Análise – Astro Bot: Rescue Mission

Tendo em conta os lançamentos sucessivos de jogos VR que não são nada de especial ou ficam aquém das expectativas, Astro Bot foi mais um jogo que me passou totalmente ao lado e só mais recentemente é que comecei a ver o nome a surgir em algumas notícias. No entanto, o interesse ficou igual.

Tal como tantos outros jogos no passado, foi uma sorte que Astro Bot: Rescue Mission me tenha passado ao lado, pois a surpresa foi ainda maior quando o comecei a jogar. Se existem jogos que conseguem demonstrar as boas ideias e o funcionamento do PS VR, este é seguramente um dos melhores.

Astro Bot: Rescue Mission é uma evolução do que foi experimentado com os robôs do Playroom. A Japan Studio cresceu o projecto para criar um verdadeiro jogo de plataformas que não nos força a jogar as coisas na primeira pessoa e faz aquilo que já fiz questão de frisar em várias análises; todo e qualquer jogo é visto por uma câmara, por isso, não podemos nós ser a câmara e jogar qualquer género desta forma?

Astro Bot: Rescue Mission é o resultado disso. Este é um jogo de plataformas com alguns puzzles onde a personagem é controlada por nós e temos acesso a olhar para todo o nosso redor com a cabeça. Pensando de forma realista, o conceito é básico e podia ser facilmente feito em qualquer jogo de plataformas, mas quando começam a jogar Astro Bot: Rescue Mission e começam a perceber as vantagens de poder olhar livremente, é quase como se fosse um conceito novo.

Enquanto jogador, controlamos o Astro Bot com os analógicos e podemos fazer com que salte e ataque, tudo o resto é uma questão de perspectiva e de utilizar a nossa cabeça e corpo para olhar, atacar e o Dualshock para utilizar um certo número de ferramentas, como repuxos de água, shurikens e cordas. Se alguns funções tentam forçar demasiado as “gimmicks” da consola, a maioria dos conceitos são bastante criativos. Desde abanar o comando para fazer o Astro Bot saltar na corda, até ao soprar para resolver um puzzle.

A interacção é algo que faz com que Astro Bot: Rescue Mission seja algo bastante divertido. Por muitas vezes tive de me levantar para olhar para trás, ou inclinar a cabeça para ver o fim de um buraco ou o que estava por debaixo de uma plataforma. Confesso que não fiquei fã de alguns segmentos onde tinha de abanar demasiado a cabeça, mas nada que me fizesse ficar tonto ou irritado. Como os cenários usam temas diferentes, existem sempre coisas diferentes a acontecer.

 

Os bosses acabam por ser puzzles de grande dimensão em vez de inimigos com mecânicas complexas, o que acaba por ser um pouco decepcionante. Por vezes conseguem criar momentos mais intensos, mas nunca deixam de ser um conjunto de tentativa erro sem grandes desvios da fórmula estabelecida.

Além dos vários mundos disponíveis, existem sempre mais coisas para recolher. Cada cenário tem vários Astro Bots para recolher, moedas que podem ser usadas para comprar extras na nave das personagens e camaleões escondidos que desbloqueiam cenários extra que funcionam como desafios de tempo, perícia e afins.

Duas coisas que não apreciei de todo é a fragilidade do Astro Bot que morre após um único toque (com excepção de certas batalhas de boss) e porquê de a câmara não voltar atrás se avançarmos demasiado no cenário, mesmo que seja possível à personagem caminhar de regresso. Isto obriga a repetir cenários para apanhar tudo, apenas porque fomos logo pelo caminho certo sem saber. Adiciono por fim o fazer pontaria com o Dualshock que não é tão intuitivo como devia ser.

 

Dentro do seu estilo simples, Astro Bot: Rescue Mission consegue ser um jogo visualmente apelativo e bastante forte no que toca ao 3D conferido pelo VR. Não é daqueles jogos que canse a vista em sessões curtas e só o calor do VR é que me fez parar para descansar por alguns momentos. A banda sonora é o típico dentro do jogo de plataformas e encaixa aqui bastante bem, sem esquecer os sons divertidos de cada robô.

Até hoje, só o novo Wipeout na sua versão VR é que me fez pensar que algo ficava muito melhor a jogar com óculos de realidade virtual. Astro Bot: Rescue Mission é agora o meu segundo jogo favorito do PS VR e uma demonstração tremenda do que é possível fazer ao expandir uma ideia que já existia. Astro Bot: Rescue Mission não é só apenas um dos melhores jogos do Playstation VR, é um grande jogo de plataformas por mérito próprio.

Positivo

  • Boa adaptação do género de plataformas
  • Cenários variados
  • Ferramentas engraçadas
  • Puzzles bem concebidos
  • O Astro Bot merece ser uma mascote

Negativo

  • A câmara não pode voltar atrás
  • Mortes com apenas um toque
  • Nada de extras espectaculares
  • Apontar com o Dualshock é impreciso

Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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