Análise – AI: The Somnium Files

  • Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch, PC
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.

Com a trilogia Zero Escape terminada os fãs estavam à espera de ver qual seria o próximo jogo de Kotaro Uchikoshi, sendo que então chega até nós AI: The Somnium Files, o seu novo jogo de aventura que inclui a sua marca tradicional de mistério, ficção científica e puzzles. Ao contrário de 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors e Virtues Last Reward que possuíam um aspecto visual novel que descreviam o cenário, o que estava a acontecer e mais; AI: The Somnium Files adapta o modo cinemático que Uchikoshi introduziu em Zero Time Dilemma onde tudo é mostrado a partir de cinemáticas sem o jogador controlar a personagem para além de apontar para o cenário e seleccionar itens para observar tal como nos jogos anteriores.

AI: The Somnium Files coloca o jogador no papel de um detective chamado Date que começa a investigar um caso de homicídio onde a vítima, uma pessoa que é familiar a Date, viu o seu olho esquerdo ser removido (e isto não é a minha tentativa a humor negro). Enquanto que o nosso protagonista tenta resolver o caso, mais pessoas que o mesmo conhece começam a ficar envolvidas e novos mistérios começam a surgir; uma pessoa que diz que irá morrer em breve; e até a amnésia que Date está a sofrer, algo que parece coincidir com a altura em que um velho caso bastante semelhante a este novo aconteceu.

O jogo adapta o mesmo sistema “flowchart” que Virtues Last Reward e Zero Time Dilemma, onde as acções do  jogador irão colocar o mesmo numa rota em específico mas quando chegar um impasse ou completar esse pedaço de história poderá retroceder até outro momento e seguir um caminho diferente onde nova informação será apresentada. Tal como a série Zero Escape, o jogador poderá encontrar algumas secções onde será necessário primeiro completar uma outra rota para assim descobrir informação adicional e poder prosseguir pela história que estava anteriormente bloqueada. No entanto o elemento de sobrenatural não está presente neste jogo, sendo o foco a história de detective e os elementos de Sci-Fi que serão explicados mais adiante.

A história foca-se principalmente nas secções onde o jogador necessita de recolher informação ao investigar o cenário e falar com várias pessoas de interesse. Todas estas secções tem lugar num formato 3D embora o jogador esteja fixo e apenas possa mover a câmara. Isto até que é interessante pois enquanto algumas personagens estão a falar o jogador pode observar o cenário embora não seja possível interagir com o mesmo, e algo curioso é que tanto o modelo 3D como a sua versão 2D que aparece juntamente com o texto estão coordenados, sendo que se um muda de posição o outro também o faz, incluindo a boca quando este fala. Não passa de um pequeno detalhe que os produtores decidiram criar mas é algo bem vindo e apreciado.

O jogador não faz realmente um trabalho de detective tal como acontece em Ace Attorney, sendo o nosso papel recolher informação enquanto que a história do jogo trata do resto, apesar de haver uma ou duas pequenas secções onde é possível seleccionar evidência para fazer o suspeito falar. Mais secções como estas fazem falta no jogo para oferecer uma maior quantidade de momentos em que o jogador é aquele que está a desvendar o mistério e não a personagem que está a ser controlada, embora exista algo um pouco semelhante e que é uma peça importante para o jogo.

Em certos momentos na história o protagonista irá entrar no cérebro de um suspeito através de uma máquina que permite explorar a mente desse indivíduo, encontrando um mundo de sonho que é baseado em coisas que o suspeito tenha presenciado ao longo da sua vida ou um momento em específico e que poderá estar relacionado com o caso. Neste mundo, onde é possível explorar ao andar pelo cenário, o jogador necessita de resolver um puzzle ao cumprir certos objectivos dentro de um tempo limite. A maioria destes puzzles possuem duas soluções que irão ditar o caminho que a história vai seguir; por exemplo, no primeiro puzzle o primeiro objectivo tem as seguintes soluções: escolher a gaiola com a foto ou a gaiola com o balão, sendo que ambas as escolhas irão colocar o jogador em rotas diferentes que irão mudar a história por completo.

Em termos de finais o jogo conta com três finais para certas personagens (e mais um extra que foi inserido como uma piada e necessita de alguns pré-requisitos) e dois dedicados à história. Dependendo da ordem em que fizeram as vossas escolhas, alguns finais poderão deixar perguntas por responder, mas que farão sentido à medida que o jogador for progredindo pelo resto do jogo; em contrapartida o oposto é igual, uma rota poderá contar com algumas pistas que irão fazer o jogador reagir mais cedo a certos eventos que aconteçam em outras rotas. Já a conclusão para cada história tem os seus pontos altos e baixos, alguns destes finais são súbitos (e sem uma devida conclusão), enquanto que outros estão bem trabalhados, havendo um ou dois finais que mereciam uma continuação pois a história tinha mais para oferecer.

O elenco do jogo não é muito grande, havendo algumas personagens secundárias que aparecem de vez em quando e depois obviamente as personagens principais nas quais o jogo foca-se mais. Todas as personagens são bastante simples e não contam com grandes complicações para agarrar o jogador, no entanto A-Set, uma das personagens centrais deste jogo ao ponto de não ser incorrecto de chamar a mesma de “heroína”, necessitava de um pouco mais de atenção para estabelecer-se melhor, com o tempo de ecrã que recebeu não ser o suficiente para melhor explorar a personagem.

Tendo em conta que Date tem um olho cibernético com uma A.I. para substituir o olho esquerdo que perdeu, existe várias vezes em que imagens/vídeos aparecem no ecrã durante conversas que estejam relacionadas com os vídeos em questão. É uma ideia interessante em especial para quem teve uma grande pausa entre sessões de jogabilidade e não lembra-se de certos assuntos, mas à medida que avançava no jogo mais este demorava para inserir esses vídeos no ecrã. Algo que antes era instantâneo começou a demorar mais tempo a carregar ao ponto de pensar que as conversas haviam terminado devido à pausa entre a conversa e o vídeo. Para além deste problema encontrei outro que é um pouco estranho; tendo jogado com as vozes Japonesas o final do jogo desorientou-me um pouco a partir do momento em que as personagens estavam a falar com o audio Inglês apesar de não o ter mudado.

O design das personagens varia um pouco, alguns tem um aspecto único, outros parecem normais e os restantes tem aquele típico aspecto de personagem secundária onde não recebem muita atenção. Os cenários também não tem muito que se diga, embora alguns níveis que tenham dentro do sonho das personagens tomam um aspecto interessante como um que é definitivamente inspirado em Minecraft. Em relação à banda sonora esta possui os seus momentos em que se destaca e outros onde não possui nada de especial.

AI: The Somnium Files é um jogo que a meu ver tinha mais por oferecer. Mesmo se o produto final foi tal e qual a intenção do seu criador continua a haver o sentimento de que algo está em falta e que não está à altura da série Zero Escape. O jogo em si funciona como um “one-off” e oferece o que prometeu, mas a ideia de poder explorar mais este mundo e algumas personagens que ainda tem muito por oferecer fica no ar. Da maneira em como está feito, AI: The Somnium Files é aquele tipo de jogo que oferece uma aventura interessante mas que depois fica no esquecimento.

Positivo:

  • Personalidade do protagonista Date
  • História interessante…

Negativo:

  • …mas que acaba por cair no esquecimento
  • Alguns finais são súbitos e outros mereciam uma continuação
  • Personagem A-Set necessitava de mais atenção

Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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