Análise – ARK: Survival Evolved

  • Plataformas: PC, PS4, XBox One
  • Plataforma de análise: PS4
  • Data de Lançamento: 29 Agosto 2017

ARK: Survival Evolved é um jogo de sobrevivência online, que coloca vários jogadores perante vários perigos, como as intempéries, dinossauros e eles próprios.

ARK: Survival Evolved esteve em Early Access durante bastante tempo e agora o estúdio Wild Card parece estar pronto para o vender como um jogo completo. A versão que aqui está em análise  é a versão PS4 e como tal existem algumas diferenças entre esta e a versão de PC, no entanto vou centrar-me apenas na versão PS4 uma vez que não tenho acesso à versão de PC.

Desde logo somos presenteados com menus pouco intuitivos, desde o momento em que estamos a criar a nossa personagem até aos menus in-game, notamos sempre alguma estranheza. O criador de personagens de ARK é algo especial, uma vez que não nos limita às dimensões “normais” de um ser humano e torna-se possível criar o vosso avatar com dimensões completamente desproporcionais, e mesmo que acertem com as proporções o aspecto final é muito estranho. No entanto algo que me parecia estar em falta, mas que depois de começar a jogar se torna em algo engraçado, é o cabelo e barba. Conforme os dias vão passando, o vosso cabelo e barba vão crescendo, mais tarde podem cortá-lo, mas não deixa de ser um toque engraçado.

Para um jogador que esteja a começar existe algo chamado “Survival Guide” no menu, e devem mesmo dar uma vista de olhos, aqui encontram parte das informações que vão precisar para o jogo e para sobreviverem de forma mais eficaz. No entanto, e tendo em conta a minha experiência, jogar ARK sem um guia é extremamente complicado e demora muito mais tempo do que devia. Algumas acções são extremamente complicadas sem razão aparente, por exemplo cozinhar algo que não seja um bife é um desafio.

Assim que começamos, o nosso avatar escarafuncha uma estranha pedra embutida no nosso pulso, mas depressa percebe que tem é que se preocupar com comida, água, abrigo e de preferência não ser comido por um dos muitos dinossauros. Mas existe algo que não está bem assim que tomamos o controlo do nosso personagem, a frame rate. A Frame Rate é muito inconstante, tão depressa está estável como está aos soluços, é um problema que é um pouco atenuado na PS4 Pro mas que acaba por estar presente. Em seguida é notório que as texturas não têm grande resolução e que todo o jogo está envolto num Motion Blur francamente mau. O aspecto do jogo pode até ser bom como um todo, especialmente no uso das cores para quem está a assistir de fora, mas jogar na PS4 é outra história completamente diferente.

A primeira coisa a fazer – depois de lutar contra os visuais – é recolher desenfreadamente os recursos básicos: fibras, pedras, madeira, palha etc. Depois é altura de fazer as primeiras ferramentas: uma picareta, tocha, machado, lança e depois de tudo isso pensar em caçar e construir uma casa e fogueira. Estes são sempre os primeiros passos de qualquer jogador que queira ter uma chance de sobreviver. Tudo isto é sentido como uma corrida contra o tempo, uma vez que a fome não tardará e a menos que comam um belo bife, bem passado, nada vos irá satisfazer por muito tempo. Aliás se comerem carne crua, habilitam-se a umas doenças. E não esquecer o abrigo, pois o frio ou calor também ajudam no dificultar da tarefa “sobreviver”.

Quando começam a vossa jornada podem escolher de entre vários mapas, sendo que cada um deles tem as suas próprias restrições entre animais e plantas. Aquele que é recomendado para estreantes é “The Island” e aqui existe abundância de água, vegetação e pequenos animais. É relativamente fácil de começarem a reunir as condições de sobrevivência e é um mapa onde até podemos fazer algumas experiências sem grandes medos. Se se sentirem atrevidos, existem outros locais mais severos. Conforme vão explorando as regiões costeiras e se vão aproximando do centro da ilha vão encontrar desafios maiores, e com o tempo alguns obeliscos com segredos para desvendar.

Quando morrem isso não significa que vão começar do início, o nível da vossa personagem e aquilo que desbloquearam mantém-se, mas se quiserem as vossas coisas de volta vão ter que procurar o vosso antigo corpo e resgatá-las. Se quiserem manter alguns itens em segurança, podem simplesmente construir uma caixa e colocar lá as vossas coisas. No entanto encontrar o vosso corpo pode não ser nada fácil uma vez que não existe um mapa bem detalhado, algo que acaba por ajudar na imersão e na necessidade de conhecer o terreno.

Uma das coisas com que ARK joga bastante bem é a luminosidade, este é um daqueles jogos onde o cair da noite transforma completamente a experiência e a menos que tenham uma tocha não vai ser nada fácil percorrer o terreno. Com o aproximar da noite, e alguma experiência, todos sabemos que é melhor procurar abrigo e mantimentos.

Agora falando do PVP e do PVE. Se jogarem sozinhos, não vão para o PVP, só se vão frustrar. Podem ser mortos por qualquer coisa, incluindo a maioria dos jogadores que não vão ter problemas nenhuns em trespassar-vos com uma lança. Se por acaso encontrarem um servidor “recente”, ou seja, que não tenha dado início à actividade à muitos dias de jogo, poderão ter a sorte de vingar ou não em ARK. Os modos PVE já permitem uma maior abertura e até é possível fazer coisas engraçadas. Se optarem por jogar sozinhos, algo que recomendo para os estreantes se habituarem aos controlos e cometerem as suas “noobices” longe dos olhares alheios, vão perceber que existem benesses mas na sua maioria dificuldades.

