Análise – A Plague Tale: Innocence

A Plague Tale: Innocence é uma aventura muito bem trabalhada, tudo começa numa floresta bastante viva e rica em cor mas depressa tudo escurece sem perder qualquer detalhe. No papel de Amicia e acompanhados por Hugo, os dois irmãos desta família partem numa aventura forçada para colocar um fim à peste que assola a região.

Visualmente deslumbrante, A Plague Tale: Innocence puxa-nos para os seus ambientes com imensa facilidade. Esta não se trata de uma aventura em mundo aberto mas todas as áreas do jogo são abertas à exploração, quero com isto dizer que não se tratam de corredores simples. Os ambientes são muito variados, quer seja de dia ou de noite, uma floresta, uma aldeia ou uma igreja cada um destes locais destaca-se dos demais. Um dos primeiros ambientes que exploramos deixou-me surpreso pela apresentação das várias casas. Todas elas diferentes entre si, buracos nas paredes, imperfeições nos acabamentos da época, diferentes pedras que sobressaem na construção de cada edifício, estes são apenas alguns dos detalhes que absorvi nos primeiros segundos. Perdi bastante tempo a contemplar os cenários deste jogo e nunca fiquei desapontado.

A história começa de uma forma bastante simples, mas rapidamente tudo muda e somos confrontados com uma situação inquietante nos primeiros minutos que acaba por marcar o tom do jogo. A partir daí existe um grande leque de emoção prestes a ser revelado e a relação entre Amicia e Hugo é apenas o início.

É através de diálogos que ficamos a conhecer o passado conturbado da nossa família e pouco a pouco os eventos do presente vão fazendo sentido. O que acaba por ser bastante gratificante nesta narrativa é que nós sabemos tanto quanto as personagens principais, por isso as suas acções acabam por corresponder às emoções do momento e dão aso a alguns momentos bastante peculiares sem que estes pareçam forçados.

Um dos pontos de destaque vai certamente para o duo principal, Amicia e Hugo. Amicia é uma adolescente a cuidar do seu irmão de 5 anos. Como qualquer criança as birras acabam por aparecer e Amicia faz o seu melhor para controlar a situação sem nunca perder a sua personalidade. Devido aos ambientes controlados existem imensas situações que ajudam a desenvolver estas personagens e não só.

A Plague Tale: Innocence é um jogo de aventura, stealth e terror. As várias situações que o jogo proporciona acabam por nos colocar o coração nas mãos com vários momentos em que escapamos a uma morte certa por um fio. Quer seja pelo medo de ser devorado por ratos, apanhado por guardas ou simplesmente pela inquietude do ambiente que nos rodeia, nunca estamos muito seguros.

Com o avançar do jogo e o desbloqueio de mais habilidades, passamos de uma fisga e pedras para artimanhas mais complexas. Atear e apagar fogos, misturas criadas através de alquimia que atraem ratos ou simplesmente incapacitam humanos, existem várias opções para avançar pelos vários puzzles.

Durante grande parte do jogo, os principais elementos vão ser a luz e os ratos. Os ratos aparecem quase sempre em grandes números e são uma forma de área proibida, se pisarem as áreas fora da luz quando estes estão presentes é bom que sejam rápidos. O número de ratos pode ser impressionante mas o seu aspecto e animações deixam um pouco a desejar, especialmente quando perto de um feixe de luz e parecem ter um ataque epiléptico colectivo.

Um dos pontos positivos do jogo é mesmo o facto de nunca me ter sentido frustrado com os vários cenários propostos pelo jogo. Em cada nível existe claramente um propósito e ocorre sempre algum evento que vem trazer algo para a história. Os próprios puzzles e desafios que temos de superar nunca se tornam monótonos e são sempre bons momentos.

Como já disse a apresentação do jogo é fantástica. Graficamente não é o jogo mais belo da geração mas tem uma das melhores atmosferas. Um ponto que também merece alguma atenção são as vozes, que pelo menos em inglês, sofrem um sotaque francês derivado à região em que se passa o jogo. Tanto heróis como vilões estão extremamente bem representados e são todos eles personagens muito bem construídas. O único aspecto negativo aqui são mesmo algumas animações que claramente precisariam de mais trabalho.

Como um todo A Plague Tale: Innocence é muito provavelmente um dos melhores jogos dos últimos tempos, a história é interessante as personagens estão bem construídas e a atmosfera do jogo nunca nos deixa de deslumbrar ou esquecer dos perigos que espreitam em cada corredor. Sem sombra de dúvidas um jogo para apreciar.

Positivo

  • Apresentação excelente
  • Personagens bem desenvolvidas
  • Mundo rico em detalhes
  • História fascinante
  • Desafios são variados
  • Número de ratos é impressionante…

Negativo

  • … mas não têm o melhor aspecto ou animações
  • Algumas animações por polir

Alexandre Barbosa

Videojogos e séries de TV são o seu meio de entretenimento favorito. Desde jogos de plataformas a RPGs todos os jogos são um hipotético interesse. Ganhou também alguns traumas com certos videojogos mas isso já era de esperar. Agora já posso parar de falar sobre mim na 3ª pessoa?

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