Análise: American Hustle – Golpada Americana

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Se a Cerimónia de Entrega dos Óscares fosse um torneio de Ténis, American Hustle entraria com um wild card, dispensando quaisquer provas de acesso. O realizador David O. Russell (Silver Linings Playbook e The Fighter) está nas boas graças das Academia e o elenco reúne alguns dos actores mais requisitados de Hollywood, nomeadamente, Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner e Jennifer Lawrence.

Produzido pela SonyAmerican Hustle (chegou a ser conhecido por American Bullshit) esta nomeado para 10 Óscares da Academia, entre as quais: Melhor FilmeMelhor Realizador, e com um representante em cada categoria de representação (David O. Russell repete o feito do ano passado).

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A história, inspirada em factos reais, narra a jornada de Irving Rosenfeld (Christian Bale) e Sydney Prosser (Amy Adams), dois burlões de Nova Jersey coagidos pelo agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper) para desvendarem os rendimentos do político Carmine Polito (Jeremy Renner), que está inserido num meandro obscuro que envolve outros políticos, subornos e troca de favores com a mafia.

Além da elite de actores referida, o filme conta ainda com um fabuloso leque de actores no suporte. Além de Robert De Niro (quem se pode gabar de contar com um dos melhores actores de sempre para “uma perninha”?), há ainda Louis C.K., Jack Huston, Michael Peña e Shea Whigham.

Christian Bale;Amy Adams

A realização de David O. Russell está de acordo com os pergaminhos do realizador, ou seja, fantástica. Cada enquadramento, zoom, movimento de camera, sequência de eventos, denotam uma compreensão tremenda da narração visual de uma história.

Do ponto de vista técnico, as nomeações falam por si (melhor edição, guarda-roupa e design de produção), mas o que fica na retina é o regresso aos anos 70, não só pela banda-sonora, mas pela conjuntura.

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Não haja dúvidas, o elenco de American Hustle é incrível. Contudo, sobre a tutela de David O. Russell, a magia acontece, e actores com este calibre transcendem-se (todos os actores querem trabalhar com o realizador). Christian Bale é o melhor exemplo desta evidência, colocando em prática todo o talento e experiencia, com uma entrega notável ao personagem. Amy Adams está sempre bem em qualquer filme (menos em Man of Steel), Bradley Cooper só atinge o verdadeiro potencial com RussellJeremy Renner chega à melhor interpretação desde Estado de Guerra e Jennifer Lawrence, não desempenha uma má performance “per si”, provoca alguma estranheza a quem acompanha a carreira da actriz, tendo em conta que o comportamento desconcertante de Rosalyn Rosenfeld remonta à postura da própria actriz na vida real.

Agora podem trazer os archotes e afiar as forquilhasAmerican Hsutle está distante do patamar de excelência que se esperava, a repartição salomónica das cenas pelo elenco dilui o enredo, ficando com nuances noveleiros. A história de American Hustle não nos proporciona uma nova perspectiva da vida e do mundo (ao contrário de Silver Linings Playbook), a evolução dos personagens não é inequívoca (à excepção de Irving Rosenfeld), as forças do antagonismo não têm um rosto, e o clímax, embora inteligente e recompensador, não funciona em crescendo.

American Hustle pode ser comparado à running joke do filme, ou seja: promete, engonha  e fica pela meia intenção.

 

Positivo

  • Elenco
  • Trabalho de David O. Russell com os actores
  • Diálogos
  • Evolução do personagem principal

 

Negativo

  • O Abscam não oferece matéria-prima suficiente para o filme
  • Enredo diluído
  • Um argumentista com a experiencia de David O. Russell não deveria recorrer à coincidência para “safar” um acontecimento

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