Análise – Agony

  • Agony foi analisado na PS4

Como se costuma dizer: “De boas intenções, está o inferno cheio.” e Agony é um exemplo perfeito desta frase. Quando foi apresentado como ideia este pretendia trazer até aos fãs de terror um jogo que impressioná-se pelo tema e ambiente, mas o resultado ficou bastante aquém do esperado, conseguindo ser um jogo infernal e de terror apenas pela sua qualidade.

Desde o momento em que caímos pelo céu e nos aproximamos rapidamente do Inferno que Agony deixa transparecer que algo não está bem. Assim que tomei o controlo da minha personagem comecei a experimentar a movimentação e a certeza de um mau jogo instalou-se. Conforme avancei pelas diversas áreas fui procurando por sinais de que poderia estar perante um jogo com as suas falhas mas que ainda assim conseguisse entregar algo mais do que miséria e aborrecimento, mas com cada passo que dava a minha certeza aumentava.

Agony parece saído da década passada – e estou a ser simpático – graficamente é uma amálgama de vermelhos que transitam de áreas iluminadas para áreas pouco iluminadas, de áreas de puzzles para áreas onde exploramos salas ou corredores sem interesse. Todo o cenário está decorado com montes de carne, ossos e várias partes íntimas em diversas situações, é um cenário repetitivo e que é grotesco apenas porque sim, não há nenhum significado obscuro por de trás de Agony a não ser exactamente aquele que nos é contado ao longo da penosa jornada.

O jogo começa por nos introduzir a este mundo com pequenas interacções, pouco a pouco vamos aprendendo o que se passa e a verdade é que nunca fiquei muito interessado, pois não me senti investido em nada para justificar todos os problemas, intencionais ou não, que o jogo nos coloca. Desde a jogabilidade rígida a más animações e um aspecto datado, nada em Agony me cativou. Assim que entramos na primeira sala somos de imediato colocados no caminho de uma missão de procurar por um certo objecto que está escondido algures num labirinto de cavernas, e é aqui que quem se der ao trabalho de seguir com esta missão ou simplesmente se perca poderá ver algumas das piores falhas do jogo.

Podemos e devemos carregar uma tocha connosco em diversas situações durante o decorrer do jogo, esta aumenta a claridade, tornando-se mais fácil de ver por onde andamos em certas áreas e também permite destruir alguns obstáculos. Qual não foi a minha surpresa quando a tocha simplesmente não funciona em algumas áreas, mantendo tudo na escuridão – desconfio que o jogo queria esconder alguns problemas de performance mas eu vi as quebras de frame rate – outras vezes e sem razão aparente, consegui pegar fogo ao que me rodeava e acabei por morrer, várias vezes.

Em seguida, e depois de sermos introduzidos ao sistema de melhoramentos do jogo, damos de caras com o primeiro labirinto. A missão aqui é simples: reunir vários itens para abrir uma porta enquanto não somos detectados pelos demónios. Para nos auxiliar nesta árdua tarefa o jogo tem um sistema de suster a respiração. Estes primeiros demónios só nos detectam pelo som, por isso basta ficarem quietos e não são detectados, e quando são detectados porque o jogo adora pregar partidas com a Inteligência Artificial morrem e pode ser que encontrem um corpo para possuir numa mecânica que não se encontra bem explicada.

Conforme exploram vão também dar de caras com puzzles onde têm que desenhar certas formas em quadros, se por acaso não derem de caras com a forma correcta basta andarem em círculos nas áreas anteriores até encontrarem aquele que poderá ser o correcto. Tudo isto são mecânicas que funcionam quando o jogo nos dá bons incentivos, aqui são apenas tarefas repetitivas e sem interesse.

O jogo é bastante instável com diversos problemas de frame rate, texturas e animações que quando conjugadas com a fraca qualidade gráfica nos fazem questionar o que é que a equipa que produziu o jogo andou a fazer.

Durante o decorrer do jogo vão encontrar algumas personagens, e enquanto de um lado temos vozes que são verdadeiramente perturbadoras como foi intencionado pelos criadores, também existem aquelas que caiem no ridículo, mesmo as que estão bem executadas são repetidas várias vezes, lembro-me de um momento em que passei várias vezes pelo mesmo local há procura de um objecto e de todas as vezes que lá passava o npc estava a dizer as mesmas coisas sem parar, num loop infinito.

No entanto Agony até tem um ponto que consegue estar ao nível do prometido. A forma como o menu de jogo está trabalhado para atrair o jogador para a acção é bastante inteligente e está ligada à dificuldade por pre-definição. Por exemplo a barra de suster a respiração que é claramente indicada na dificuldade mais baixa, é substituída por algo mais abstracto em dificuldades superiores. Existem também alguns momentos muito bem pensados durante a narrativa e apesar de poucos e de estes serem em situações muito controladas, são bons momentos de pânico. Infelizmente estes momentos não fazem o resto do jogo valer a pena, nem mesmo pelos diferentes finais.

Como um todo é uma verdadeira agonia, é um daqueles jogos que tinha boas ideias mas acabou por se revelar incompetente para as fazer chegar até nós da maneira correcta. Este inferno não consegue transparecer uma boa imagem de um inferno gótico, que claramente era a intenção. Acabando por falhar em produzir um jogo de terror, sendo em vez disso um terror de jogo.

Positivo

  • Boas ideias…

Negativo

  • … mal implementadas
  • Visual datado
  • Vários problemas de diversas frentes
  • Imensos momentos aborrecidos
  • BUU Jump Scares

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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Alexandre Barbosa

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