Análise – Assassin’s Creed III Remastered

Em 2012 lembro-me de estar ansioso para jogar Assassin’s Creed 3. Não correu bem. Não gostei do personagem principal, não gostei da narrativa e encontrei vários maus momentos e frustrações. Desde então aprofundei os meus conhecimentos sobre o período histórico em que Assassin’s Creed 3 se insere e é com um novo olhar que estou a reviver as aventuras de Connor.

Vamos ao principal componente de Assassin’s Creed III Remastered, o jogo homónimo sem a componente multi-jogador. A narrativa sofre do mesmo problema de outrora, acompanhamos Connor durante curtos espaços de tempo que decorrem ao longo de vários anos em diferentes momentos da revolução. Para quem pouco ou nada sabe sobre este período histórico será um pano de fundo bastante confuso. As personagens têm todas pouco tempo de antena para aquilo que representam e salvo raras excepções não é explicado ou sequer difundida a verdadeira profundidade das acções das mesmas. Numa primeira abordagem não seria problemático, porque enquanto Connor, o jogador apenas quer garantir a liberdade do povo, mas em termos de história as ligações estão confusas.

A narrativa fica ainda mais pobre para quem por esta altura ainda não jogou Assassin’s Creed Rogue ou Black Flag. Estes dois jogos dão ao jogador algum conhecimento extra que fazem sobressair certos aspectos da narrativa de Assassin’s Creed 3 e o tornam um melhor jogo por isso. No fundo é uma narrativa desconexa onde o lado humano de Connor é esquecido, e é esse lado que nos fez adorar Ezio. Quando confrontados com Connor após uma trilogia de Ezio, temos uma personagem muito sub-desenvolvida mas com bastante potencial, após as primeiras sequências deixamos de ter um humano e passamos a ter uma máquina, apenas para voltar a ter um vislumbre do humano perto do fim. Apesar de não ser tão linear como descrevo, Connor é mais do que aparenta mas parece estar constantemente a caminhar em círculos, sempre em volta do mesmo tema e quase sem acrescentar nada, como este parágrafo.

No que diz respeito à jogabilidade é notório que esta não foi alvo de melhorias. Continuamos a ter problemas de movimentação, o stealth é execrável e todo o sistema de pontuações bónus durante as missões serve apenas o propósito de nos irritar. Estes objectivos extra exigem certas acções que seriam muito mais fáceis de executar se não existissem problemas com os controlos ou sistema de stealth.

Aquilo que foi melhorado foram algumas componentes gráficas, nomeadamente a água, o sistema de luz, se bem que este cria alguns momentos estranhos, e algumas texturas/modelos assim como tempos de loading reduzidos. Algo que está bastante mau é a neve, lembro-me vagamente que quando Assassin’s Creed 3 saiu existiam alguns problemas com a neve, e eles estão de volta nesta versão do jogo. Enquanto caminham pela neve alta é normal que encontrem um erro onde simplesmente as texturas da neve fazem pop up e pop out. Algo que também aconteceu esporadicamente foi ver npc’s a caminharem de costas, como quem diz “Não! A mim é que não me apanham neste jogo, adeus!”. Quero com isto dizer que temos algumas melhorias mas os problemas do costume.

Neste jogo estão também incluídos os 3 dlc de Assassin’s Creed 3. Estes podem ser acedidos a qualquer altura, se bem que para quem nunca jogou o original eu recomende que terminem o jogo primeiro. The Tyranny of King Washington é composto por 3 episódios e conta uma história alternativa na qual Washington sucumbe à corrupção e se auto-proclama Rei. É um conceito interessante e toda este cenário vale a pena ser explorado.

A outra parte de Assassin’s Creed 3 Remastered é Assassin’s Creed Liberation HD. Originalmente desenvolvido para a PSVita, conta com ambientes mais pequenos e é graficamente inferior ao que podemos encontrar em Assassin’s Creed 3, no entanto continua a ter cidades bastante povoadas e os seus arredores contam com locais peculiares. Esta versão do jogo apresenta-se de forma bastante simplista mas também se apresenta sem problemas gráficos, pelo menos do que pude ver. Em termos de jogabilidade sofre dos mesmos problemas que as versões anteriores.

 

Se nunca jogaram AC Liberation, este é um jogo relativamente aborrecido com mecânicas que nos obrigam a abrandar o ritmo e foi idealizado para jogar durante curtos espaços de tempo. O que salva Liberation acaba por ser as suas personagens, que são na sua maioria interessantes e acabam por fornecer pontos de vista diferentes sobre situações de resolução difícil. A mecânica a que em referia à pouco é a troca de indumentária de Aveline, que através das suas 3 personas acaba por influenciar os eventos da maneira que mais lhe convém. A mecânica é interessante mas de um ponto de vista de jogabildiade não está bem implementada, favorecendo o contexto a tudo o resto.

Podem ainda contar com extras para os dois jogos, sejam eles imagens ou vídeos da produção de ambos os jogos. Não há dúvidas que Assassin’s Creed III Remastered alberga dois jogos bastante ambíguos. Pessoalmente estes são os jogos que menos gosto dentro de toda a série, no entanto não posso negar que têm os seus bons momentos. Enquanto remasters existe aqui uma grande falta de cuidado e tratamentos díspares. A existência de bugs é praticamente inescusável desta vez, estamos a falar de jogos que datam de 2012 e foram “melhorados”. Para quem nunca jogou e está interessado nestes jogos, recomendo esta versão a qualquer outra, se já jogaram fica ao vosso critério a vontade de voltar a estes mundos e histórias que têm muito para contar mas também exigem muita paciência ao jogador com pouca recompensa.

Positivo

  • Assassin’s Creed 3 e Liberation têm o melhor aspecto até à data
  • Imenso para fazer, especialmente em AC 3
  • The Tyranny of King Washington é uma história que vale a pena viver

Negativo

  • Ainda tem bugs
  • Nem todas as melhorias sobressaem sobre o material original
  • É sobretudo para fãs devido a inúmeras mecânicas sub-desenvolvidas segundo os padrões actuais

 

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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