Análise – Assassin’s Creed Origins

Como fã assumido da série Assassin’s Creed eu estava mais do que expectante para esta aventura que prometia contar as origens da irmandade dos Assassinos e com cada novo pedaço de informação as minhas expectativas ficaram mais aguçadas. Agora que finalmente chegou, está na altura de experimentar a grande promessa feita pela Ubisoft, um re-inventar da série.

Para começar Assassin’s Creed Origins não tenta reinventar a roda, em vez disso pega em mecânicas de vários jogos existentes, aplica-lhes uma camada de história de Assassin’s Creed e temos um jogo que reinventa a série. Estas novas mecânicas que vêm substituir as mecânicas mastigadas ao longo de quase uma década, são muito bem-vindas e são o centro deste novo jogo.

Assim que começamos a jogar saltam à vista: a troca do mini-mapa por uma bússola, o sistema de combate que deixa para trás as acrobacias bonitas e se concentra nos: golpes, tipo de arma desvios, parrys e defesas. E também a simplificação mais do que bem vinda dos controlos de parkour e movimentação no geral.

A bússola é um mecanismo de orientação simples e eficaz, nela temos vários símbolos que indicam o que está naquela direcção e a que distância está esse ponto de interesse. Vão reparar também que a grande maioria dos símbolos vão ser “?”, estes significam que a própria personagem não sabe o que lá está e teremos que nos aproximar para descobrir, podemos encontrar ruínas, um campo inimigo ou simplesmente uma side quest entre outras. Podem também dar uso ao mapa no menu que é também acessível através do touchpad, no caso da PS4, e este mostra com mais algum detalhe o que temos pela frente. No fundo este é um sistema implementado em jogos como Skyrim ou Fallout 4, e é bastante intuitivo. Para facilitar a busca, existem alguns pontos marcados no mapa que são os nossos velhos amigos pontos de sincronização, sempre que escalam e activam um destes pontos estes actuam como ponto de fast travel e revelam todos os pontos “?” das proximidades, ainda assim existem imensos “?” fora destes campos. Por último temos Senu, a águia que utilizamos como visão Raio-X e identifica npc’s e objectos de interesse, tal como já vimos em Far Cry Primal.

No que ao combate diz respeito, uma forma grosseira e básica de explicar como este funciona é comparar este ao combate da série Dark Souls. Os botões de ataque estão pré-definidos para o “R1” e “R2” sendo o “R1” ataques leves e o “R2” ataques pesados. Podem carregar os ataques e fazer combos dependendo do tipo de arma que têm convosco. Podem também desviar-se utilizar um escudo com alguns tipos de arma e defenderem-se ou executar parrys. É um sistema de combate muito mais completo do que os anteriores jogos da série mas que ainda tem espaço para melhorar, especialmente no que diz respeito aos combos que negam a identidade única de cada arma e trata cada classe como um tipo fixo de combo, não existindo variedade dentro das classes. A única coisa que muda no combate advém das características de cada arma, se esta causa dano de fogo, veneno, facilidade em sangrar etc.

As armas em si estão divididas por tipo e raridade. Normalmente as armas mais básicas não têm qualquer tipo de efeito secundário, já as armas de raridade elevada podem ter alguns. Em adição a estas armas há também uma mecânica de melhoramento da armadura e da lâmina oculta, para melhorar estes são necessários recursos, desde madeira, metais vários e peles. Estes recursos estão espalhados pelo mundo e podem ser obtidos de várias formas, desde caçar a atacar inimigos que os transportam. As armas podem também ser melhoradas para o vosso nível actual o que ajuda imenso, uma vez que as armas mais raras são mesmo complicadas de encontrar.

A movimentação da nossa personagem sofreu grandes alterações, para começar o que mais me incomodou inicialmente foi a ausência de um botão de corrida. Para quem passou quase uma década a correr por entre ruas e telhados a ausência de um botão deste tipo é sentida, especialmente no início. Bayek acaba por ganhar velocidade conforme nos movemos, e podíamos muito bem ter essa acção registada no botão “L3” já que este não faz nada sozinho, já em conjunto com o “R3” activa o modo foto. Agora temos também um botão para realizar parkour/subir paredes e um botão para descer em segurança. Este sistema mais simplificado funciona na perfeição e não precisamos de complicar.

Conforme vão desenvolvendo a vossa personagem, esta vai ganhando experiência e com cada nível esta fica mais forte. Com cada nível ganham também um ponto de habilidade que podem utilizar para desbloquear habilidades extra para Bayek ou Senu. A árvore de habilidades é bastante extensa e conforme a vão completando vão notar grandes diferenças na jogabilidade.

