Análise – Agents of Mayhem

Agents of Mayhem parece saído de um desenho animado do fim do século XX. Personagens cheias da carisma, explosões, um grupo de vilões maquiavélicos que querem dominar o mundo e um grupo de “heróis” que acham que têm piada. Num 1º vislumbre não fui capaz de perceber exactamente o que era Agents of Mayhem, foi mesmo preciso jogar para conseguir entender. A melhor maneira de explicar no que consiste Agents of Mayhem é mesmo despir o jogo de todas as adições que faz a uma fórmula simples, um Open World com missões e coleccionáveis onde podemos fazer o que nos apetece; bem ao estilo de GTA, Saints Row etc. No entanto aquilo que é acrescentado a esta fórmula básica é o que torna Agents of Mayhem em algo único.

O estúdio por de trás de Agents of Mayhem é o mesmo que nos trouxe Saints Row, a Volition. Como tal, para quem jogou Saints Row, será fácil encontrar desde logo pontos de comparação. Desde as missões secundárias que estão espalhadas pelo mundo mas que não são muito variadas, estas consistem em: salvar uma pessoa, ganhar uma corrida ou destruir uma máquina infernal da LEGION, que é a organização inimiga. Devido a termos um universo partilhado com os jogos Saints Row e Red Faction, Agents of Mayhem está também carregado de referências, algumas são visuais como é o caso do logótipo e do roxo como cor base da M.A.Y.H.E.M.(Multinational Agency Hunting Evil Masterminds), temos personagens que regressam na íntegra como é o caso de GAT, ou como uma espécie de referência como é o caso de Oleg que regressa como o agente Yeti, ou Pierce Washington, que é agora o agente Kingpin. No entanto podem esperar ainda mais piadas e referências à nossa querida realidade.

Como podem ver, eu mencionei apenas algumas das muitas referências feitas ao passado da companhia e a verdade é que acabam por encaixar e não prejudicam quem não esteja a par das mesmas. Agents of Mayhem passa-se em Seoul, numa versão pós Saints Row: GAT out of Hell em que esta cidade é uma metrópole tecnologicamente bastante avançada. A L.E.G.I.O.N. (League of Evil Gentlemen Intent on Obliterating Nations) está então num estado bastante avançado do seu plano de dominação global e é no meio de uma missão da MAYHEM num confronto com o Dr. Babylon, um dos grandes antagonistas do jogo, que começamos a nossa aventura.

O jogo começa por nos ensinar as bases e onde aprendemos que cada personagem é única. Existe sempre um ataque base que por norma está dependente da arma de eleição de cada agente; podem estar a usar uma metralhadora, uma caçadeira ou até um arco e flecha. Depois existe uma habilidade especial que pode ir desde o lançar de uma granada, a uma investida ou até ao lançar de uma armadilha. Existem ainda as Mayhem Habilities que têm de ser carregadas e acabam por ser o ataque mais poderoso de cada agente, uma espécie de Ultimate atack. E como não poderia deixar de ser, cada agente tem também uma habilidade passiva e uma classe que lhe dá vantagem sobre certos tipos de inimigos. No que toca à movimentação dos agentes, estes conseguem dar duplos saltos, por vezes até 3 e alguns deles ainda conseguem efectuar deslizes.

No entanto os agentes ainda podem ser adaptados ao gosto do jogador com o uso de dispositivos que vamos ganhando, conforme vamos completando missões. Estes dispositivos podem alterar as habilidade e até os ataques dos agentes, em alguns casos trocam mesmo a arma base do mesmo. Existe ainda um tipo de ataque que tem de ser fabricado e que podem usar para conseguir ultrapassar certas situações mais complicadas. Como já devem ter percebido existem imensas maneiras de jogar com cada agente e cada um deles tem imenso para desbloquear, mas para ajudar a festa ainda não acabaram as possibilidades.

Com a excepção de missões de personagem, que é como quem diz, missões que dizem respeito à história pessoal de cada agente, utilizamos sempre uma equipa de 3 agentes. Podem formar esta equipa a partir dos agentes desbloqueados e podem alternar entre os 3 a qualquer momento com o simples pressionar de um botão. Assim devem fazer uma equipa equilibrada para lidar com os vários tipos de ameaça. Cada agente tem o seu nível individual e o subir de nível aumenta o ataque, escudos e vida de forma automática, fornece também pontos para colocar-mos em algumas habilidades do agente de forma a torna-lo mais forte em aspectos secundários.

