Análise – Astral Chain

Astral Chain é o juntar de dois mundos distintos. De um lado temos a calma e paciência da investigação e do outro temos a acção frenética característica da Platinum Games. A unir estes dois existe uma história que poderia muito bem ser um anime, aliás quando terminei Astral Chain senti que tinha terminado de ver uma temporada inteira.

A história segue então o último grupo de humanos num futuro próximo onde um ataque vindo de outra dimensão ameaça a nossa existência. Para lhes fazer frente foi criado um projecto que visa controlar determinadas criaturas que passam a chamar-se Legions. Nós somos parte da força policial especial Neuron da Ark, que contém vários distritos e que temos de proteger. O protagonista é um dos gémeos escolhido por nós, rapaz ou rapariga, e é através deste que vamos viver esta história. Existe um grupo de personagens com quem interagimos frequentemente e devo dizer que este grupo está bem desenvolvido, à medida que a história avança estas personagens têm espaço para crescer e Astral Chain vive muito da sua história e personagens.

Depois de uma missão de introdução onde vamos experimentar um pouco do que aí vem vamos acabar por ser introduzidos ao quartel-general da Neuron. Esta área permite preparar o vosso personagem para o que aí vem. É aqui que podem comprar itens, melhorar equipamento, mudar de roupa, falar com os vossos colegas, treinar etc. A minha parte favorita desta área foi sem dúvida a música de fundo que se tornou rapidamente numa das minhas favoritas.

A início têm que percorrer tudo a pé mas não vai demorar muito tempo para poderem viajar rapidamente entre localizações chave. Apesar de existir um mini-mapa que é extremamente útil durante as missões, enquanto estiverem no quartel torna-se muito mais fácil utilizar o sistema de viagem rápida. É também nesta zona que podem gravar manualmente, voltar a jogar casos antigos para melhorar a vossa prestação e ganhar mais itens e experiência e ainda personalizar os vossos Legion.

Cada nível é composto por casos, existe um caso principal e na área desse caso existem vários casos paralelos que podem investigar se assim o quiserem, é recomendado que o façam devido às recompensas. Estes pequenos casos podem ser apenas resolução de pequenos casos de investigação, tarefas mundanas ou derrotar um certo inimigo. Cada área que visitam tem sempre imensos casos por resolver.

Os casos principais estão geralmente desenhados para vos levarem a viajar de área em área. Normalmente quando chegam a um novo local têm de explorar a área e encontrar pistas sobre o que se passou ali, estes segmentos de investigação podem levar algum tempo e é necessário juntar um determinado número de pistas para avançar. Se estiverem investidos na narrativa estes são interessantes, caso contrário tornam-se bastante repetitivos.

Normalmente depois de uma investigação segue-se uma secção de acção e é aqui que qualquer fã da Platinum Games já sabe o que o espera. Temos a base do combate que envolve 3 armas distintas, um bastão, uma espada pesada e uma pistola, um botão para desviar e no caso de Astral Chain, as Legion. A início o combate será muito limitado e parece que não é possível fazer muito, o controlar das Legion é algo que se consegue aprender rapidamente e apesar de começarem com apenas uma, conforme a evoluem e vão ganhando acesso a mais Legions o combate vai ficando mais apetecível. A vossa imaginação irá ajudar bastante a encontrar formas criativas de utilizar as diferentes características das Legion assim como a corrente que vos liga, alguns movimentos básicos são-vos ensinados outros o jogo deixa que sejam vocês a descobrir.

Como já referi as diferentes Legion vêm com diferentes habilidades e mesmo durante as investigações estas permitem realizar certas tarefas que estão bloqueadas a certos movimentos que só uma dada Legion consegue fazer. Por vezes será necessário voltar a níveis anteriores para encontrar coleccionáveis ou mesmo resolver um caso. As Legion, tal como o vosso personagem podem ser personalizadas e evoluídas, desde o aspecto a técnicas.

Astral Chain contém uma boa variedade de inimigos mas senti que já os tinha visto a todos, e a verdade é que provavelmente já todos vimos. Apesar de todos terem um design criado para Astral Chain, já todos vimos um pássaro demoníaco, um inimigo com braços gigantes e que flutua, uma minhoca gigante, uma lesma de fogo etc. A verdade é que estes resultam muito bem neste tipo de combate e obrigam-nos a mudar de tácticas conforme as ameaças que estes representam.

O jogo tem um visual bastante limpo e conta com duas partes distintas. De um lado temos toda uma cidade futurista com claros sinais de uma distopia e do outro temos o Astral Plain, um local que vamos visitar de forma recorrente. A cidade é bastante variada e apesar de este não ser um jogo em mundo aberto, quando terminei Astral Chain senti que tinha visto a cidade inteira. Do lado do Astral Plain as coisas são um pouco diferentes, a apresentação é bastante repetitiva e parece que estamos constantemente num nível de treino onde tudo se confunde. Ainda assim é aqui que vamos encontrar algumas batalhas mais desafiantes e alguns puzzles que me fizeram sentir parvo quando finalmente os consegui resolver.

O aspecto do jogo não é espantoso para os dias que correm mas para a Nintendo Switch e tendo em conta que a performance do jogo se manteve estável durante toda a minha experiência, diria que foi um trabalho muito bem conseguido. A minha maior queixa vai mesmo para a localização em Inglês onde os movimentos da boca dos personagens não corresponde ao que estamos a ouvir. No que diz respeito à banda sonora, existem alguns temas que sobressaem mas todos eles assentam muito bem na atmosfera de Astral Chain.

No geral todas as componentes de Astral Chain estão bem conseguidas, mesmo as componentes de investigação sobre as quais recaíam as minhas maiores dúvidas sobre este jogo acabaram por se dissipar. Na minha experiência a história foi muito boa, tal como já disse senti que vi uma temporada inteira de anime, as personagens do grupo principal estão bem caracterizadas, as personagens secundárias apresentam algum desenvolvimento e tudo isto faz com que seja interessante descobrir mais sobre o que está a acontecer. O combate começa por ser algo com pouco brilho mas conforme vão desbloqueando novas hipóteses acaba por se tornar num sistema único e bastante divertido. Como um todo Astral Chain não desilude, é aliás um dos melhores jogos da Nintendo Switch.

Positivo

  • História interessante
  • Combate muito satisfatório
  • Legions servem vários propósitos
  • Bastante conteúdo opcional com boas recompensas

Negativo

  • Pico de dificuldade na zona final desproporcional ao restante jogo
  • Sincronização com as vozes em inglês muito fraca

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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