Análise – Atelier Sophie: Alchemist of the Mysterious Book

Normalmente, os melhores JRPG são aqueles que são capazes de manter a fórmula dinâmica e fresca ao longo de várias gerações. Alguns acabam por se desviar da rota e tentam coisas diferentes, outros, acabam por se manter demasiado agarrados ao que já fizeram.

Atelier Sophie: Alchemist of the Mysterious Book é um desses casos. Este é o 17º jogo da saga, que tem dado pequenos passos ao longo dos anos, evoluíndo mais após cada trilogia. Este marca o início de uma nova, mas Atelier Sophie parece o mais familiar de todos. No entanto existe uma omissão que faz dele um jogo bem melhor num determinado ponto.

Caso tenham jogado outros Atelier, sabem que todos estes tinham tempos limite para as missões principais, as quais correspondiam a algum stress em determinadas situações. Em Sophie, para grande felicidade minha, este desapareceu, dando lugar a um ciclo de dias e noites que influênciam o mundo de jogo, desde NPC que só aparecem a certas horas e dias, até materiais que só podem ser encontrados a determinada altura. Isto faz com que Atelier Sophie: Alchemist of the Mysterious Book seja um dos mais calmos da série e mais fácil de apreciar. Podemos passar o tempo a farmar ou fazer outras actividades sem recear limites que nos fazem perder.

atelier-sophie-alchemist-of-the-mysterious-book-analise-review-pn-n_00003

Depois existe a alquímia que passou a ser uma espécie de puzzle. Cada objecto necessário corresponde a uma peça que temos de por numa grelha, quantos mais conseguirmos colocar criando combos, melhor será a qualidade do objecto que estamos a criar. Como agora a maioria das criações são aprendidas através de inspiração com o apanhar de objectos ou ver inimigos a lutar, as coisas parecem fluír muito mais naturalmente.

A história, por seu lado, tem pouco impacto, sendo mais uma demanda pessoal de pessoas bem intencionadas que querem ajudar um livro falante a recuperar a sua memória. Claro que esta personagem é mais complexa do que imaginam, o que por vezes faz com que todos os outros pareçam uns campónios sem grandes objectivos de vida. Embora goste de Sophie, gostei mais, por exemplo, de Shallie.

O combate também não mudou muito. Este continua a ser feito por turnos, com acções escolhidas antes de cada turno para todas as personagens. Existem ataques em sequência que são feitos em junção com os colegas de equipa, utilização de objectos criados com alquímia e uma série de habilidades especiais para cada membro. É um sistema clássico e aprovado, que continua a funcionar bem.

atelier-sophie-alchemist-of-the-mysterious-book-analise-review-pn-n_00002

A versão para análise a que tive acesso, foi a de PS Vita, que embora tenha o conteúdo da PS4, é claramente inferior. Não só os mundos parecem menos detalhados e mais vazios, como existem quebras constantes de fluídez, o que em alguns casos resultam em arrastamentos que até torna impreciso colocar a personagem onde a queremos realmente. O design das personagens e inimigos por seu lado tentam estar o mais próximo do ideal, o que corre bem na maioria dos casos.

A banda sonora é bastante boa, embora fique uns furos mais atrás de outros jogos da série, como Atelier Totori e mais uma vez, Shallie. Em termos de vozes, recomendo que joguem com as versões em japonês, pois as em inglês ainda deixam um pouco a desejar, especialmente depois de já ter visto melhor em anteriores.

Em termos de conteúdo, podem contar com várias dezenas de horas de jogo, o que ainda é ajudado pelo facto de não haver tempos limite. A história ainda é longa e existem muitas missões alternativas para realizar que acabam por o tornar ainda maior.

atelier-sophie-alchemist-of-the-mysterious-book-analise-review-pn-n_00005

Mesmo pondo de lado o facto de ter jogado a versão menos aprimorada (PS Vita), Atelier Sophie: Alchemist of the Mysterious Book acabou por ficar um pouco abaixo das minhas expectativas. Quando este foi revelado e tendo em conta a arte, estava à espera de ficar fã das suas personagens e do novo mundo que apresenta. No final de contas, acabei por ficar pelo novo sistema de alquímia e pela ausência de tempo para aproveitar o jogo a meu bel-prazer.

Se gostam de Atelier como eu, então é certamente uma compra que vão concretizar, mas ficam já avisados, optem pela versão PS4 sempre que possível. Quanto ao jogo em si, é um bom começo para esta trilogia, mas não é tão entusiasmante como podia e devia ser.

Positivo:

  • Adeus limite de tempo
  • Design das personagens
  • Novos elementos de alquímia
  • Sistema de calendário e noite/dia

Negativo

  • Versão PS Vita sofre em detalhe e fluídez
  • Falta carisma a este novo mundo
  • Vozes em inglês parecem desinspiradas

pn-bom-2016

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebook

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.