecederam a chegada de Battlefield V foi a inclusão de mulheres como soldados. Na prática tudo se resume a vozes/gritos e aparências. Falando em aparências, o sistema de evolução de Battlefield V e o seu sistema de personalização deixam imenso a desejar. Parece quase não existe uma progressão eficaz e tudo tem um custo bastante elevado.

A jogabilidade sofreu algumas alterações que fazem sobressair as classes e que tornam o jogo mais rápido. Os momentos de confronto directo são sempre rápidos e sob stress. O sistema de squads pode funcionar muito bem ou muito mal, dependendo dos jogadores. Apesar de fazerem parte de um grande exército, cada jogador é inserido num grupo de 4 que é destacado dos demais e costuma existir uma maior entreajuda entre estes membros. É engraçado ver que na sua maioria estes grupos movem-se em conjunto pelo mapa e os jogadores têm a preocupação de escolher as classes para com as necessidade deste grupo.

Em Battlefield V é possível construir algumas fortificações ao longo dos mapas para ajudar a defender certos objectivos, e com a mesma brevidade com que se constroem, também se destroem, não só as que nós criamos mas também os vários edifícios que já estão no mapa. A destruição ambiental acaba por fazer a diferença em muitos momentos e quando pensamos que estamos seguros, um buraco numa parede pode fazer a diferença.

Infelizmente nem todos os mapas estão bem idealizados. Existem mapas realmente bons, mas também existem mapas com graves falhas. Quanto mais se joga mais limitados parecem os mapas e sempre que somos alocados a um mapa de que não gostamos o entusiasmo esmorece, de todos os mapas disponíveis actualmente em Battlefield V apenas gostei realmente de 3.

Sem sombra de dúvidas que Battlefield V tem as suas forças e os seus problemas. De um lado temos a narrativa, aspecto e a banda sonora que são excelentes, algumas das alterações à jogabilidade fortalecem a experiência e é possível passar algumas horas verdadeiramente a desfrutar de Battlefield V especialmente com outros jogadores que comuniquem. Por outro lado o sistema de progressão, algumas falhas presentes na maioria dos mapas e o facto do conjunto inicial ter sido bastante pequeno faz desta experiência um misto de coisas boas e más onde a falta incentivo está na raiz do problema. Pessoalmente não me sinto investido em Battlefield V porque o jogo não me dá o suficiente para permanecer por lá e mesmo a primeira vaga de conteúdo adicional não foi suficiente para reacender a minha vontade de voltar.

O início foi fraco quando comparado ao passado da série e os pontos altos nunca chegam a ser tão bons como outrora e os problemas são ainda mais evidentes . Claramente Battlefield V não estava pronto para ser lançado, as boas noticias é que com cada dia que passa Battlefield V está mais perto de ser um melhor jogo. Para para quem já adquiriu Battlefield V a experiência não foi certamente tão boa como poderá ser daqui a uns meses e o facto de ser conteúdo extra gratuito não descura o facto de o pacote inicial não ter estado ao nível das expectativas.

Positivo

  • Battlefield V é um jogo bastante rico em termos visuais e sonoros
  • War Stories em termos de narrativa
  • Confrontos viciantes durante algum tempo
  • Alguns mapas permitem despertar o verdadeiro potencial de Battlefield V…

Negativo

  • … mas a maioria dos mapas não
  • Sistema de progressão não convence
  • Secções “open world” de War Stories
  • Conjunto de conteúdo inicial não foi suficiente
  • Grand Operations desilude

 

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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Alexandre Barbosa

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