Sou teu Amiibo, sim! (por Ana Beatriz Varela)

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Na E3 em que foram apresentados jogos como Bloodborne, Ori and the Blind Forest, Splatoon, Mario Maker, Captain Toad: Treasure Tracker e Code Name S.T.E.A.M., eis que a Nintendo nos obriga a parar tudo o que estamos a fazer para ficarmos vidrados na apresentação de Bill Trinen. Foi em Junho de 2014 que ficámos a conhecer a palavra e o conceito Amiibo, e o que viria a significar para os aficionados colecionadores de merchandise de videojogos a nível mundial. Mais tarde, no mesmo ano, Trinen explicou numa entrevista à revista TIME que o nome Amiibo surgiu no Japão, e que “Amii” tem uma conotação amigável na língua nipónica, quase como amigo ou amiguinho. “Eu penso que para nós soa mais ou menos a Amigo. Não é, de facto, a origem do nome, embora transmita essa intenção”, acrescentou.

Apresentados como figuras sem qualquer tipo de relevância, os Amiibos são o que podemos chamar de “brinquedos com vida”; utilizam o sistema Near Field Communication (NFC) por forma a interagirem wireless, com jogos compatíveis, nas plataformas (New) Nintendo 3DS, Nintendo 2DS e Nintendo Wii U, e trazerem um novo tipo de jogabilidade e entretenimento ao jogador. Alguns fãs de Super Smash Bros são capazes de reconhecer o conceito de “brinquedos com vida”; na abertura do jogo Super Smash Bros. Melee, lançado em 2002 para a Game Cube, é-nos mostrado um boneco estático do Super Mario a ganhar vida para combater com Link. A Nintendo transformou este conceito virtual em figuras físicas com capacidade de terem características virtuais, detetáveis pelas consolas compatíveis.

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É na base da figura que reside a tecnologia NFC, a qual funciona ao toque na área indicada na consola, pelo que é possível ter uma grande variedade de Amiibos, de todas as formas e feitios. Não é por acaso que os Amiibos são bastante semelhantes aos Skylanders, a nível de funcionalidade; nos finais de 2012, princípios de 2013, a Activision ofereceu uma parceria de exclusividade à Nintendo para um novo projeto, o Skylanders. Se a Nintendo soubesse na altura que as figuras da Activision iriam fazer um furor tremendo no público mais jovem, se calhar, não teria negado a oferta. Por outro lado, se tivesse aceite, muito provavelmente não existiriam Amiibos.

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A primeira série de Amiibos a chegar às lojas foi a Super Smash Bros, juntamente com o jogo para a Wii U, na época natalícia de 2014. Mario, Peach, Yoshi, Donkey Kong, Link, Kirby, Fox, Samus, Pikachu, Wii Fit Trainer, Villager e Marth foram as primeiras personagens Nintendo a terem uma adaptação Amiibo. Os consumidores mais informados já sabiam a data de lançamento dos Amiibos, para que serviam, onde comprá-los e até mesmo a estimativa do preço. A procura foi tanta, que acabou por haver uma rutura de stock de certas personagens, não só em Portugal, mas também a nível internacional. As reservas não tinham data prevista de chegada e as encomendas não eram enviadas, tudo porque a Nintendo não estava à espera de tamanha procura, embora Satoru Iwata confirmasse, na altura, que “certas personagens têm uma certa raridade, e quando esgotarem, irão dar lugar a novos Amiibos.” Quando os stocks foram renovados, certos Amiibos vieram ligeiramente diferentes, o que originou diferenças entre as figuras que foram compradas antes da rutura (first print) e as que foram compradas depois (reprints).

amiibo-ana-beatriz-varela-03-pnComparação entre Amiibo Villager (First print e reprint)

