Análise – Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout

Se são fãs de JRPG ou já acompanham os lançamentos japoneses do género há algum tempo, então sabem que Atelier é uma série mais que regular em cada plataforma, havendo novos lançamentos, pelo menos uma vez por ano.

No entanto, a série Atelier não é daquelas que tem vindo a agradar a toda a gente, não só por ter um aspecto que muitos associam a jogo para “raparigas” como também (e o verdadeiro problema para mim), utilizar um sistema de tempo que resulta na restrição da diversão, prendendo o jogador a um cronómetro geral. Felizmente, Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout resolve esse problema e muitos outros.

Feito a pensar numa revolução da série, Atelier Ryza é é um começo em vários sentidos, especialmente no novo universo, onde temos uma nova personagem numa nova região, rodeada de novos amigos e novas ameaças. Este jogo começa com uma história bastante banal onde um grupo de amigos de infância descobre o que querem fazer na vida e como podem chegar lá. Enquanto Ryza descobre a alquímia, os seus amigos melhoram a arte do combate e a investigação de escritos ancestrais.

Como é natural, a história revela ser bem mais multifacetada e a dada altura, vai por caminhos inesperados, introduzindo personagens e motivos secretos. Se a início fiquei mais preso pela evolução das personagens, quando a história começou a abrir, queria continuar a ver mais. Só é uma pena que algumas das personagens sejam tão estereotipadas que chegam ao ponto de irritar. Isto é ainda mais gritante nos diálogos, onde somos relembrados que um é um mariquinhas ou que a amizade é uma coisa bonita. Curiosamente, isto contrasta com problemas sérios como violência doméstica, abusos de poder, vingança e outras coisas que tal.

Tal como os jogos anteriores, Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout também está dividido em três grandes partes, existe a exploração do dos cenários com o intuito de progredir na história e recolher o máximo possível de mantimentos e outras coisas que possam ser usados no segundo passo, a alquimia que é dos pontos mais importantes do jogo. A alquimia é agora mais intuitiva e directa, criando resultados mais visíveis de forma mais directa e eficaz. Não é fácil de perceber ao início, mas após algumas horas de jogo e experiência, começam a perceber a lógica e as receitas vão surgindo constantemente. Com isto falo em coisas que vão desde bombas para usar em combate, até armaduras, equipamentos, entre outras coisas, tudo isto feito com o que vamos apanhando.

O terceiro ponto importante de Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout é o combate, o qual sofreu também grandes alterações. Não só o sistema funciona com turnos ligados a uma barra de tempo, como existe uma barra de tácticas que vai abrindo consoante pontos de habilidade que vamos ganhando em combate. Estes pontos servem quase como moeda de troca, podendo ser gastos a subir o nível do desempenho em combate ou usar em ataques especiais e afins. Podemos continuar a usar items em combate, embora tenham a sua própria limitação de vezes por exploração, mas o mais interessante passa pelas ordens que as personagens podem pedir a quem estamos a controlar, caso as sigam, podem desencadear ataques em cadeia bastante poderosos.

O combate, tal como a alquimia também tem a sua profundidade e também demora ainda um pouco a perceber com clareza. À semelhança da alquimia, os sistemas acabam por se transformar numa segunda natureza e é possível criar até gerir o sistema de forma a abusar das fraquezas de certos inimigos. Posso dizer que fiquei bastante agradado com o sistema e é uma boa evolução para a série.

Outro salto forte dado para Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout foi a componente gráfica. Como podem ver pelas imagens, o visual está ainda mais forte e colorido que os anteriores, mas também mais detalhado e bem construído. A arte continua a ser fantástica e bem aproveitada, por isso os modelos das personagens em especial ficam bastante a ganhar com o novo motor visual. O motor de jogo também parece mais refinado, respondendo melhor ao que o jogo pede. É uma pena que alguns dos modelos não sejam tão fortes e que algumas das áreas de exploração tenham muito menos qualidade visual que outras, no entanto, tirando certas quebras na fluídez e alguns movimentos mais robóticos das personagens, este é um jogo bastante bonito.

Outro ponto alto é a banda sonora que é um verdadeiro regalo, estando algures entre um filme de animação da Disney e algo dos estúdios Ghibli. As vozes surgem em japonês e também são bastante boas, tendo apenas o problema típico destes jogos, que passa pela repetição das mesmas palavras e frases quando estamos a recolher coisas para alquimia ou a combater. A sério, não se repitam tanto! Até se torna embaraçoso se estiverem a jogar com pessoas ao lado que não percebam bem que estilo de jogo é este.

Já que estamos na parte de falar mal, Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout também tem outros problemas, como o facto de não ter alguns objectivos de história bem definidos, obrigando a consultar o diário para saber o que podemos fazer a seguir para avançar a narrativa. Outro problema é o constante andar para trás e para a frente. Mesmo que isto seja reduzido mais tarde com o bom fast-travel, não se justifica que em alguns casos temos de sair do local onde estamos, voltar ao Atelier, regressar ao local para depois concluir novamente em voltar ao Atelier. É cansativo e até irritante.

A nível geral, Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout ainda é um jogo para umas boas horas de duração, pois além da história principal existem muitas missões secundárias, objectivos extra e até pequenos mundos que podemos criar para visitar ou enviar para amigos para que eles os possam visitar e recolher objectos para as suas receitas de alquimia.

Já me tinha apercebido por algumas notícias que iam chegando que Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout prometia bastante. Nada me preparou para que este fosse o melhor jogo da série até agora. É verdade que tem ainda muitas arestas por limar e ideias para por no sítio, mas depois de todas estas horas de jogo, já só penso em todas as hipóteses que a série Atelier tem para crescer e ficar ainda melhor. Atelier Ryza é um grande JRPG e até uma boa porta de entrada para quem nunca jogou esta saga.

Postivo:

  • Enredo interessante
  • Personagens cativantes
  • Alquimia é divertida
  • Combate bem concebido
  • Boa banda sonora

Negativo:

  • Alguns movimentos robóticos
  • Expressões em voz repetidas em excesso
  • Andar para trás e para a frente desnecessário

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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