ARK recompensa o trabalho em equipa, facilitando claramente os jogadores que partilham recursos, por isso quantos mais amigos tiverem a jogar convosco mais engraçada se torna a experiência. Este é um ponto central de ARK, se jogarem sozinhos é normal que a fadiga se instale rapidamente, mas com outros jogadores a experiência melhora bastante.

Em ARK o objectivo é mesmo sobreviver e isso implica muitas preocupações e trabalho, mas a questão aqui é saber se vale a pena esse esforço. Posso dizer que é bastante divertido numa fase avançada, onde podem domar grandes dinossauros e ter acesso a verdadeiras aldeias de jogadores, mas para lá chegar é um caminho penoso. Não esquecer também que a vossa personagem fica ligada a um servidor e não pode ser transferida para outros servidores, pelo que se quiserem mudar vão ter que começar do 0, e não, não é engraçado estar constantemente a recolher fibras desenfreadamente enquanto esperamos não ser trucidados em tão tenra idade.

Mas afinal de contas o que é que existe em ARK que valha realmente a pena? A resposta só é dada a quem tenha a paciência e dedicação para suportar as primeiras longas horas. Vão começar por perceber que afinal de contas não temos apenas armas primitivas e que existe algo mais, não quero fazer spoilers, mas a verdade é que eu estive à beira de desistir. Estava prestes a deitar o comando ao chão quando aconteceu, de um momento para o outro o jogo fez o famoso “clic” e tudo se transformou. Comecei a desbloquear engrams que me surpreenderam pela positiva e o jogo acabou por ganhar uma nova dimensão. São necessárias muitas horas investidas mas vale bem a pena para ter acesso aquilo que ARK tem guardado, no entanto não posso deixar de realçar que é mesmo preciso investir várias horas e as primeiras são mesmo muito penosas depois do primeiro impacto da novidade.

Algo que também foi notório, é que depois de passar pela experiência uma vez, torna-se cada vez mais fácil repetir a experiência de forma mais eficaz. Se decidirem criar uma nova personagem, vocês serão mais rápidos a concretizar as acções que vos interessam. Isto é bastante benéfico e lá para a 4ªvez que o façam, talvez se consigam safar no modo PVP.

Como um todo foi uma experiência agradável no que toca a sobrevivência, mesmo com os seus bugs. O modo de 1ª pessoa funciona bastante bem, o modo de 3ª pessoa é outra história, uma vez que as animações são no mínimo estranhas. A jogabilidade não está aprimorada para comandos e nota-se claramente que tudo parece ter sido desenrascado, no entanto, nos menus, é possível utilizar atalhos para algumas acções o que acaba por ir facilitando a sua navegação, nunca sendo algo natural.

Ainda dentro das possibilidades, ARK para a PS4 conta também com a possibilidade de criação de um servidor privado. Se quiserem ter um desses servidores e jogar nele só vão precisar de uma cópia de ARK e PS4 extra.

É também possível criar o vosso próprio mapa utilizando uma ferramenta presente no jogo que gera um mapa tendo por base os valores que vocês quiserem, mas cuidado pois podem facilmente fazer mapas injogáveis, como eu que sem querer decidi criar um mundo vindo do filme “A Pequena Sereia” e vi a minha personagem ser afogada nele assim que nasceu.

Existem também alguns mapas que só são desbloqueados depois de dedicarem o vosso tempo a ARK, estes mapas exigem o nível Gamma ou Beta e são bastante diferentes daquilo que temos disponível a início. Existe também o modo de jogo normal onde acabamos por ganhar acesso a peças de tecnologia moderna e um outro modo chamado “Primitive Plus Official” que coloca os jogadores num mundo sem a tecnologia moderna de todo. São dois modos que acabam por testar os jogadores de forma diferente.

Como um todo é uma experiência positiva se forem reunidas as condições certas. Depois de passarmos pelo impacto negativo da performance do jogo na PS4 e realmente percebermos o funcionamento do jogo, ARK: Survival Evolved evolui para uma das melhores experiências survival online que já experimentei. A sua vertente de domação de animais e liberdade para os jogadores permite que este universo SandBox se transforme naquilo que os jogadores quiserem. Pessoalmente não gostei nada do início de ARK, depois do impacto da novidade arrastei-me por horas, e só quando estava prestes a desistir é que ARK realmente mostrou as suas cores e a diversão começou. Assim se tiverem o tempo e gostarem de jogos de sobrevivência, ARK é uma boa escolha, não é perfeito e no caso da PS4 tem os seus defeitos, mas é uma questão de tempo e vontade até chegarem à verdadeira diversão.

Positivo

  • Domar animais
  • Tema sobrevivência bastante presente
  • Aspecto garrido
  • É especialmente divertido em grupo
  • O “EndGame” é realmente divertido
  • Algumas recompensas estão guardadas para os jogadores que quiserem dedicar mais tempo a ARK
  • Variedade de ambientes

Negativo

  • Problemas de performance constantes
  • Menus pouco intuitivos
  • Apesar de existir um guia básico no jogo o uso de uma guia externo é quase obrigatório

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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