Cada agente é bastante único, quer na forma de jogar, quer na sua história pessoal. No entanto são mais de uma dúzia de agentes, pelo que se vai tornando complicado ter uma boa ideia de todos. Pessoalmente acabei por encontrar 5 agentes com quem gostava de jogar e fazia sempre a minha equipa a partir desses 5. Foi com esses agentes que realmente me importei e acabei por deixar os outros para 2º plano, obviamente que fiz as missões pessoais dos mesmos e pude contemplar as histórias deles, mas em termos de jogabilidade a minha equipa já estava formada. Ter tanta diversidade foi algo positivo, uma vez que é mesmo possível encontrar as personagens com quem gostamos de jogar e ignorar os estilos de jogos que menos gostamos. De certa forma é como jogar um MOBA, todos temos aquele grupo de personagens com quem preferimos jogar e por vezes até escolhemos uma outra personagem só para desenjoar.

Agents of Mayhem acaba por ser bastante repetitivo. É certo que as primeiras horas onde tudo é novidade o jogo parece realmente divertido, para quem goste de open worlds tresloucados, claro está. No entanto dada a forma como a narrativa vai sendo quebrada a história passa quase para 2º plano, a fórmula repetitiva de cada tipo de missão acaba também por não ajudar em nada e Seoul, diga-se de passagem, é uma das cidades mais aborrecidas de explorar de que me consigo lembrar, até revisitar a mesma cidade de Saints Row 3 em Saints Row 4 correu melhor.

A razão pela repetição ser tão sentida está mesmo na forma como Agents of Mayhem está estruturado. Começamos por ter 3 agentes e os restantes são entregues numa espécie de fornada. Se quisermos desbloquear os restantes agentes temos que selecionar as suas missões e cumpri-las, normalmente são duas. A 1ª missão consiste em localizar o agente, isto implica conduzir pela cidade de ponto A a B só porque sim e várias vezes, depois acabamos por nos infiltrar numa base da LEGION que é igual às outras quinhentas presentes no jogo. Agora lembrem-se que estas são tratadas como missões secundárias e têm que ser cumpridas para desbloquear os agentes. Após essa 1ª missão temos uma missão a solo que se divide em 3 ou 4 partes e actua como um tutorial para esse agente. Primeiro ensina-nos a disparar, depois a utilizar a habilidade especial e finalmente a habilidade Mayhem, podendo esta 3ª fase coincidir ou não com o fim da missão. Cada um destes momentos decorre normalmente num ponto diferente da cidade o que implica ir de A a B e de B a C etc. Ao fim de digamos, 3 vezes comecei a ficar cansado, mas enfim a recompensa são novos agentes por isso lá teremos que aturar estas missões.

As missões de história é onde realmente Agents of Mayhem se torna especial. Tal como disse no início da análise, esta parece uma história saída de um desenho animado de super-heróis. Desde as cinemáticas animadas em 2D, os diálogos extravagantes e as personagens bastante carismáticas, é uma receita bastante apetecível. Infelizmente a história acaba por estar demasiado quebrada se quisermos desbloquear os agentes todos. Eu cheguei a um ponto no jogo em que ignorei por completo as missões secundárias de forma a poder desfrutar da história principal da melhor maneira. Por outras palavras a ideia central de Agents of Mayhem é extremamente interessante e bem executada, mas tudo aquilo que rodeia esse núcleo é apenas ruído que interfere com o mesmo.

Algumas das missões secundárias até são interessante, mas apenas algumas, e esse é o meu grande problema com Agents of Mayhem, o conteúdo que está fora do núcleo não é suficientemente interessante e é extremamente repetitivo. Felizmente é possível dosear as missões como nós queremos e mesmo sendo repetitivo não chega a níveis de Mafia 3.