Para além das interrupções constantes de stock, alguns Amiibos vinham com defeitos para as superfícies comerciais. Seria de esperar que os fãs ficassem aborrecidos com a falta de rigor na produção em série das figuras, mas a verdade é que este tipo de Amiibos passou a ser visto como raridade. Exemplo disso é o Amiibo da personagem Samus, da série Metroid, que foi adquirida numa Best Buy, por $13, mas que tinha 2 arm cannons, quando era suposto ter apenas 1. Acabou por ser leiloado no eBay por $2 500 (cerca de 2 200€)! Caso semelhante foi o de um Amiibo da Princess Peach que não tinha pernas, também comprado numa Best Buy. Este foi leiloado, também no eBay, por $25 100 (cerca de 22 300€)!

amiibo-ana-beatriz-varela-04-pnComparação entre Amiibo Samus com 2 arm cannons (defeituoso) e com 1 arm cannon (standard); Amiibo Peach sem pernas (defeituoso) e com pernas (standard)

Atualmente, a Nintendo já lançou 97 Amiibos diferentes (sem contar com os do Pokémon Rumble U) e/ou com ligeiras mudanças no esquema cromático, 105 cartas Amiibo em 4 séries, 35 jogos com diferentes compatibilidades para Amiibos e uma enorme vontade de nos fazer colecionar tudo isto. Quem estiver a fazer coleção de todas as figuras Amiibo, já deve ter gasto, pelo menos, 1 261€ (fazendo as contas a 13€/figura). É um luxo que nem todos podem ou estão dispostos a pagar, embora possuir uma figurinha de 8 cm da nossa personagem Nintendo favorita seja excelente, e o cenário torna-se ainda mais interessante quando podemos passar várias horas divertidas a jogar e a interagir com ela – treiná-la, fazê-la evoluir de nível, atribuir-lhe ataques customizados, expandir-lhe as habilidades táticas e torná-la, assim, num Amiibo único.

Dentro ou fora das caixas, os Amiibos já preenchem grandes áreas nas vitrinas, prateleiras, secretárias e mesas de colecionadores apaixonados. Ter um Amiibo e não usá-lo para jogar é um desperdício? Há colecionadores que não utilizam as características jogáveis dos Amiibos, apenas os colecionam, portanto, cabe a cada um decidir isso. Se por um lado a figura é comprada para ser uma aliada no decorrer dos jogos, por outro acaba por ser um artigo de coleção, que, comparando com figuras da GoodSmile Company, Banpresto, Kotobukiya ou Takara Tomy, não é assim tão caro quanto isso.

amiibo-ana-beatriz-varela-05-pnO meu primeiro Amiibo, oferecido no dia 28 de Novembro de 2014 (dia do lançamento da primeira série de Amiibos na Europa), juntamente com o livro Seconds, de Bryan Lee O’Malley

O meu primeiro Amiibo foi-me oferecido pelo meu namorado, quando eu estava em casa, doente com gripe ou algo parecido. Ele veio visitar-me para me desejar as melhoras e, que melhor maneira de o fazer senão fomentar o desejo incontrolável de uma colecionadora, oferecendo um Link versão Amiibo. De momento, tenho 70 Amiibos, um dos quais foi customizado por mim (Princess Daisy). Não gosto de os retirar das caixas, porque acho o packaging bastante bonito, o que o torna parte integrante da figura. Tenho também algumas cartas das séries 1 e 2 com as respetivas cadernetas. Nunca usei nem as figuras nem as cartas como ajuda nos jogos, não só porque não sinto necessidade, como também porque quero manter estes artigos de coleção intactos. Picuinhice? Talvez, mas como sou uma colecionadora, é normal que surjam certas manias.

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A minha coleção! (desatualizada, pois já tenho mais 1)

A partir de 2014, os Amiibos começaram a ter os seus percalços, ao serem anunciados Amiibos e respetivas séries que se veio a saber serem falsos. No entanto, e apesar disso, a verdade é que parece que ainda vão ficar por mais algum tempo. Entretanto, os fãs estão a aguardar o lançamento das seguintes séries: Splatoon (8 de Julho); Super Mario (4 de Novembro); The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017).

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Estão a colecionar Amiibos? Estão a aguardar pelos novos? Mostrem a vossa coleção também!

Ana Beatriz Varela

Vinda do Espaço Sideral, interessa-se pelo fenómeno da Cultura Pop em todas as suas vertentes. Ainda não percebeu o conceito "sociedade".

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