Análise – Ant-Man/Homem-Formiga

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Isto de avaliar um filme não é pera-doce, tire daí o cavalinho-da-chuva quem pensar o contrário. É preciso ter muita lata para construir um juízo de valor, a dada altura o processo complica, sobretudo quando se juntam emoções (sim, torna-se irracional a devoção que depositamos em algumas formas de entretenimento). Neste enquadramento surge Ant-Man, o novo filme da Marvel… também conhecida por fábrica de dólares da Disney.

Considerar Ant-Man obriga-nos a desconfiar do filme, aliás, o filme estreia com histórias de faca e alguidar nos bastidores. Kevin Feige (Produtor Executivo da Marvel e responsável pelo sucesso cinematográfico das adaptações) descreditou e chutou o filme para fora da elite dos heróis Marvel; após oito anos em pré-produção, Edgar Wright (realizador de Scott Pilgrim VS The World) afastou-se do cargo por alegadas divergências criativas; o super-herói em questão é desconhecido do grande público; o protagonista é um bandido; um super-herói que encolhe é uma premissa de um filme para crianças; o elenco não bate a bota com a perdigota; o filme não contribui para o aclamado universo cinemático da Marvel; há a tentação de comparar com os Guardiões da Galáxia… mas que grande caldeirada! Haverá algo positivo a assinalar?

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Ant-Man narra a história de Scott Lang (interpretado por Paul Rudd), um bandido de meia-tigela que rouba o fato do Ant-Man, um aparelho que permite ao utilizador reduzir o tamanho e adquirir força estupenda. Para os adeptos Marvel de outros tempos, Scott Lang é o novo Ant-Man, que sucede a Hank Pym (interpretado por Michael Douglas no filme).

O elenco conta ainda com Evangeline Lilly, Corey Stoll, Bobby Cannavale, Judy Greer, Abby Ryder Fortson, David Dastmalchian, T.I., Hayley Atwell, Wood Harris, John Slattery e, com especial destaque, Michael Peña.

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Após a saída de Edgar WrightKevin Feige atribuiu a responsabilidade do projecto a Peyton Reed, um realizador experiente nas comédias cinematográficas, que aproveitou a oportunidade para convidar Adam McKay (SNL) e Paul Rudd para a escrita do guião. Peyton Reed confessou que viu todos os filmes com a mesma temática e avançou para um projecto sem stress, sem grandes ousadias do ponto de vista visual e técnico. As dinâmicas entre o mundo real e a perspectiva microscópica são interessantes, e o filme engata num ritmo que apela a um público infantil.

Nos outros domínios técnicos, embora a temática exigisse melhores recursos visuais, Peyton Reed procurou oferecer credibilidade aos ambientes explorando cenários reais. Quanto à banda-sonora, se Christophe Beck (compositor) fosse um dentista eu recomendá-lo-ia, porque nem se dá por ele. A direcção de fotografia faz lembrar as telenovelas portuguesas, ou seja, com tonalidades quentes e com poucas sombras.

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Resumindo e… baralhando, Ant-Man é o filho bastardo da fase 2.5 da Marvel, um filho que a dada altura ninguém quis ter. Com a saída de Edgar Wirght existiam duas soluções, ou a Marvel anulava o projecto ou seguiam por um caminho tão seguro como o 4-4-2, que não ofendesse o que estava estabelecido e permitisse alcançar o retorno do investimento. A opção foi a segunda, e a o descrédito e a ausência de pressão permitiu que algumas mentes criativas tivessem a possibilidade de se divertirem com uma base de trabalho bastante criativa. O resultado final é um filme divertido, com uma fórmula já vista mas que introduz alguns elementos novos no universo dos filmes com super-heróis.

Embora não seja tão inteligente como Winter Soldier ou surpreendente como Guardiões da GaláxiaAnt-Man narra uma história emotiva em que cada personagem consegue delinear um arco evolutivo. Existem alguns problemas relacionados com as acções do vilão e o clímax, mas o balanço geral é positivo. Ant-Man é o filme mais engraçado alguma vez concebido com super-heróis.

 

Positivo

  • Humor
  • Sempre que Michael Peña esta em cena
  • Dinâmica entre o elenco
  • Motivações dos personagens

Negativo

  • Vilão sem carisma
  • Clímax reminiscente
  • Como teria sido o filme se Edgar Wright tivesse batido o pé?

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