A exploração da cidade, como já referi, é aborrecida. Por um lado os agentes conseguem efectuar uns quantos saltos e até alguns deslizes mas não chega a ser propriamente apetecível andar de telhado em telhado uma vez que esses saltos não chegam para que se possa dizer que é fácil de explorar. No que toca à condução, podemos conduzir qualquer carro que vemos ou chamar o nosso carro. O nosso carro vem equipado com boost ao contrário dos outros carros da cidade, e por vezes se o chamar-mos e ele estiver a 5 metros de distância ele desaparece e volta a aparecer vindo do fim da rua controlado pela IA do carro. Escusado será dizer que não só é estranho, como não faz sentido nenhum, podendo o carro andar 4 metros até nós, este vir lá do fim da rua. A condução em si é um pouco estranha, existem vários modelos de carros e alguns têm pesos diferentes mas no geral são controlos demasiado instáveis.

O jogo está recheado de Easter Eggs, não só no mundo onde podemos por exemplo encontrar cidadão a dançar Gangnam Style como também na nossa base. A nossa base de operações conta com vários Easter Eggs, especialmente para quem jogou os anteriores jogos deste estúdio. No centro de operações vão também encontrar vários quiosques que vendem vários upgrades, alguns itens e até uma estação de treino VR com alguns desafios. Existe também um objectivo secundário no jogo que consiste em libertar os vários territórios do planeta das garras da LEGION.

Acaba por existir muito conteúdo em Agents of Mayhem mas todo ele acaba ou por nos distrair da história principal e fica aborrecido ou torna-se repetitivo. Mas quero deixar bem claro que a narrativa principal é aquilo a que se pode chamar “parvamente boa”, existem imensos momentos e até personagens que são caricaturas da cultura actual. Desde ídolos virtuais ao Auto-Tune, passando pelos ciborgues e muito mais. É também uma narrativa sem papas na língua e se Agents of Mayhem nos obrigasse a seguir a narrativa de uma forma mais linear provavelmente seria um melhor jogo. Nunca pensei em dizer isto mas a liberdade que nos é dada para explorar o jogo é o que acaba por começar a tornar Agents of Mayhem cansativo.

A performance de Agents of Mayhem deixa a desejar, pelo menos na versão PS4. Existe aqui um motion blur terrível onde até algumas auras em volta das personagens são criadas durante o movimento. Já em termos de frame rate também não é perfeito, existem vários momentos em que o jogo soluça quando está perante algumas situações com mais conteúdos no ecrã. Enquanto conduzimos é bastante frequente ver pop ups de objectos, quando estamos a velocidades mais reduzidas estes aparecem na mesma, mas com menos frequência.

Agents of Mayhem acaba por ser um jogo cheio de estilo, onde as personagens brilham mas que se rodeou de distracções repetitivas o que enfraquece o conteúdo principal. A sua vertente exclusivamente Single Player faz desta uma aventura menos interessante, teria sido engraçado explorar esta história com outros dois jogadores. Tal como está, Agents of Mayhem é um produto que irá agradar aos fãs de jogos Open World tresloucados mas apenas até ao cansaço da repetição vir a bater à porta. O núcleo do jogo é bastante bom e cheio de potencial é pena que as tarefas que a início são divertidas se transformem em algo cansativo com a repetição. Se gostei de Agents of Mayhem? Sim, mas preferia ter tido uma aventura mais concentrada em vez de um produto que se dispersa e perde a qualidade por isso.

Positivo

  • História principal interessante
  • Personagens bem trabalhadas
  • O jogador têm vários agentes à escolha com maneiras diferentes de jogar
  • Visual apelativo
  • Inúmeras referência muito bem aplicadas
  • Banda sonora

Negativo

  • Conteúdo secundário apesar de bom é muito repetitivo
  • Seoul é uma cidade desinteressante depois das primeiras horas
  • Pop ups

 

Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

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Alexandre Barbosa

Também conhecido como Tylarth, sou um grande fã de videojogos no geral e séries de TV.

  • Diogo Mendonça

    Parece um jogo giro, com uma mistura interessante entre as abilidades e personagens de um moba e open world sandbox. Tenho algumas dúvidas quanto ao level design e às personagens novas, mas eu adoro Saints Row, por isso acho que vou experimen… 8 GB de RAM mínimos? 12 recomendados? GeForce 1060 ou acima? Pois, eu acho que vou ficar pelo minecraft, que, com os mods certos, deve ficar parecido, e a minha torradeira deve conseguir correr.