A história de Assassin’s Creed Origins está directamente relacionada com o tipo de missões que vamos encontrar. Desta vez o mundo está repleto de missões e objectivos. Bayek vai percorrer o antigo Egipto de lés a lés mas a narrativa principal vai-nos levar a conhecer apenas cerca de metade do mundo. Se jogarem com calma esta é uma história com mais de 40 horas, se por outro lado estiverem com alguma pressa, como foi o meu caso, foram 31 horas de diversão e descobertas. Durante o meu tempo com o jogo completei bastantes objectivos e missões secundárias de forma a conseguir colocar Bayek no nível pedido.

Esta fragmentação do mundo por áreas com níveis é uma espada de dois gumes. Por um lado dirige a narrativa e oferece variedade e uma boa distribuição da dificuldade, por outro lado coloca-nos num caminho relativamente fixo e assim que atravessamos uma fronteira começamos a ver inimigos com níveis bastante elevados, iguais aos que estão na área de nível mais baixo. Por outras palavras, o mesmo tipo de inimigo com níveis diferentes.

Em cada área vão então encontrar personagens com algumas missões que normalmente variam entre o: “liberta uma personagem de um acampamento, investiga uma situação que culmina com um assassinato, vai até lugar X ou liberta o forte Y”. Existem algumas missões que saem deste quadro mas geralmente temos uma motivação pessoal a cada npc que nos leva a efectuar uma das missões que descrevi, sim, existem algumas que saem destes moldes mas geralmente é isto que encontram.

A história mistura-se então com estas actividades secundárias e tem um começo bastante confuso. A história começa com Bayek a lutar contra um guarda bem armado que quer vingança pela morte do individuo que devia ter protegido. Em seguida existem alguns saltos temporais e aquilo que retemos é que a Order of the Ancients (os precursores dos Templários) fizeram com que a família de Bayek ficá-se marcada para sempre pelo evento e coloca então Bayek num caminho de vingança. A perseguição da Order of the Ancients leva-nos a percorrer metade do Egipto e não só. De regresso estão também as secções do presente que pela 1ª vez desde AC III são jogáveis na 3ª pessoa e oferecem uma narrativa interessante para os fãs, caso contrário poderá ser encarada como mais uma secção que quebra a imersão, no entanto esta secção faz todo o sentido tendo em conta o facto de estarmos a viver memórias e de tudo isto ser uma simulação do Animus.

Este é  um mundo recheado de detalhes: desde armas a afundarem na areia do deserto, miragens do calor abrasador, a visão distorce-se com o calor formando os objectos ondulantes ao longe, os npc’s com rotinas quer sejam guardas ou não, o sangue que se dissipa na água, enfim existem inúmero detalhes que ajudam a dar vida a este vasto mundo. As diferentes zonas fazem variar as construções e a ausência delas, temos grandes cidades influenciadas pelos gregos, pequenas aldeias ou cidadelas, campos de cultivo pântanos etc. Cada área está muito bem trabalhada e contribui para um mundo rico em diversidade.

O aspecto do jogo é bastante rico, e mesmo jogando na PS4 normal, o mundo desenrola-se com uma frame rate estável, mostrando problemas em alguns locais povoados por guardas que estão alerta para a nossa presença. Onde as coisas não correram assim tão bem, foi mesmo nas texturas que não são de grande qualidade nesta versão. Os loadings são rápidos, exceptuando o que faz a transição do menu principal para o jogo, de resto os loadings apenas fazem a sua aparição quando trocamos de área através de Fast Travel ou por exigência da história.

De um modo geral Assassin’s Creed Origins foi um passo bem dado, tendo arriscado com a fórmula de Assassin’s Creed este acaba por não fazer nada de verdadeiramente novo sendo mais uma mistura de vários elementos de outros jogos. No entanto foi uma mistura bem executada que culmina num mundo vivo e repleto de interesse. Para os fãs da série existe aqui muito sumo que pode ser espremido e há detalhes que irão escapar a outro qualquer jogador. Se por acaso se tratam de novos jogadores este também acaba por ser um bom ponto de entrada uma vez que o protagonista está também a descobrir o que é ser um Assassino e quais as regras que deve seguir. É uma viagem que facilmente recomendo para quem goste de rpg’s ou de Assassin’s Creed, tendo em mente que este mundo aberto está recheado de actividades e necessita de bastante tempo para ser concluído.

Positivo

  • História bem contada
  • Atenção aos detalhes
  • Mundo do jogo
  • Personagens carismáticos
  • Imenso para fazer
  • Locais para explorar
  • Actividades complementares

Negativo

  • Algumas missões repetem-se em demasia
  • Texturas (em especial alguns edifícios) de baixa qualidade
  • Alguns fortes têm não só soldados mas também quebras de frame-rate

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

  • Sem dúvida que o jogo parece catita mas…
    Como estamos a nível de bugs? Posso contar com coisas parvas para me rir um bocado?